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sábado, 15 de julho de 2017

Cinco meses depois e continuo viva

Já se passaram cinco meses desde o meu último post.

Tentei escrever esse post mentalmente várias vezes, para depois ficar mais fácil quando viesse aqui - em vão. Não sabia o que dizer e nem se havia algo significativo a dizer.

Bom, vou resumir o que aconteceu nesse tempo em que estive ausente: 

A cirurgia em fevereiro correu bem. Meus pais estavam muito apreensivos; eu estava muito tranquila. Me passou pela cabeça várias vezes que eu poderia morrer na mesa de cirurgia ou por complicações posteriores, mas concluí que, se isso acontecesse, seria um alívio, pelo menos eu não precisaria mais me preocupar com absolutamente nada, o que me dava uma sensação de paz incrível, por outro lado, eu queria sobreviver porque preciso conhecer Tóquio e Praga e também fazer aquela oficina literária em Porto Alegre. Acontece que a cirurgiã, a dra. Beatriz, é excelente, tudo correu bem, e ela vai ser minha médica para sempre - vou precisar consultá-la de tempos em tempos para ver se está tudo bem.

A recuperação da cirurgia foi um pouco difícil, porque fiquei pelo menos umas duas semanas sem conseguir falar nem comer direito (por causa dos pontos na língua, que foi cortada para a retirada do tumor). Agora já estou comendo quase tudo e falando normalmente.

Antes da cirurgia, só lembro de uma médica auxiliar colocando a máscara de oxigênio em mim e da picada do anestesista, depois foi como se eu tivesse morrido por algumas horas. Não lembro de nada. Só lembro que, ao voltar da anestesia geral, em uma sala para recuperação pós-cirúrgica, eu estava literalmente trincando os dentes de frio e com vontade de fazer xixi. Me perguntava por que ninguém me dava mais cobertores (eu estava com um, mas parecia estar completamente nua no Polo Norte) e sussurrei para a enfermeira que precisava ir ao banheiro, ela não entendeu, aí falei: "xixi", ao que ela respondeu que ali não havia banheiro e que me traria a comadre - um tipo de penico grande. Ela baixou minha calcinha descartável, colocou a comadre embaixo do meu traseiro e demorei para fazer xixi ali, por mais que estivesse apertada. Mas uma hora saiu. Que alívio.

Uma semana depois da cirurgia voltei ao consultório da dra. Beatriz e ela disse que eu precisaria fazer 30 sessões de radioterapia "preventiva" e avisou que isso seria muito mais difícil que o período pós-cirúrgico. Confesso que não levei muito a sério, porque o período pós-cirúrgico já estava sendo muito ruim. Não sabia como a radioterapia poderia ser pior. (Mas foi.)

Entre o período de recuperação da cirurgia e o início da radioterapia, tive uma semana sossegada - até comi um hambúrguer no Sujinho quando quase todos os meus pontos da língua haviam caído! E as duas primeiras semanas de radioterapia também foram muito tranquilas, depois as coisas começaram a piorar. Um dia, depois do trabalho, quando fui comer um pão de queijo, parecia que tinham esquecido de colocar sal nele. No dia seguinte, perdi o paladar, o que foi bem bizarro (aliás, até agora, quase não sinto o gosto das coisas - mas, segundo as médicas e dentistas, o paladar vai voltar). Na terceira semana, começaram a aparecer as mucosites na boca e na língua - umas "aftas" que depois ficaram gigantes e muito doloridas, mas a dentista e as médicas já haviam dito que isso aconteceria e era normal -, além de uma dor de garganta que não passava. Depois disso as coisas foram ficando cada vez piores até se tornarem um pesadelo. Tinha dias em que eu não conseguia comer nada e mal bebia água (qualquer coisa que passasse pela garganta parecia uma lâmina da Gilette, sem exageros). A semana mais assustadora foi quando perdi cinco quilos. A médica oncologista que acompanhou meu tratamento receitou corticoides, entre outros medicamentos, para aliviar a dor e para eu parar de perder peso, mas tinha hora em que eu só queria morrer para não sentir mais nada.

Durante o período da radioterapia, que durou quase dois meses, a Yuri me levava para o hospital e depois para a dentista, onde eu fazia sessões de laserterapia, que amenizavam os efeitos da radiação - ou vice-versa: primeiro íamos à dentista e depois ao hospital. As sessões de rádio eram de segunda a sexta, menos nos feriados e quando a máquina quebrava ou dava algum outro problema. 

No fim do tratamento, tinha emagrecido quinze quilos, o que foi ótimo, considerando que eu queria e precisava perder vários quilos mesmo. Foi uma das únicas coisas boas que aconteceram nesse período. Agora me sinto melhor, mais bonita, mais saudável e não "deformada" pelos quilos a mais - quando me olhava no espelho, era assim que me sentia: deformada. E, com isso, também recuperei MUITAS roupas que não estavam servindo, até uma calça 38 (nem acreditei), o que me deixou feliz, pois agora vou ter mais opções do que vestir sem precisar gastar.

Ainda sinto os efeitos da radiação, como um pouco de dor de garganta às vezes e um leve enrijecimento do lado esquerdo do pescoço, perto da cicatriz (como a dra. Beatriz fez um corte para retirar os linfonodos, porque não dava para saber se o câncer da língua havia se espalhado, fiquei com uma cicatriz temporária de uns 20 centímetros que começa atrás da orelha e desce até o meio do pescoço - no fim, os linfonodos estavam limpos, a doença não havia se espalhado). Segundo a médica, depois essa cicatriz vai sumir, mas não posso tomar sol sem protetor solar ou lenço/ cachecol, para não ficar com a marca da cicatriz. Preciso dizer que a dra. Beatriz fez um ótimo trabalho no "acabamento final", deve ter usado alguma técnica de cirurgia plástica, porque a cicatriz não parece uma cicatriz do Frankenstein. Acho que as pessoas se impressionam quando batem o olho no meu pescoço, porque a cicatriz é grande, mas não me incomodo quando me olho no espelho. E se a cicatriz fosse permanente, não ficaria deprimida nem nada. Afinal, cicatrizes fazem parte da vida, certo? Algumas são aparentes, outras, não.

De importante, semana passada formalizei minha saída da editora. Faltam algumas burocracias, mas o principal está feito. Me senti grata pelo fim de um ciclo, e também feliz e aliviada, porque agora vou ter um tempo para mim, para poder pensar, fazer o que quero, aprender coisas novas, me reestruturar e renascer de alguma forma.

Os últimos meses foram estranhos, como se eu estivesse num mundo paralelo. As pessoas continuavam a viver suas vidas, a fazer o que precisava ser feito, trabalhar, estudar, se divertir, namorar, enfim, coisas triviais que compõem a vida de uma pessoa normal, enquanto eu estava vivendo no meu próprio tempo, sendo irradiada, suportando dores, querendo morrer, querendo viver, querendo parar de sentir, mas consciente de que o que eu estava vivendo naquele momento, mais tempo, menos tempo, seria passado.

Para passar o tempo e talvez para suprir minha fome (por semanas, senti meu estômago roncar várias vezes ao longo do dia e vivi em estado de fome constante, embora não conseguisse comer quase nada), vi muitas séries gastronômicas e documentários relacionados à comida na Netflix. Alguns documentários eram sobre a influência da alimentação na qualidade de vida das pessoas e como a falta de tempo nos faz comer um monte de porcarias industrializadas, basicamente gordura, sal e açúcar, calorias vazias de nutrientes. A partir daí, decidi preparar refeições mais saudáveis e, assim que me recuperei, coloquei esse plano em prática. Também decidi adotar uma alimentação mais vegetariana e comer algum tipo de carne, no máximo, uma vez por semana. Lembrei que quando era adolescente tentei ser vegetariana, mas como era minha mãe que cozinhava, era difícil, parecia "frescura" minha, fora ouvir os absurdos que as pessoas me falavam, que eu ia ficar doente se não comesse carne, que era idiota da minha parte ter dinheiro para comprar carne e não comer carne e coisas desse tipo (fato: a ignorância e a falta de respeito das pessoas não têm limites). Acho que instintivamente, já naquela época, eu sabia o que era melhor para mim. Só que agora é diferente: eu cozinho e posso fazer escolhas melhores. Além da alimentação, agora tenho tempo e ânimo para fazer minhas caminhadas, então estou tentando caminhar todos os dias mais ou menos duas horas por dia. Queria emagrecer mais uns quilos, mas preciso dar um tempo para o meu organismo se recuperar totalmente da radiação primeiro.

Se a minha visão de vida mudou por conta do câncer? Acho que sim. A proximidade da morte me fez pensar mais na vida. E já que continuo viva, vou cuidar melhor de mim e ir atrás do que importa, vou tentar aproveitar o tempo que me resta da melhor forma e ser feliz como for possível. Senti isso tudo como um "chacoalhão" para acordar. Eu estava me esgotando mental e fisicamente por coisas sem sentido, mas agora chega, já entendi, vou mudar a rota - e o ritmo. Vou tentar encontrar o caminho do meio e prestar atenção para não me perder de novo.


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

"Estou com câncer, me paga um sorvete?"

Descobri que estou com um carcinoma, um tipo de câncer, na língua no fim do ano passado. Uma consulta médica no começo desse ano confirmou o resultado da biópsia, o médico me orientou a procurar hospitais especializados em tratamento de câncer, e é isso.

Não sei se minha mente estava tentando me distrair da seriedade do problema, mas uma das coisas em que pensei logo após o diagnóstico foi: queria ver a reação das pessoas se eu chegasse perto delas e falasse "Estou com câncer, me paga um sorvete?" [Porque todas as minhas economias foram gastas com tratamento e não tenho mais como comprar as coisas que eu adoro...]. Seria engraçado ver o choque estampado na cara de estranhos... que provavelmente me pagariam um sorvete.

Não sou muito de chorar e de ficar me lamentando, mas chorei um dia, porque pensei que fosse morrer logo. E o pior não era o fato de morrer, era o fato de morrer sem ter feito quase nada do que eu realmente queria na vida - isso, sim, seria trágico. Não tenho medo de morrer, mas queria viver um pouco mais para sentir que minha vida valeu a pena.

Resumindo tudo, consultei alguns médicos, fiz vários exames e, por sorte do destino, um colega de trabalho indicou a médica com quem ele tinha se tratado do mesmo problema. Acompanhada dos meus pais e da Yuri, fui para a consulta no fim do mês passado, gostei muito da médica, senti confiança e empatia. Nessa mesma consulta, decidimos marcar a cirurgia para extrair o tumor e fazer o "esvaziamento cervical" ("limpeza" de linfonodos na área do pescoço para evitar que a doença volte ou se espalhe, pelo que entendi) para amanhã. 

Para piorar meu estado de ânimo, dia 17/01 saiu o resultado da oficina literária que eu queria fazer em Porto Alegre e fui selecionada... só que logo me dei conta de que eu não teria condições de ir para lá esse ano. Chorei de novo. Foi uma das coisas mais frustrantes da minha vida e senti um profundo desalento porque esse ano não ia ser nem um pouco como eu havia planejado. Amigos sugeriram que eu perguntasse se não seria possível reservar a vaga para o ano que vem, dadas as circunstâncias. A assistente do professor foi superlegal e conversou com ele - e minha vaga ficou reservada para o ano que vem (vou agradecer muito a ela pessoalmente depois). Aí quero ficar boa logo e fiquei desejando que esse ano passe logo também.

Coincidentemente, alguns meses antes de receber o resultado da biópsia, eu tinha A lição final, de Randy Pausch, baseado em sua última palestra na Carnegie Mellon University, onde ele era professor. Randy foi diagnosticado com câncer (dez tumores no fígado) e só tinha mais alguns meses de vida. Ele era casado e tinha três filhos pequenos. Como planejar os últimos meses de vida sem se deixar abater?, eu ficava pensando durante a leitura.


Lembrei dele ao ter mais consciência da minha doença. O que eu faria se tivesse mais seis ou sete meses de vida? E por que não fiz nada disso ANTES? 

Primeira grande lição do ano e para a vida: não tenho controle de nada. Tudo que eu quiser fazer e sentir que vale a pena, preciso fazer o mais rápido possível. O amanhã é só uma promessa. Ou, nas palavras de Randy Pausch:

Pergunte a si mesmo: está gastando tempo com as coisas certas? Talvez você tenha causas, objetivos, interesses. Eles merecem seu esforço?

Apesar de ter lido artigos afirmando que alguns pacientes "jovens" (estou com 36 já) morriam entre dois e cinco anos após o diagnóstico, os médicos disseram que as chances de cura, no meu caso, são grandes, apesar de não haver muitos estudos ainda. É que o carcinoma é mais comum em homens acima dos 60 anos que fumam e bebem. Os médicos disseram que isso pode ter sido desencadeado por estresse/ baixa imunidade, mas que não dava para saber ao certo.

Não sei quanto tempo ainda vou viver, mas a perspectiva de que o ano que vem será melhor do que esses últimos me dá ânimo.

Assim que possível vou atualizando este blog.


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Bullguer, para devoradores de hambúrgueres

Ontem eu e a Yuri voltamos ao Bullguer porque estávamos com vontade de hambúrguer e também da limonada especial com frutas vermelhas (!). Agora essa é uma das minhas hamburguerias preferidas - a outra é a Hamburgueria do Sujinho

Apesar da lotação (ontem a filial da Vila Nova Conceição estava muito lotada, mesmo perto da hora de fechar; e no outro dia em que fomos, uma terça ou quarta, também não havia mesa), vale a pena. Ontem e no outro dia, o pedido para viagem demorou uns 20 minutos para ficar pronto.

No outro dia provamos um hambúrguer chamado Stencil (pão, carne, queijo, cebola roxa, tomate, alface e molho), que é maravilhoso. Ontem provei o Uovo (pão, carne, queijo, ovo e maionese), a Yuri pegou um Lumberjack (pão, carne, queijo, bacon, picles e molho) e dividimos um Chicks (pão, frango, queijo, cebola roxa, alface e maionese). Também pedimos uma porção de batata frita, que vem em formato de Cheetos requeijão temperada com páprica (eu dispensaria essa páprica) e acompanhada de maionese e limonada com frutas vermelhas.

Uovo com fritas e maionese no potinho 

Close nas fritas com páprica 

Lumberjack

Chicks 


 Limonada com frutas vermelhas

Gostei muito do meu Uovo, a Yuri gostou muito do Lumberjack (é mesmo muito bom!) e o Chicks que dividimos achamos mais ou menos (em certo ponto, achei que tinha um pouco o gosto do McChicken!). Acho que os hambúrgueres de carne são o forte lá - por isso provavelmente nem vou provar o hambúrguer de peixe. 

O problema da batata frita com páprica é que o tempero deixa a batata mais salgada do que eu gostaria, por isso dessa fez só pedimos uma porção. A maionese que a acompanha é ótima.

Essa limonada é - NOSSA! -... sem palavras! Vem com pedaços de frutas vermelhas e, às vezes, com framboesas inteiras.

O preço médio do hambúrguer é de R$ 20 (um pouco abaixo da média, considerando os preços em São Paulo) e acho que vale a pena.

A única coisa que não entendi é por que a atendente de ontem queria cobrar a taxa de serviço de 10%, sendo que o pedido era para viagem. Perguntei se a taxa era obrigatória, ela disse que não, então respondi que preferia não pagar - pois é, mão de vaca mode on. É que nunca, jamais, em toda a minha existência, vi um lugar cobrar taxa de serviço quando a pessoa vai pegar comida para viagem, além da taxa de embalagem! Fora isso, recomendo muito o lugar. E para quem, assim como eu, não tem paciência para esperar sabe-se lá quanto tempo por uma mesa, a opção "para viagem" é a melhor.

domingo, 8 de janeiro de 2017

2017, finalmente!

Acho que passei por um certo tipo de bloqueio de escrita no último mês, mas estou de volta.

Tive vontade de escrever sobre milhares de assuntos desde meu último post, mas fui adiando, adiando. Talvez porque escrever publicamente sobre trivialidades e vivências e coisas que vi e li às vezes não faz sentido. Ainda mais que paralelamente mantenho um diário de papel em que às vezes escrevo coisas impublicáveis aqui. Mas depois continuar mantendo este blog volta a fazer sentido; fico pensando que pelo menos vou ter um registro on-line para saber como eu era, o que estava fazendo e o que pensava e sentia no futuro. Aliás, mês que vem vai fazer dez anos que comecei esse blog e, quando leio posts daquela época, tenho a sensação de estar em outra encarnação de tanto que minha vida mudou.

Estou de férias desde o dia 19/12 e, na primeira semana, o que mais fiz foi DORMIR, já que, ao longo do ano, devo ter dormindo, em média, quatro ou cinco horas por dia. Dois mil e dezesseis foi um dos anos mais puxados e pesados da minha vida - exigi bastante de mim e infelizmente precisei abrir mão de alguns planos por falta de tempo e de ânimo (das caminhadas, por exemplo, que consegui fazer só até meados de julho). 

Sempre tenho em mente que é preciso se esforçar muito para conquistar o que se quer, porque nada vem de graça ("nem o pão nem a cachaça"), então continuei me esforçando. Trabalhei, fiz frilas, não desisti do curso de tradução nem do MBA, tentei cozinhar e ler mais. Também refleti bastante e me angustiei muito ao concluir que metade da minha vida já passou e que tenho só mais uns trinta e cinco anos para "resolver a minha vida", ou seja, estabelecer quais são as metas mais importantes, o que é significativo de verdade, planejar tudo muito bem, juntar dinheiro para dar entrada num apartamento e poupar para a aposentadoria, e mudar o que for necessário o mais rápido possível. 

No fim do ano passado, me consultei com uma otorrino, que fez uma biópsia da minha língua e receitou vitaminas e um remédio. Provavelmente terei de passar por uma cirurgia por conta de um problema que tive há uns dez anos e reapareceu. Volto a me consultar no dia 10, com outro médico. Estou me preparando psicologicamente para a cirurgia, para ficar sem falar por semanas e tomar só sopa, vitamina e sorvete, como da outra vez.

Passei o Natal e o Ano-Novo em São Paulo mesmo, porque minha batian (avó) está de cama, muito doente, então não teve comemoração. Eu e a Yuri fizemos salmão com limão-siciliano; maionese; salada de salsão, nozes e maçã com molho de iogurte e hortelã; arroz "especial" (uma mistureba!); tender assado no molho de laranja com molho de laranja, mel e gengibre (vi a receita aqui e gostei do resultado). Também abrimos um espumante que compramos no Rio Grande do Sul há uns dois anos - e que depois misturei com guaraná e maçã picada para ficar mais palatável e menos alcoólico.

Também vi bastante Netflix, todo tipo de filme e documentário (ontem vi Blackfish, sobre orcas aprisionadas para entretenimento, e não consigo parar de pensar nisso até agora) e li alguns livros do fim do ano para cá, embora não tenha conseguido ler toda a meta que estabeleci no Skoob, ou seja, 165 títulos para 2016 (rá!). Apesar disso, li quase cem livros/ HQs, incluindo títulos que não estavam na meta inicial. Os livros que não li passaram automaticamente para a meta de 2017 - bem prático! Esse ano quero ler tudo que não consegui ler ano passado e mais alguns.

Ainda estou com pendências do tipo terminar os trabalhos de tradução do fim do curso da Casa Guilherme e responder e-mails de amigos ou mandar e-mails para amigos com quem não falo há bastante tempo - pretendo fazer isso na semana que vem, minha última semana de férias.

Algo que me deixou muito feliz foi conseguir separar muitos DVDs e livros que não quero mais, anunciar no Mercado Livre e vender vários desses produtos. A mágica da arrumação, da Marie Kondo, me ajudou a ter essa consciência de que preciso me livrar dos excessos de coisas materiais para me organizar e viver melhor. Estou lendo o segundo livro dela, Isso me traz alegria, e aprendendo um pouco mais sobre organização. Minha gaveta de meias continua organizada, o que, para mim, é uma prova de que o livro da Marie funciona. O melhor de tudo é a sensação de estar me livrando de coisas que não fazem mais sentido ou não têm mais valor para mim e ainda ganhar dinheiro com isso. É ótimo poder recuperar uma parte do dinheiro que gastei e que, teoricamente, já estava "perdido". Ainda não anunciei os móveis, a geladeira, o fogão e outras coisas grandes do meu apartamento, mas já consigo antecipar a sensação de satisfação quando conseguir vendê-las. Amanhã vou lá para tirar foto e depois trabalhar nos anúncios. Viva o desapego! E minha conta bancária agradece.

Acho que por enquanto é isso.

Volto depois com posts supostamente mais interessantes.

Ótimo 2017 para nós! :)

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Um violinista no metrô

Segunda-feira é quando a fita da semana é rebobinada e a rotina de trabalho recomeça. Por isso muita gente sente um certo desânimo e, dependendo do caso, talvez até desespero.

Para mim, o dia foi mais ou menos comum, exceto pelo detalhe que conto no último parágrafo. 

Tirei essas fotos enquanto passava pela avenida Paulista na volta do trabalho (sempre muitos carros e muitas pessoas na hora do rush):




Para tirar essas fotos, usei o celular Samsung S4 que o editor não usava mais e me deu. Não contei, mas semana passada roubaram meu celular Motorola X Play, que ganhei num concurso cultural da Fundação Dorina Nowill, no ônibus, enquanto eu ia para o trabalho. Fico pasma com a ousadia da pessoa: mexer na mochila que estava no meu colo enquanto eu dormia. Acho que foi uma loira gorda que estava sentada do meu lado quando acordei, mas não posso afirmar nada. Fiquei chateada porque era um presente, mas como não sou apegada a aparelhos eletrônicos, me conformei rápido. Dei pela falta do celular quando cheguei na editora, e o mais desesperador foi constatar que eu não conseguia entrar na minha conta de e-mail do Gmail. Enquanto pensava em como recuperar minha conta, liguei para a Claro e para a Vivo para bloquear os chips e o celular. Depois consegui resolver o problema da conta do Google, troquei a senha do e-mail e de todas as redes sociais e encontrei uma opção na conta do Google que dava para apagar todas as informações do celular em modo remoto e bloqueá-lo (teoricamente a pessoa não conseguiria sair da tela inicial, que configurei para aparecer a mensagem: "Para devolver este celular, ligue para XXXX"). Não sei se funciona, mas pelo menos psicologicamente funcionou, porque não fiquei paranoica com o fato de alguém querer usar minhas informações pessoais para fazer coisas ilegais ou contra mim (embora eu não faça nudes nem participe de grupos de putaria). Não vejo a hora de não precisar mais pegar esse ônibus.

Mas, voltando ao assunto, a segunda-feira estava sendo como qualquer outro dia, até eu pegar o metrô na estação Paraíso. Na estação seguinte, entrou um cara e falou algo do tipo: "Boa noite a todos. Desculpe atrapalhar a viagem de vocês, mas só queria mostrar o meu trabalho. Prometo que vai ser rápido, porque não quero atrapalhar muito". Achei que ele fosse cantar uma música sertaneja (não sei por que pensei isso) e devo ter feito uma fisionomia apática. Mas, para a minha surpresa, e talvez de todos os outros passageiros, o cara começou a tocar vi-o-li-no! Tocou uma música conhecida que agora não lembro e o som era muito bonito. Depois de alguns minutos, um rapaz que estava com ele começou a andar pelo vagão com a maleta do violino aberta arrecadando uns trocados enquanto o violinista continuava tocando. Dei R$ 2. Outras pessoas também contribuíram com notas e moedas. No fim, quando a estação seguinte se aproximava e o violinista e seu ajudante se preparavam para descer, todo mundo bateu palmas. Foi o momento mágico do dia.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Domingo e segunda com labuta e comida

Domingo foi bem sossegado, fiquei trabalhando em casa com pausas para almoçar e jantar.

Eu e a Yuri fomos almoçar em um restaurante vegetariano e vegano chamado Flora, que fica entre as estações de metrô Praça da Árvore e Saúde.





No domingo há as opções "preço único" (R$ 32,90), que inclui comida à vontade, suco e sobremesa ou "por quilo" (nos outros dias da semana só há opção por quilo). Sempre pego comida por quilo, porque sai bem mais barato, mesmo com a sobremesa. É um restaurante prático porque é perto de casa, abre aos domingos e tem comida saudável. Vamos lá com uma certa frequência, sempre que não podemos ou queremos cozinhar.

No jantar fomos comer no TemakiYa. Escolhi o de sempre, um "temakão" (deve ter uns 20 cm) e banchá. A Yuri pegou um temaki e um combo com sushis e sashimis - e eu comi os dois hot rolls que vieram nesse combo porque ela não gosta.


Gosto do TemakiYa (vou sempre na unidade da Vila Mariana, que é a mais perto da Saúde) por causa do temakão, entre outras várias opções, e também porque fecha bem tarde. Sexta e sábado fecha às 5h da manhã e domingo, às 2h. É uma boa opção na madrugada.

Hoje fomos pegar comida no SukiYa porque eu queria muito tomar um matchá (chá verde) com leite e também porque precisava trabalhar e preferi não cozinhar - infelizmente acho que só volto a cozinhar regularmente quando entrar de férias, ou seja, depois do dia 17/12. Peguei um gyudon (carne cozida com shoyu e cebola + arroz branco) com queijo e uma porção de batata frita e a Yuri, um teri-mayo don (frango, ovo cozido, maionese + arroz branco). No site dá para ver o cardápio com fotos e preços. Em termos de custo-benefício, vale a pena.

Nota mental: preciso aprender a fazer machá com leite.

Quando chegamos no prédio, o porteiro avisou que havia um pacote para retirar. Era uma das compras meio impulsivas que fiz na Black Friday, livros que quero ler mas não eram tão urgentes: O gigante enterrado, do Kazuo Ishiguro; Mosquitolândia, do David Arnold; A vida do livreiro A. J. Firky, da Gabrielle Zevin.


domingo, 4 de dezembro de 2016

Sobre tradutores estrangeiros que traduzem literatura brasileira

Acabei não indo para a aula do MBA ontem de manhã, como havia planejado, por falta de vontade - como já escrevi antes, está muito difícil levar esse curso a sério. E também porque fiquei com dor de barriga. Na verdade, talvez tenha sido psicológico: fiquei com dor de barriga justamente para não ir para a aula, ter uma justificativa plausível e não me sentir tão culpada. A aula da parte da manhã era de fundamentos de marketing e a da tarde, de assessoria de imprensa. Isso porque já fizemos um trabalho de planejamento de marketing há algumas semanas e, segundo uma colega: "Sim, porque faz muito mais sentido a gente fazer um trabalho sobre a coisa e só depois ter aula para saber o que é essa coisa". Humor: temos. Ironia: também.

Então dormi um pouco mais, trabalhei na versão do roteiro (o novo prazo agora é humanamente possível de ser cumprido, então topei fazer e estou muito contente! :) e à tarde fui assistir ao debate sobre tradução de literatura brasileira na Casa Guilherme de Almeida, o ponto alto do meu sábado.

Os tradutores Mark Gamal, Katrina Dodson e Ana Kuzmanovic

Havia poucas pessoas na palestra, só umas sete ou oito. Esperava que fosse lotar porque raramente temos a oportunidade de ouvir tradutores estrangeiros falando sobre a experiência de traduzir literatura brasileira de forma presencial. Os três tradutores, entre outros, foram contemplados com uma bolsa do Programa de Residência de Tradutores Estrangeiros no Brasil e vão ficar entre 15 e 30 dias no país fazendo pesquisas para desenvolverem ou finalizarem suas traduções. É uma forma de o governo brasileiro apoiar e divulgar obras brasileiras no exterior.

Mark Gamal é egípcio, mora em Beirute, no Líbano, e traduz do português e do espanhol para o árabe, Katrina Dodson é americana e traduz do francês e do português para o inglês (ela traduziu Clarice Lispector - Todos os contos para o inglês!) e Ana Kuzmanovic é sérvia e traduz do espanhol e do português para o sérvio. E imagino que o Mark e a Ana também falem inglês.

Primeiro a Simone Homem de Mello, coordenadora do Centro de Estudos Literários, que também é tradutora de alemão e poeta (e cuja voz é muito agradável), leu alguns trechos das obras com que os tradutores estão trabalhando e depois eles leram suas traduções.

Katrina Dodson está traduzindo Macunaíma, de Mário de Andrade. Ela está mantendo algumas palavras em tupi e tentando encontrar soluções para que leitores de língua inglesa sintam o mesmo estranhamento que leitores sentem ao ler a obra original. Ela contou que está trabalhando com um "roteiro", em que há explicações sobre os termos usados em português, está em contato com professores da USP e foi assistir a uma aula de tupi. Contou também que propôs à editora lançar o livro e o DVD do filme juntos e tem expectativa de que o livro alcance um público maior, não só o acadêmico, porque a editora que vai lançá-lo não é acadêmica. Ela quis traduzir essa obra porque a única tradução para o inglês, feita nos anos 1980 por um engenheiro inglês aposentado que morou no norte do Brasil, não está boa e também porque, como ela dá aula de literatura brasileira, ela queria que seus alunos lessem essa obra.

No fim da palestra, alguém fez uma pergunta que eu ia fazer: como os três se interessaram pela língua portuguesa e pelo Brasil. A Katrina contou uma história muito interessante, que parece ter sido um divisor de águas na vida dela. Há sei lá quantos anos, ela trabalhava com comunicação e marketing para empresas da área farmacêutica, era um trabalho muito chato, mas que pagava bem. Nessa época, ela e o namorado (que, fiquei imaginando, também devia ter um emprego chatíssimo) estavam pensando em morar em outro país. Ela queria ir para a França, porque falava francês e ele queria vir para algum país da América Latina, porque falava espanhol. Mas quis o destino que um amigo do namorado chamasse os dois para vir para São Bernardo do Campo, para conhecer o Brasil, e eles vieram. Um dos primeiros lugares que a Katrina viu foi a Praça da Sé, achou horrível, mas depois ela e o namorado foram para o Rio, fizeram um roteiro de turista e ela passou a gostar do Brasil. Então ela deu um jeito de vir morar por aqui por um tempo, arranjou emprego como professora de inglês e se matriculou em algumas matérias na PUC-Rio para conseguir um visto de estudante, mesmo sem falar quase nada de português. A partir dessas aulas e do contato com outros alunos, ela passou a se interessar muito pela literatura brasileira e queria compartilhar as descobertas com amigos americanos, mas era impossível porque a maioria das obras não tinha tradução para o inglês. Imagino que, a partir daí, a jornada dela como tradutora tenha começado. Acho incrível essas pessoas que abraçam as oportunidades que surgem meio que por acaso e aproveitam para tornar suas vidas mais significativas.

Mark Gamal está traduzindo alguns contos do Machado de Assis para uma editora egípcia que está tentando montar um catálogo com obras clássicas. Ouvimos um trecho de "Entre santos" em português e depois a tradução para o árabe; não consegui entender uma palavra, mas gostei da sonoridade da língua. O Mark contou que chegou ao Brasil essa semana e ainda não teve muito tempo de pesquisar, mas foi à igreja São Francisco de Paula, no Rio, onde o conto lido se passa, e isso foi importante para ele entender melhor a ambientação e conseguir passar para o árabe coisas que não existem em sua cultura. Ele disse que não tinha muita ideia do que era "nicho", aquele lugar onde os santos ficam, mas ao visitar a igreja, entendeu. Ele disse que está usando um aplicativo chamado "Rio de Machado" para ajudá-lo a fazer itinerários relacionados ao mundo machadiano.

O Mark contou que seu contato com a língua portuguesa aconteceu porque ele arranjou um emprego na embaixada brasileira no Egito e, como já falava espanhol, passou a aprender português. Ele falou algo interessante: talvez tenha começado a aprender idiomas estrangeiros para expandir seu mundo linguístico (e sua visão de mundo em geral), pois a língua árabe é relativamente "limitada", não evoluiu muito nos últimos séculos no sentido de agregar palavras e ideias, ou seja, não é dinâmica comparada a outras línguas.

A Ana Kuzmanovic está traduzindo As meninas, da Lygia Fagundes Telles. Esse livro integrará o catálogo de uma editora nova e, a meu ver, inovadora, pois pretende publicar obras feministas. Além de a Ana ter conseguido esse apoio para vir ao Brasil, a publicação do livro terá apoio do governo brasileiro. Ela já foi conhecer alguns lugares em São Paulo, onde a obra se passa, e contou que o Museu da Resistência mudou sua perspectiva, pois ela não tinha ideia da dimensão do período da ditadura, que é o pano de fundo da obra da Lygia. Contou também que a maior parte dos livros na Sérvia são traduzidos do inglês, francês e russo e há pouca produção de autores sérvios. 

A Ana já sabia espanhol, ganhou uma bolsa de estudos em Portugal e talvez por isso tenha se interessado em aprender português (o sotaque dela é de português de Portugal). Ela disse que quando as editoras precisam ou querem traduzir obras do português recorrem às universidades (ela é professora universitária) e têm três ou quatro opções de tradutores, pois o português não é uma língua que muitas pessoas dominam em seu país, então ela disse que está bem colocada no mercado - e fez a ressalva: "sei que é feio falar isso [que ela está numa situação privilegiada], mas é a verdade". E, por último, só queria comentar que achei a sonoridade do sérvio parecida com a do tcheco.

Simone Homem de Mello lendo um trecho de As meninas, da Lygia F. Telles

sábado, 3 de dezembro de 2016

A garota no trem, de Tate Taylor


Semana passada eu e a Yuri fomos ver A garota no trem (The Girl on the Train) no Cinemark do shopping Pátio Paulista, na região da avenida Paulista, porque tínhamos um voucher do MasterCard Surpreenda* para usar.

Eu queria ter lido o livro homônimo, escrito por Paula Hawkins, antes de ver o filme, mas achei melhor aproveitar o tempo livre e ir logo, antes que o filme saísse de cartaz. 

Li algumas críticas negativas sobre o filme, especialmente de quem já tinha lido o livro, mas eu gostei. Me fez pensar sobre o lado sombrio do ser humano e lembrei de histórias que vi no ID (Investigação Discovery) na casa dos meus pais. Gosto de histórias de suspense e, ao mesmo tempo, me dá calafrios ter consciência de que muitas pessoas aparentemente normais podem ser assassinas frias e dissimuladas. (Aliás, esses dias li matérias sobre a Elize Matsunaga, a mulher que matou e esquartejou o marido em 2012 e está sendo julgada essa semana, e fiquei pensando que se essa história fosse ficção, talvez pareceria inverossímil.)

Voltando ao filme, a garota no trem é Rachel, uma mulher alcoólatra que está tentando superar o divórcio. Ela mora de favor na casa de uma amiga e todos os dias pega um trem para Nova York para chegar ao trabalho - depois descobrimos que ela havia sido despedida há mais de um ano e apenas fingia ir para o trabalho. Ao longo do trajeto de trem, ela passa por uma paisagem muito bonita beirando o rio Hudson, e costuma prestar atenção em uma casa específica, onde sempre vê um casal que parece ter uma vida perfeita - eles são bonitos e parecem muito apaixonados. A mulher, Megan, desperta interesse em Rachel por ter a vida que ela provavelmente queria ter. Mas Megan desaparece e é assunto nos noticiários da TV.

Pouco antes de Megan sumir, Rachel a vê do trem. Megan estava na varanda beijando um homem que não era seu marido e Rachel pira ao ver a cena. Como Megan podia estar traindo o marido? Ela, que tinha um marido perfeito e uma vida perfeita? Ou pelo menos é o que Rachel achava. 

Quando uns policiais vão até sua casa, Rachel não consegue explicar onde esteve na noite em que Megan sumiu. Ela havia tido outro "apagão" por ter bebido demais e não se lembrava de muita coisa. Talvez para se livrar da suspeita de assassinato, ela conta para o marido de Megan o que viu e eles unem forças para tentar desvendar o desaparecimento de Megan.

Há a suspeita de que o terapeuta de Megan possa estar envolvido no caso e o relacionamento tumultuado entre Rachel, seu ex-marido e a nova esposa dele também vem à tona. Em meio aos acontecimentos, Rachel às vezes se lembra de episódios que aconteceram durante seus apagões, mas não dá para saber se são verdadeiras ou apenas memórias forjadas.

Depois de muitas reviravoltas, tudo vai se esclarecendo. Li não sei onde que leitores e espectadores de suspense gostam de ser "enganados" e surpreendidos, e para mim é verdade. Acho que gostei do filme porque não esperava aquele final. Quero ler o livro, que deve ter muito mais detalhes psicológicos dos personagens.


* "MasterCard Surpreenda" é um programa de fidelidade em que basta se inscrever no site para que pontos sejam creditados sempre que o cartão de crédito ou débito MasterCard é usado - dá para cadastrar vários cartões. Um dos prêmios é a troca de 10 pontos por um ingresso no Cinemark na compra de outro ingresso inteiro - isso acaba valendo mais a pena para quem não tem carteirinha de estudante. Outro prêmio - o meu preferido - é a troca de 5 pontos por um pote de sorvete da Häagen Dasz (um pote com duas bolas ou outras opções mais elaboradas) na compra de outro pote igual. Nesse dia, fomos ao cinema e depois tomamos Häagen Dasz pela metade do preço (!). Uma opção de prêmio que me intriga é a troca de 15 pontos por um pacote de viagem na compra de outro pacote igual para algumas cidades do Brasil - por pacote, entenda-se passagem aérea e acomodação em um hotel que eles escolhem e não há tantas opções de data. De qualquer forma, a viagem sairia muito barata. Eu queria testar essa aventura no futuro para ver no que dá. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Apenas uma chance, de David Frankel

O ator James Corden interpretando Paul Potts

Vira e mexe me pergunto o que as pessoas que vivem apenas do que amam sentem em relação à vida. Será que elas se sentem mais vivas? Será que a percepção que elas têm da vida é diferente da percepção dos demais mortais?

No fim de semana passado vi um filme chamado Apenas uma chance (One chance), baseado na vida de Paul Potts, um britânico cujo sonho era cantar ópera. Depois de passar por uma série de experiências negativas (sofreu bullying na escola, o pai desprezava seu sonho de ser cantor, teve diversos problemas de saúde, Pavarotti o desestimulou a continuar cantando ópera), ele se inscreveu para participar do programa "Britain's Got Talent" em 2007, acabou ganhando o prêmio e, a partir de então, sua carreira como tenor deslanchou.

Gosto de assistir a filmes em que o protagonista supera uma série de dificuldades, fico torcendo para ele se dar bem no final. Talvez seja um desejo inconsciente muito forte as pessoas quererem que tudo dê certo, por isso as histórias com base na "jornada do herói" devem fazer tanto sucesso. E esse filme foi mais emocionante porque foi baseado em uma história real incrível.

Achei surpreendente o fato de Paul ter conseguido, com muito esforço, juntar dinheiro para fazer um curso de canto em Veneza, na Itália. Ele realmente queria se aprimorar porque cantar era a vida dele. Mas depois de Pavarotti tê-lo desestimulado, desistiu da música, voltou para sua cidade e para o emprego em uma loja de celulares. Surgem outras provações e dificuldades, mas a mãe, a namorada, posteriormente esposa, e o amigo/chefe estão sempre lá para dar uma força para ele continuar perseguindo seu sonho.

A vida de Paul até ele se inscrever no programa não foi fácil, mas o filme retratou-a com leveza e até humor na maior parte do tempo, por isso não senti pena do personagem e sim empatia.

No vídeo abaixo o tenor canta "Con te partirò", música que eu conhecia na voz do Andrea Bocelli e acho linda: