quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Um pedaço da Índia no CCBB

Fiquei encantada com o pouco que vi da exposição "Índia!", que está em cartaz no CCBB. Eu não sabia que ela estaria acontecendo, afinal, fui só para a mostra de cinema, e foi uma surpresa incrivelmente agradável entrar lá e dar de cara com o Ganesha (deus com cabeça de elefante)!

Verei tudo com mais tempo, mas, por enquanto, fiquem com essas duas fotos que tirei:

Ganesha, foto tirada do 1º andar

Bonecos de teatro de bonecos

O quê? Exposição "Índia!"
Onde? CCBB SP - Rua Álvares Penteado, 112 - Centro (descer na estação de metrô Sé)
Quando? De 14/2 a 29/4/2012
Quanto? Grátis
Site da exposição - clique aqui.


Obs: Amo essa cidade!! Imagina, parece até que Hungria e Índia ficam logo ali na esquina.

Péter Forgács: Arquitetura da Memória


Hoje, depois do trabalho, abri o Guia Folha e vi que está tendo uma mostra de filmes do húngaro Péter Forgács no CCBB. Fui lá conferir.

Vi "A Terra do Nada" (1996) e "Miss Universo 1929" (2006) e gostei!

Não conhecia nada do Forgács, mas parece que ele busca filmagens caseiras/amadoras como base para construir documentários de época. Em "A Terra do Nada", ele utiliza imagens filmadas por um oficial militar, Lászlo Rátz, para contar uma outra parte, um outro lado, da Segunda Guerra. Já "Miss Universo 1929" mostra a história de Lisl Goldarbeiter, eleita a mulher mais bonita do mundo em 1929, depois de um empurrãozinho do primo Marci Tenczer, que, por amar o cinema e também a prima, produziu a maior parte das imagens que aparecem no doc; conforme o diretor vai reconstituindo a trajetória de Lisl, Marci e de suas famílias, reconstrói também uma parte da história da Áustria e da Hungria ao longo do século XX.

Recomendo!

O quê? Péter Forgács: Arquitetura da Memória
Onde? CCBB SP - Rua Álvares Penteado, 112 - Centro (descer na estação de metrô Sé)
Quando? De 15 a 26/2/2012, vários horários
Quanto? R$ 2
Site com a programação - clique aqui.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Todos os fogos o fogo - Julio Cortázar


Na sexta-feira antes do feriado de Carnaval, demorei quase quatro horas para chegar em casa. O trajeto de ônibus que normalmente faço em uma hora, uma hora e meia, demorou três horas e meia. E, na madrugada de sexta para sábado, mais cinco horas de São José até Ubatuba (viagem que fizemos em duas horas e meia ontem, quando não tinha trânsito). Essa é uma das doenças típicas que acomete todos que viajam em feriados prolongados (o Carnaval é hoje): transitofilia. Mas nada superou uma viagem que fiz com meus pais (Ubatuba-São José), em que passamos umas dez horas na estrada (lembrando: a viagem demora duas horas e meia, três horas em dias normais). Vimos o dia morrer sem poder fazer nada.

Agora, sempre que fico presa no trânsito e vejo uma fila de carros sem fim atrás e adiante, lembro de Cortázar. Recentemente, li Todos os fogos o fogo, escrito por esse que é um dos meus contistas preferidos.

No primeiro conto, "Autoestrada para o sul", as personagens vivem a experiência de ficar três dias e três noites paradas no trânsito entre uma cidadezinha de veraneio e Paris. Ninguém explica o porquê de o trânsito não fluir, há sempre boatos de incidentes, mas nada confirmado, então as pessoas começam a se organizar em grupos: alguns ficam responsáveis por guardar a comida e a bebida e por distribui-los conforme a necessidade, outros se revezam para fazer a segurança, o carro de alguém vira uma espécie de hospital temporário. Depois de um tempo, alguns desertam: abandonam seus carros e seguem, quem sabe, a pé. A maioria, no entanto, resiste até que... bom, vocês terão de ler para saber o que acontece.

Desse livro, destaco mais dois contos: "A saúde dos doentes" e "Senhorita Cora". No primeiro, a história de uma família que gira em torno da mãe idosa e doente. Quando o filho mais novo morre em um acidente, pela saúde da mãe, os irmãos acham melhor esconder o fato e inventar mil situações, entre elas, que o filho precisou viajar ao Brasil a trabalho e logo voltaria a Buenos Aires e pedir a um amigo da família para remeter cartas mentirosamente escritas pelo falecido, do Brasil. Quando a irmã da mãe, tia dos que encenavam o tempo todo, morre, outra vez precisam esconder o fato. Não sei se a sociedade argentina é matriarcal e tudo deve girar em torno do bem-estar da "chefe" da família, mas tive essa impressão.

"Senhorita Cora" achei genial porque alterna os fluxos de pensamento de um menino internado em um hospital, o da mãe dele e o da enfermeira (a Senhorita Cora que dá nome ao título do conto). E essa mudança de fluxo de pensamento muda de uma personagem para outra na mesma linha! Nunca tinha lido nada assim do ponto de vista estrutural da narrativa e isso dá um quê a mais para o conto.

Outros contos do livro: "Reunião", "A ilha ao meio-dia", "Instruções a John Howell", "Todos os fogos o fogo" e "O outro céu".

Paguei R$ 12,90 por uma versão de bolso da Bestbolso. No começo, há um certo incômodo para ler (fonte pequena, entrelinhas mínimas, papel fino - dá para ver a impressão do verso da página), mas depois as histórias nos absorvem e esquecemos que a qualidade do suporte em que estão inseridas não é tão bom.

Seja nessa edição ou em outra, recomendo muito a leitura deste livro!

Reflexões aleatórias sobre livros

[Post manuscrito originalmente em 19 de fevereiro de 2012, na rede.]

Recentemente li um livro de literatura japonesa chamado Um grito de amor do centro do mundo, do Kyoichi Katayama. É um romance adolescente, com os toques piegas que uma obra como essa exige. A garota que o narrador-personagem ama morre (não estou "espoilando" [estragando partes-surpresa/o final da história; vem de "spoiler", em inglês], essa informação é dada nas primeiras páginas) e o livro é sobre isso, morte, dor, lembranças. A quarta capa traz a informação de que foram vendidos 3,5 milhões de exemplares dele no Japão - isso é muito. Tiragens médias, no Brasil, giram em torno de 2 ou 3 mil exemplares. A não ser quando se trata de aguardados best-sellers, as editoras não costumam imprimir, sei lá, 50 mil cópias de um livro X que elas nem sabem se as pessoas vão querer comprar. (Mas não é exatamente sobre isso que quero falar.)

Esse romance japonês me fez pensar que talvez exista um padrão implícito que impele as pessoas de uma certa cultura a consumirem determinados tipos de livros (ou produtos em geral). No caso dos japoneses, parece haver uma tendência de consumo de histórias tristes, com morte ou envolvendo memórias de guerra, sad end ou um final sem muitas perspectivas de felicidade eterna. No Brasil, parece ser o contrário, as pessoas tendem a gostar de happy end - por isso romances água com açúcar (em livros e filmes) costumam fazer tanto sucesso.
São só suposições, na verdade.

Fiquei pensando se um estudo de consumo aprofundado poderia apontar, com certeza, quais originais virariam best-sellers. Hoje em dia, tenho a impressão de que é tudo uma aposta, uma questão de sorte, quais livros vão estourar em vendas (alguns os críticos adoram, mas... não vendem). Ah, claro, às vezes a publicidade também ajuda a fazer milagres. Ainda acho mágico como as editoras fizeram o mundo inteiro acreditar que Harry Potter e Crepúsculo eram livros absolutamente incríveis e indispensáveis. COMO é que se faz crianças e adolescentes (e até adultos!) comprarem essas coisas e fazer com que virem febre? Nunca subestimo o poder da publicidade. Nunca subestimem o poder da publicidade!

Depois que comecei a trabalhar com livros, também passei a olhar a página de créditos dos livros que leio e vira e mexe leio nomes conhecidos de tradutores, preparadores, revisores, designers gráficos. "É um mundo realmente pequeno", penso.

Outra coisa que olho é o acabamento do livro. Depois de alguns dias, o "plástico" da capa de Um grito... começou a sair (!). Olhei no cólofon (na última página do livro, a parte inferior, onde geralmente tem as informações sobre fonte(s) do livro e gráfica) para saber em que gráfica o livro foi impresso. A saber: o plástico da capa não é para sair fácil! Já aconteceu isso uma vez com uma das gráficas que imprime os livros da editora onde trabalho e a capa foi reimpressa (porque a tal gráfica tem um padrão de qualidade e levam isso a sério). A entrega dos livros atrasou um ou dois dias, mas pelo menos a capa ficou perfeita. Enquanto a gráfica X, que imprimiu Um grito..., imprimiu também uma péssima impressão na minha memória. Eu não contrataria os serviços dela por falta de confiança. "Se o trabalho ficar mal-feito, eles nem vão se preocupar em refazer, não estão nem aí de os livros e o nome da editora circularem por aí de qualquer jeito", pensaria.

Outra coisa é a lombada. Já perceberam que às vezes ela é do contrário? Quer dizer, colocando o livro com a capa para cima, título e autor ficam de cabeça para baixo. São dessa forma, porque, na prateleira da livraria, estando na vertical, é mais fácil de ler. (Mas eu prefiro a lombada com o escrito sem ser de cabeça para baixo quando o livro está com a capa para cima.)

Fragmentos de Carnaval

19 de fevereiro de 2012, domingo

Agora são umas 9h da manhã e escrevo em uma rede num apartamento de praia, de onde vejo um pedaço de céu azul e nuvens, flocos brancos de algodão.
Já tomei o café, Nescau e pãezinhos doces com queijo, depois de ter dormido por quase 12 horas. Eu precisava disso. Deixei de dormir duas noites na semana que passou (trabalho) e não dormi o suficiente nas outras noites. Embora eu sempre tenha a sensação de estar perdendo tempo quando durmo, sei que dormir é preciso. Então durmo quando preciso.
A Yuri está dormindo na sala. Colocamos colchão na sala porque é o lugar menos quente do apartamento. Às vezes tenho a impressão de estarmos em fuso horários contrários, em que só os períodos da tarde e começo da noite são comuns, digamos, das 14h às 22h.
Ontem fomos nadar no mar às 18h30. Enquanto a noite caía lentamente. Enquanto as outras pessoas, os "banhistas", guardavam suas coisas e iam embora.
Não consegui acordar antes do sol para vê-lo nascer hoje. Talvez amanhã.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O que eu quero de verdade


Hoje fez exatamente um ano que entrei na Disal Editora e continuo gostando. Se depender de mim, fico por lá mais dois ou três anos.

Depois de ter passado por outras duas editoras, ainda tinha dúvidas se era isso que eu queria. Adoro ler, adoro livros, mas o ambiente nos departamentos editoriais (talvez em editoras como um todo) pode ser estressante além da conta, por inúmeros fatores. Então, havia esse dilema: amo trabalhar com livros x ambiente de trabalho infernal. Só que no último ano descobri que nem toda editora é assim. Foi uma superdescoberta. Então decidi que seguiria em frente, porque quanto mais conhecimento acumulado, experiência e formação eu tivesse, maiores seriam as chances de ir para editoras melhores, com pessoal competente. (Trabalhar com pessoas desmotivadas, sem formação técnica/intelectual e que não sabem exatamente o que estão fazendo ali é difícil.)

Sou muito grata ao editor com quem trabalho por ele ter me escolhido (hoje, por acaso, encontrei e-mails de outros candidatos que foram chamados para entrevista – houve outras pessoas interessadas e, quase certeza, com o currículo parecido com o meu). É o primeiro editor intelectual, com amplos conhecimentos humanísticos, além de conhecimentos administrativos, que me coordena. Hoje em dia não me choco mais com editores que não leem, não têm muita noção de língua portuguesa e nem muita noção do próprio negócio e nem muita noção de nada, pra falar a verdade. Vou sentir muita falta do sr. Bantim quando ele não estiver mais por perto. Um dos prazeres de se trabalhar com ele é que ele também é cinéfilo e vira e mexe trocamos impressões e indicações de filmes. Graças a ele, tenho visto filmes clássicos antigos, de quando eu não existia nem em pensamento.

A importância que cada um dá ao trabalho é pessoal. Para mim, o trabalho é e sempre foi uma parte importante da vida; preciso me sentir motivada, gostar do que faço e sentir que o que faço vale a pena – do contrário, nada faz sentido. O trabalho já foi a maior prioridade da minha vida, hoje tento equilibrar com a vida pessoal. Mas ainda sou do tipo que cancelaria uma viagem programada com amigos para um lugar maravilhoso caso houvesse algum problema com a produção de um livro e eu precisasse acompanhar o processo de perto – e sem reclamar. Dramas de se gostar muito do que faz e um privilégio: trabalhar é um prazer e não um pesar.
Se eu tivesse 21 anos, estaria cursando meu último ano de Tradução na Unesp de São José do Rio Preto, e se eu tivesse as vivências e as certezas que tenho hoje, estudaria muito e prestaria Vestibular para Produção Editorial na USP no fim do ano (são pouquíssimas vagas por ano, acho que 20) e, passando, viria para São Paulo. Eu teria uma formação mais global e mais segurança para fazer o que faço. Se um dia inventarem a máquina do tempo, quero voltar para o começo de 2002.

Atualmente quero fazer uma pós (a minha primeira - e cara - opção é um MBA em Gerenciamento de Projetos na Fundação Getúlio Vargas, vamos ver se rola esse ano!) e depois fazer uns cursos com foco em publicação de livros no exterior – vi uns em Nova York que devem ser bons e também queria estudar/trabalhar em algum país da Europa. Queria saber se lá fora o processo de produção do livro foi profissionalizado e qual a fórmula (se é que tem uma) para produzir livros com qualidade no menor tempo possível e gastos dentro do previsto.

Rapidinhas:

Entrei no ramo editorial em: fevereiro de 2009

Tempo médio de ida para o trabalho: 1h30 (metrô e ônibus)

Tempo médio de volta para casa do trabalho: 2h (ônibus e metrô)

[Gasto em média 3h30 em transporte público por dia! Mas vou lendo ou dormindo e o tempo passa rápido.]

O livro mais legal que passou por mim em 2011: A história da moda no Brasil (um livro lindo, com muitas ilustrações e fotos coloridas!)

Autores malucos? Na Disal, não. Os autores são normais. Vários dão aula em unis públicas e dominam português, idiomas ou seja lá qual for a área deles, os livros são bem escritos e eles não telefonam para falar abobrinhas nem chorar as pitangas.

Objetivo a curto prazo: conseguir freelas de tradução e revisão em qualquer área em quaisquer editoras para pagar o MBA.

Objetivo a médio prazo: voltar a trabalhar com livros internacionais e coordenação do departamento de tradução (qualquer linha de publicação).

Objetivo a longo/longuíssimo prazo: trabalhar com tradução e publicação de literatura internacional (sendo que o objetivo-mor é traduzir literatura japonesa, sem ser mangás, e literatura tcheca para o português – se eu me esforçar, sei que consigo! :).

Uma desvontade: trabalhar com livros de autoajuda, esotéricos e religiosos.

Uma dica: pra quem quer entrar ou continuar na área, paciência, dedicação e persistência.

domingo, 27 de novembro de 2011

Suspensa no tempo

Às vezes eu queria estar em outro lugar. Ser outra pessoa, outras pessoas.

Às vezes, não sempre, sinto que a minha vida está em descompasso. Parece que a vida está acontecendo e estou só assistindo. Porque queria estar antes (ou depois) do momento presente.

Às vezes parece que estou caminhando e não sei mais aonde estou indo. "É preciso se perder para se achar". Já não sei mais se acredito nisso. E se nos perdemos pra sempre sem saber que nos perdemos? Ninguém vai nos salvar.

Às vezes eu queria ir embora. Mas sei que isso não resolve. Aqui, em Roma ou em Tóquio, o que vai dentro é o mesmo.

Às vezes sinto saudades de algumas pessoas que se perderam. Egoísmo querer que as pessoas importantes e que eu adoro fiquem por perto. Elas também têm o direito de se perder no tempo e de mim.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Há quem prefira urtigas - Junichiro Tanizaki

Terminei de ler esse livro hoje, entre uma sessão e outra de cinema, e queria comentar.

Na década de 1920, no Japão, Kaname e Misako são casados, mas não vivem como casal há muitos anos, embora dividam a mesma casa, e decidem se divorciar. Existem vários conflitos na trama: entre a cultura oriental e a ocidental, entre a tradição e a modernidade, entre a aparência social e a realidade entre quatro paredes. O interessante na história é que Misako tem um amante com o consentimento do marido, que é indiferente a essa relação extraconjugal, e o marido também tem uma relação com uma prostituta - e o trato é serem discretos. Uma relação sem hipocrisias, mas bastante intrincada.

Enquanto não tomam a decisão definitiva de se divorciar, vão vivendo cada um a seu modo.

O pai da Misako, que não fica contente ao saber sobre o divórcio e a situação em que a filha vive, é casado com uma gueixa subserviente, muitos anos mais nova que ele, e gosta de teatro de bonecos - em um momento da trama, Kaname compara a companheira do sogro a uma boneca (o pior é que é verdade, é apenas uma boneca, que está sempre servindo, sempre educada e prestativa e que não demonstra vontade própria).

Esse livro me fez refletir sobre a aparência dos casamentos e relacionamentos em geral. Muitos devem estar em ruínas, mas precisam aparentar normalidade e equilíbrio.

Lembrei do que uma amiga mais ou menos uma década mais velha me disse sobre casamento e divórcio: que, apesar das várias coisas que o marido aprontava e ela descobria, ela tinha dúvidas se o divórcio era a melhor solução; ela se deu um tempo para saber se o casamento ia afundar de vez ou se tinha jeito de melhorar - porque ela achava que ia melhorar. Mas acabou se divorciando mesmo. Comentei que se o cara fizesse o que fez com ela, eu pediria o divórcio e pronto. Ou, talvez, um dia ele ia chegar da rua e ia encontrar um bilhete de despedida em cima da mesa - eu ia pegar minhas coisas e ia embora. Simples assim. Claro que eu conseguiria fazer isso. Sou mais movida a razão do que a emoção. E não entendo isso de as mulheres (principalmente) se deixarem humilhar em nome do "amor" (que, se fosse amor de verdade, não humilharia, faria crescer). "Eu amo, logo fico burra, me permito ser humilhada e faço de tudo para ficar com Fulano." Que que é isso?!?! Amor-próprio manda lembranças.

Recomendo a leitura. Para casados, não casados e descasados.

Ensina-me a viver - a peça

Semana passada fui ver a peça "Ensina-me a viver", com a Glória Menezes.

A Lu tinha recomendado e a Sol Y. convidou - ela ia com vários amigos da editora onde ela trabalha -, então topei. Queria ver a peça e aproveitei a oportunidade.

Vi, me decepcionei, e fiz alguns comentários negativos no Twitter. Aí aconteceu algo que eu não esperava: o ator Arlindo Lopes Jr., que interpreta o protagonista, respondeu, pedindo para eu explicar o que seria "entretenimento tipo Globo" (eu comentei algo assim), porque ele não fazia parte do casting da Globo, ele fazia teatro. Fiquei meio constrangida porque a crítica não era diretamente para ele, mas sobre a peça como um todo. Trepliquei o tweet dele, explicando, mas ele deve ter ficado chateado.

O que eu esperava: uma peça leve, misturando drama e comédia, de um jeito inusitado, inteligente, já que a peça era sobre o romance entre um jovem depressivo de vinte e poucos anos e uma mulher de 80, cheia de vida.
O que eu vi: muito mais comédia forçada que drama e personagens caricatos (a mãe do Harold, o policial e o ajudante do policial eram irritantes...)

A maioria das pessoas gostou. Tinha um casal lá que assistia à peça todo fim de semana desde que ela estreou (há quatro anos). Me senti constrangida porque em várias cenas em que o público se matava de rir, eu não conseguia achar graça. Gosto é gosto mesmo! E não se discute. E, infelizmente, não faço parte da maioria.Os atores são bons, o cenário e o figurino eram lindos, mas... eu não gostei. Esperava mais.

Depois de ver "Depois da Chuva", "12 homens e uma sentença", "Dueto para Um", "Cabaré Luxúria" (comédia, com humor inteligente!! vi duas vezes) e "A lua vem da Ásia", fica difícil gostar de qualquer coisa. Ou talvez eu esteja sendo rígida demais em criticar tanto, não sei. A peça cumpre o papel a que se propõe: entretenimento. Algumas pessoas vão ao teatro apenas para se entreter, rir e esquecer os problemas e não há nenhum problema nisso.

Enquanto assistia à peça, lembrei de algumas falas de amigos de alguma forma ligados ao teatro: "Tenho pavor de peças com atores conhecidos, o público fica retardado e aplaude qualquer coisa", "Não vou ao teatro para me entreter, teatro tem que oferecer algo mais" (ainda bem que não chamei essa pessoa para ver essa peça, ela ia querer me matar), "É muito difícil fazer o público rir".

Para balancear o meu "fora" sobre essa peça no Twitter, de bom, o Adão Iturrusgarai (cartunista criador da "Aline", uma garota que tem dois namorados, entre outros) respondeu a um tweet meu sobre uma ilustração dele que saiu na capa do Guia Folha de sexta passada (o editor sempre me dá esse Guia para eu fazer meus programas culturais no fim de semana :). Adoro Adão.

35ª Mostra Internacional de Cinema

Amanhã (hoje, dia 03/11) termina a 35ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que começou no dia 21/10. E eu não consegui ver todos os filmes que queria (uns cem haha).

Vi 11 filmes da Mostra esse ano:

- Belleville Tóquio (França) [detestei]
- Olhe para mim de novo (Brasil) [razoável]
- Frango com Ameixas (França) [muito bom]
- Kaidan Horror Classics (Japão) [não gostei muito]
- A Lenda da Fortaleza Suran (Rússia) [não gostei]
- O céu sobre os ombros (Brasil) [achei fraco]
- Novo Mundo (Japão/China/Malásia) [esperava mais]
- Dieci Inverni (Itália) [gostei muito]
- Olhando Espelhos (Irã) [muito bom]
- Animal Sagrado (Azerbaijão) [gostei]
- A casa (República Tcheca) [gostei]

E, para encaixar os horários, acabei vendo mais dois filmes nacionais que não faziam parte da Mostra:

- Trabalhar Cansa [gostei muito e recomendo!]
- O Palhaço [razoável]

Aos poucos vou comentando os filmes que, para mim, valeram a pena!