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domingo, 8 de abril de 2018

Carta de Porto Alegre nº 3



Porto Alegre, 8 de abril de 2018.


Queridos amigos,

sigo bem por aqui.

Continuo minha rotina de caminhadas matinais e me alimentando do jeito mais saudável possível. Emagreci quase 4 quilos em um mês, mas ainda preciso emagrecer uns 10 quilos para atingir meu "peso ideal". Quando chegar nesse peso, vou tatuar uma carpa nas costas (quero isso desde os 20 anos). Preciso emagrecer porque tenho pré-diabetes e o sobrepeso/ a obesidade contribui para que o nível de açúcar no sangue permaneça acima do normal e, se isso não for controlado, pode evoluir para diabetes. Mês que vem vou para São Paulo fazer exames e voltar ao endócrino terrorista para ele avaliar a situação. 

Essa semana a Carol, uma amiga que fiz através da Flávia, uma amiga de São Paulo, quando estávamos na Itália em 2015, me levou para conhecer o cine Guion e fiquei encantada. A programação é parecida com a do Cine Belas Artes e da Reserva Cultural e fica a uns 15 minutos a pé de onde moro. Esse cinema fica dentro de uma galeria onde há vários cafés e lanchonetes. Vimos Deixe a luz do sol entrar, com a Juliette Binoche, e  gostei mais do filme por causa da atriz e porque era falado em francês do que do enredo. Não consegui me identificar com a protagonista - uma pintora fantástica que embarcava em vários relacionamentos furados com homens aleatórios. Não consigo entender por que as pessoas fazem isso, se machucam e continuam fazendo. Mas minha opinião não conta porque tendo a racionalizar demais relações que deveriam ser sentidas. Carol gostou e queria ver de novo (haha).

Também fui encontrar a Adriana, que conheci num chat do Terra em 2005 (?), em um café bem legal chamado "Café Cantante". Fazia uns oito anos que não nos víamos pessoalmente e gostei de revê-la. 

[Que tipo de pessoa será que entra em chats hoje em dia? No começo dos anos 2000, conheci pessoas fantásticas de todo canto que jamais teria encontrado de outra forma...]

Essa semana também tive alguns insights e conversei com amigos remotamente. Recebi bastante apoio moral :) e também dei pitacos na vida alheia (é incrível como a gente consegue ter uma visão muito mais ampla da vida dos outros do que da nossa, e vice-versa). Concluí que eu estava "muito louca" em São Paulo e não conseguia parar para refletir. Onde eu estava, como tinha chegado ali, o que queria, queria mesmo?, como prosseguir morrendo o menos possível a cada dia?

Decidi tentar um emprego fixo aqui ano que vem e prolongar minha estadia por mais um ou dois anos. Não me animo a voltar para São Paulo. Só estando aqui para me dar conta da loucura paulistana - aquilo não é normal. Talvez aqui também não seja normal, mas a loucura parece menos agressiva.

Sobre a oficina de escrita, recebi meu primeiro texto revisado pelo prof. Assis, ele cortou vários trechos e palavras e o texto ficou bem melhor. Ele também fez um apanhado geral dos deslizes nos textos da turma, mas o maior problema é o excesso de texto mesmo.

Na aula dessa semana também lemos dois textos/ exercícios de colegas. Não consegui prestar atenção no primeiro (não senti empatia pelo personagem, a história me pareceu confusa e minha mente foi para Marte enquanto olhava para a tela); o segundo foi perfeito - o texto estava conciso, "preciso" e refinado. Deu vontade de ler mais. Várias pessoas parabenizaram esse colega depois, eu também. Tenho a impressão de que até consigo começar bem, mas depois não sei o que fazer com a personagem, como continuar a história, tudo meio que se perde e o fim fica sofrível. Estou me aproximando de alguns colegas, mas ainda não sei o nome da maioria. O autor do texto que adorei é muito bacana.

Domingo passado terminei um curso de audiodescrição on-line e meu trabalho final foi baseado na animação In a Heartbeat. A audiodescrição é um tipo de tradução para pessoas com deficiência visual (o audiodescritor converte as imagens - fotos, vídeos, projeções - em um roteiro e depois essa descrição é gravada em áudio). Gostei muito do feedback da prof. Ana Júlia (ela aponta os erros ou o que pode ser melhorado, mas de um jeito carinhoso, para não desanimar os alunos!, o prof. Assis também faz isso). Eu já a conhecia de nome quando fazia odonto, porque ela é formada em odonto e trabalhava/ trabalha com tradução médica, algo que eu também queria muito fazer na época. Escrevi agradecendo o feedback e ela me incentivou a fazer um teste para um possível trabalho. Vamos ver.  

Ainda não consegui me organizar para voltar a estudar japonês (comecei um curso on-line no fim do ano passado). Estou com várias lições atrasadas. Preciso estabelecer uma rotina de estudos. Aliás, apesar de quase não ter orientais aqui, descobri a "Associação da Cultura Japonesa em Porto Alegre". Dependendo de como for, se eu ficar aqui em 2019, vou me matricular no curso de japonês lá.

Só vi orientais duas vezes e deviam ser descendentes de chineses. Às vezes percebo as pessoas olhando para mim com o canto dos olhos (no supermercado e às vezes na rua), aí finjo que não é comigo e desvio o olhar, porque é um pouco constrangedor. 

Fora isso, quanto à vida doméstica, passei aspirador no quarto/sala ontem, lavei o banheiro hoje e vou limpar a cozinha amanhã. Se eu limpar um cômodo por dia fico menos entediada. Tive insônia anteontem, cortei o dedo quando estava cortando abobrinha ontem, o sangue jorrava (mentira, só sangrou por alguns minutos) e aí lembrei que preciso comprar band-aid, ainda não aconteceu nada de ruim hoje. Separei as roupas para levar à lavanderia amanhã; a micro área de serviço não comporta uma máquina de lavar. 

Atualização sobre a vizinhança: a vizinha que gritava durante as discussões de relacionamento sumiu há duas semanas, espero que tenha se mudado. O casal escandaloso da "foda do meio-dia" continua na ativa - pelo menos não devem perder tempo discutindo política ou brigando por política nas redes sociais, né? Fico feliz por eles.

E por hoje é só.


Bons sonhos, boa semana!


Aline Naomi


sábado, 7 de abril de 2018

The Love Doctor, de Chamsae e Bansook (3/265)

Pela primeira vez, li um mangá coreano do tipo yuri, que retrata relações românticas entre mulheres. Não sei exatamente como cheguei a The Love Doctor, mas o primeiro capítulo foi interessante, pois me identifiquei com uma das protagonistas, a Erae.

Ela é uma universitária bastante desligada, não percebe quando está sendo flertada pelos rapazes, que lhe fazem favores e gentilezas. Isso gera várias confusões, pois esses rapazes acham que ela também está a fim deles, quando, na verdade, ela nem percebeu o flerte.

Após um dos pretendentes ir à lanchonete em que Erae trabalha e destruir o local, ela é despedida e, por acaso, um panfleto da "Dra. do Amor" cai em suas mãos. A tal "doutora" dá conselhos sobre relações amorosas, Erae marca um encontro com ela e as duas se apaixonam.

É um mangá bem bobo e açucarado, mas não consegui deixá-lo pela metade - mesmo sabendo que o final, depois de várias enrolações enfadonhas, seria feliz, é claro. 

Quem tiver interesse em ler, é só clicar aqui. Mas já aviso que a tradução está bastante descuidada, com vários erros de gramática, digitação, frases não muito fluentes, pois foi feita por fãs (a maioria dos colaboradores-fãs deve estar no colegial).


***

Histórias pessoais (até demais)

Foi curioso ler um mangá de puro entretenimento e de repente lembrar de vários episódios da minha própria vida (imaginem o barulho de várias fichas caindo...). Eu já tinha me dado conta de algumas situações abaixo, mas a maior parte das fichas caiu enquanto eu lia o mangá. De qualquer forma, devo ter algum tipo de problema. Não entendo como as pessoas decodificam esses sinais, gestos, olhares, têm certeza de que estão sendo flertadas e reagem de forma adequada. 

- Um garoto do colegial me perguntou o que significava "stand by me" [fica comigo]; falei que não sabia, virei as costas e fui fazer outra coisa;
- Outro garoto me convidou para ir à casa da avó dele, que estava viajando, para regar as plantas;
- Uma garota me mandou uma música por e-mail, respondi que tinha achado legal e ela: "E aí, você aceita?"; abri o arquivo para ouvir de novo e procurei a letra no Google... um dos versos era algo do tipo: "Quer namorar comigo?" (hahaha);
- Outra garota me convidou para ir ao cinema numa das últimas sessões, eu fui, mesmo sendo ruim para voltar para casa depois, não rolou nada e (por isso?) ela ficou sem falar comigo por um tempão;
- Um garoto me chamou para ver uns filmes na Mostra Internacional de Cinema, eu fui (iria até sozinha), aí, no meio da sessão, ele pegou na minha mão :);
- Quando íamos dar uns rolês por São Paulo, na hora de voltar, uma garota que morava perto de uma das últimas estações de metrô da Zona Sul ia comigo até o Tucuruvi, última estação da Zona Norte... eu achava que era só para me fazer companhia, porque ela era legal;
- Uma garota me convidou para ver o netbook novo dela num quarto de um hotel;
- Um garoto me chamou para ver o show do irmão dele e depois para dormir na casa dele/ dos pais dele;
- lembro vagamente de algumas pessoas que eu tinha acabado de conhecer tocando meu braço e/ou cabelo (tenho pavor de gente desconhecida/ recém-conhecida encostando em mim e tentava ficar longe).

No momento em que essas coisas aconteciam, eu não conseguia me ligar que, na verdade, as pessoas estavam flertando comigo e tinham intenções escusas. Uma amiga disse que preciso prestar atenção no jeito que as pessoas me olham, aí eu vou saber qual a intenção delas. [O quê??] Para mim isso equivaleria a ter um superpoder. Rá.


terça-feira, 3 de abril de 2018

Sal, açúcar, gordura, de Michael Moss (2/365)



Há algum tempo terminei de ler Sal, açúcar e gordura, do jornalista americano Michael Moss e fiquei ainda mais estarrecida com a indústria de alimentos.

(Na foto, coloquei o e-book no meio de um monte de gordices como provocação. A maioria desses doces veio em caixas de um "clube de doces" que eu tinha assinado para a Yuri e não assino mais. Todo mês chegava uma caixa cheia de doces importados, principalmente chocolates, que não conseguíamos comer. Achei que seria legal provar doces diferentes, mas, no fim, não fazia muito sentido.) 

Como ainda tenho interesse por alimentação e saúde, continuo vendo e lendo sobre esses assuntos.

Esse livro foi importante para entender um pouco mais a fundo como a indústria de alimentos processados funciona. Eu já tinha visto vários documentários na Netflix (Food Matters, Forks over Knives, Cowspiracy, Food Choices, Fed Up, What the Health, entre outros) que me fizeram pensar sobre a nossa relação com os alimentos e como isso pode nos trazer benefícios ou, pelo contrário, nos deixar doentes. Concluí que a alimentação é uma questão de hábito também.

Hoje em dia parece que as pessoas "comuns" (sem ser especialistas em saúde ou em alimentação) estão cada vez mais conscientes de que uma alimentação equilibrada é a chave para ter mais saúde ou evitar doenças. Por exemplo, vejo primas e amigas que não dão refrigerante para os filhos - isso já é  um começo, um indício de que as coisas estão mudando. Só que ninguém diz para essas mesmas mães que dar suco ou chá pronto ou Toddynho talvez seja a mesma coisa que dar refrigerante, considerando a quantidade de açúcar que adicionam nessas bebidas. 

O livro é dividido em três partes: açúcar, gordura e sal. Três ingredientes essenciais para a indústria de alimentos processados e que, muitas vezes, geram compulsão alimentar (quem não conhece pelo menos uma pessoa viciada em chocolate, sorvete, queijos, Ruffles ou Doritos?; eu, por exemplo, sou uma ex-viciada em sorvete). Pelo que entendi, quanto mais açúcar, sal e gordura a gente consome, mais quer consumir, independentemente de estarmos com fome ou não. O corpo fica dependente dessas substâncias. Também fiquei pensando que essa compulsão é gerada por um estilo de vida louco e estressante das grandes cidades - a comida é uma das válvulas de escape (beber e fumar, algumas outras) para todo o estresse do dia a dia... as pessoas comem mais para se dar prazer do que para se alimentar. Deprimente, não?

Há muitas histórias interessantes sobre refrigerantes e alimentos processados lançados nos Estados Unidos, sobre como as empresas gastam bilhões em campanhas publicitárias e estimulam novos "usuários" (como os executivos costumam se referir a consumidores de refrigerante) a consumirem esses produtos. Tem uma parte em que o autor fala sobre a promoção da Coca-Cola no Brasil que me deixou perplexa. A marca precisava aumentar as vendas por aqui e algum executivo teve a ideia de produzir garrafinhas de Coca-Cola que custassem R$ 1, assim camadas mais populares poderiam comprar a marca "Coca-Cola" pagando pouco. É cruel pensar que essas pessoas, as mais vulneráveis, não vão conseguir pagar tratamento médico adequado depois.

Outra coisa óbvia, mas que nunca tinha passado pela minha cabeça: a indústria sempre vai optar pelas matérias-primas mais baratas para maximizar os lucros, não importa o quanto isso afete a saúde dos consumidores. Em suma, nem sabemos, de fato, o que estamos comendo.

Essa onda de alimentos processados começou, se não me engano, na década de 1970, quando cada vez mais mulheres americanas passaram a trabalhar fora e não tinham muito tempo para preparar as refeições. E o preço dessa conveniência é alto: obesidade e doenças associadas a ela. O que me anima, de certa forma, é que, aos poucos, as pessoas estão se conscientizando de que esses alimentos processados não prestam e que não deveríamos sustentar esse tipo de indústria. Pelo menos é a minha impressão. O bom é que a TV e a internet estão ajudando nesse processo. Sigo um canal no YouTube chamado Cozinha Bach, da nutricionista gaúcha Simone Bach, que é ótimo. (No lado oposto do espectro, também sigo o Guia de Sobrevivência Gastronômica em Porto Alegre, em que os youtubers costumam comer bastante junk food -, mas esse canal começou a me dar angústia, aí parei de ver; fiquei pensando que qualquer hora ia ver um vídeo falando que o canal acabou porque membros do grupo tiveram um infarto de tanto comer fritura, doces e embutidos.) Também sigo o Panelinha, da Rita Lobo, e assino a newsletter dela, que sempre têm dicas ótimas para fazer comida fácil e boa.

Talvez para a maioria das pessoas tudo que escrevi (e o que o Michael Moss escreveu) seja uma grande besteira. Mas esse movimento de as pessoas se alimentarem de um jeito mais saudável, com menos alimentos processados, faz muito sentido para mim. E o fato de os executivos das grandes empresas de alimentos não consumirem os produtos que ajudam a produzir (todos falaram isso em entrevistas com o autor do livro) já deveria servir de alerta.

Por fim, indico essa entrevista que a Folha de S. Paulo fez com o Michael Moss em dezembro de 2015, alguns meses depois de o livro ter sido lançado no Brasil. 


quinta-feira, 29 de março de 2018

Hostage, de Guy Delisle (1/365)



Li em algum lugar que a HQ Hostage [Refém], do Guy Delisle, será publicada esse ano pela editora Zarabatana, que já publicou várias outras HQs dele. Não consegui esperar, comprei e li a edição americana, traduzida da edição original em francês (o Guy Delisle é franco-canadense), que está bem bonita, em capa dura.

Nessa graphic novel, Delisle conta a história de Christophe André, um jovem administrador da Médicos Sem Fronteiras, que foi sequestrado quando estava em missão no Cáucaso, mais especificamente na região da Chechênia, em 1997. 



Delisle não explica nada sobre o conflito que estava acontecendo na época do sequestro e se concentra na experiência do sequestro em si. Conforme as páginas vão se passando (são 432 no total), nos sentimos algemados, entediados e deprimidos igual ao protagonista. Pela primeira página, já sabemos que ele sobreviveu, o que é um alívio, mas não sabemos até quando a situação no cativeiro vai continuar, se vai piorar, o que os sequestradores vão fazer. É muito tenso.



As pequenas coisas, uma comida diferente da sopa aguada de sempre (como a omelete, acima), são motivos de alegria para Christophe.

Me impressionou a lucidez dele em não perder a contagem dos dias desde o começo. Ele sempre sabia a data e o dia da semana. Eu provavelmente me perderia no tempo e no espaço depois de uma semana.

Foi uma jornada duríssima, mas Christophe enfrentou tudo e, pelo epílogo, ficamos sabendo que continuou trabalhando na Médico Sem Fronteiras por mais dezoito anos.

Gosto muito da forma como Delisle narra as histórias. Nas outras HQs publicadas pela Zarabatana ele conta sobre experiências na Birmânia (Mianmar), Jerusalém, Coreia do Norte e China de forma peculiar e, sempre que possível, bem humorada. A HQ em que ele conta como é um pai displicente (O guia do pai sem noção) é mais leve e as tirinhas sempre nos tiram um sorriso.




Vale a pena, recomendo todas essas HQs! (O guia do pai sem noção está duplicado porque comprei a edição em inglês antes de a Zarabatana publicar no Brasil...)



Obs.: Vou tentar ler um livro por dia e escrever sobre ele aqui. Este é o primeiro livro do meu autodesafio de ter um "ano da leitura mágica".



quarta-feira, 28 de março de 2018

Carta de Porto Alegre nº 2

Porto Alegre, 27 de março de 2018 - terça-feira, 21h21


Caros amigos,

ontem foi feriado, aniversário da cidade, e eu não sabia. Minha mãe que me disse, porque viu na TV. Eu não tenho TV. Apesar de ter sido feriado, havia pessoas nas ruas e as lojas estavam abertas; até levei um edredom e um cobertor para a lavanderia, porque está começando a esfriar, só trouxe um edredom de São Paulo e essas cobertas que encontrei aqui estavam cheias de pó.

Continuo caminhando no parque Farroupilha quase todas as manhãs e agora não me perco mais; memorizei uma rota e sigo sempre por ela. Outro dia fui caminhar pela orla do rio Guaíba, quase cheguei ao estádio Beira-Rio (do Internacional), mas o sol ficou muito forte, então voltei. Talvez alugar uma bicicleta do Itaú e pedalar no fim da tarde seja uma opção melhor. A paisagem é estranhamente bonita. Vi um anfiteatro no meio do nada que parecia um cenário futurista e insólito. Perto desse anfiteatro alguém pichou: "Cada palavra tua é um arrepio!" - poético e matador. 



Às vezes, quando estou caminhando, penso em Caio Fernando Abreu ("Será que ele caminhava por aqui? Bebia naquele bar? Comprava livros naquele sebo?") e também no Yoñlu ("Será que ele fotografava aqui? Onde será que ele está agora?"). Caio F. é um dos meus escritores favoritos. "Yoñlu" era um estudante/ músico de Porto Alegre que se suicidou em 2006 - ele só tinha 16 anos. Vi um documentário sobre ele na Mostra Internacional de Cinema no ano passado, por acaso, para preencher o tempo entre um filme e outro que eu queria ver, e me surpreendi, me impressionei. Fiquei pensando nessa história por muito tempo, ainda penso. O tipo de música que ele fazia não me agrada, mas gosto de Waterfall.

No mais, estou feliz e provavelmente vou sentir vontade de chorar na hora de ir embora. Não sei como se pode gostar tanto de alguns lugares. Gostei daqui desde a primeira vez que vim com a Renata, uma colega da faculdade, em 2000. Fugimos de um congresso em Pelotas, pegamos um ônibus e viemos passar o dia aqui. Caminhamos pela cidade, comemos, vimos o sol se pôr no Guaíba, voltamos para Pelotas e senti saudade de alguma coisa que nem sei o que era. Se eu tivesse passado em jornalismo na UFRGS alguns anos depois, teria vindo morar um tempo aqui antes. Mas foi bom, no fim, não ter passado, não me vejo trabalhando com jornalismo. 

Aqui, moro no centro. Memorizei que, se subir, chego na Casa de Cultura Mario Quintana e no centrão, onde tem um comércio popular que lembra muito o Calçadão de São José dos Campos (almocei lá hoje, num ótimo restaurante vegetariano que eu e a Yuri descobrimos por acaso em janeiro). Se descer e virar à esquerda, chego num dos milhares de supermercados Zaffari que há na cidade e, se seguir em frente na rua do Zaffari e virar nos lugares certos, chego no parque Farroupilha. Se descer a rua de casa, chego no Guaíba. Há várias livrarias pequenas e sebos por aqui também. Tudo que me interessa está relativamente perto. Não tem como não estar feliz.

Ah, deixa eu comentar sobre meus caros vizinhos. O prédio onde moro tem pessoas de tudo quanto é jeito: velhos, novos, crianças, estudantes. E às vezes tudo é muito animado por aqui. As pessoas costumam falar muito alto e ainda não me acostumei. Tem um casal de vizinhos que costuma transar  vários dias por semana na hora do almoço (ontem, feriado, foi dia todo) e a mulher GRITA MUITO. Rio sozinha. E tem uma vizinha que vive tendo DRs (discussões de relacionamento) com o namorado/ marido/ amante dela, às vezes por telefone, às vezes pessoalmente, e grita absurdos, baixarias e palavrões. Pelo que entendi, o cara está com outra mulher e essa vizinha não aceita a situação, se humilha, enlouquece, se autodestrói. Não entendo as pessoas. Só sei que uma vez ela gritou: "TU SÓ GOSTA DAQUELA VAGABUNDA PORQUE ELA TE DESPREZA E TE CORNEIA" e tive a impressão de que, na verdade, ela estava falando dela mesma ("EU só gosto de TI porque TU ME despreza e ME corneia"). Talvez uma hora ela consiga se ouvir.

Quinta passada tive a segunda aula, ainda sobre construção de personagem, entre outras coisas, e continuo gostando muito da oficina. O professor projetou o texto de uma colega, com correções, e lemos. As correções e os comentários foram light. Talvez o professor tenha receio de canetar muito, nos assustar e bloquear nossa vontade de escrever. Me aproximei de uma colega que também é tradutora e mora no Paraná. Me ofereci para visitar uns JKs com ela semana que vem, porque ela está procurando lugar para ficar.

Domingo foi o prazo para entregarmos um texto em que a personagem que criamos precisava ir a uma galeria de arte. Enrolei muito para entregar porque minha personagem é cega e eu não tinha ideia de como resolver o problema. O texto ficou ruim, mas precisei entregar mesmo assim. Vou me esforçar mais no próximo exercício. O segredo deve ser escrever e só voltar ao texto depois de um tempo mesmo.

Preciso dormir agora. Amanhã, outro dia, quero matar mais algumas pendências.



Até breve,

Aline Naomi



domingo, 18 de março de 2018

Carta de Porto Alegre nº 1

Porto Alegre, 17 de março de 2018 - sábado, 23h22

Querida pessoa do outro lado da tela,

vim contar como andam as coisas. 

Por falar em andar, hoje de manhã fui caminhar no parque Farroupilha, que é tipo o parque Ibirapuera, só que decadente e com pedalinhos, e me perdi na ida e na volta, mesmo tendo visto a rota no Google Maps antes de sair de casa. Sou esse tipo de pessoa. Não tenho senso de direção, mas adoro explorar. Hoje a exploração durou duas horas. 

Preciso e vou continuar caminhando todos os dias porque o endócrino que consultei no começo do mês disse que estou obesa e que vou morrer de diabetes se não parar de comer doces. Ok, estou exagerando para efeito dramático, não foi bem isso que ele disse, mas foi o que ouvi. E, no fim das contas, preciso mesmo emagrecer e parar de comer doces.

Durante a caminhada, descobri uma feira livre e um supermercado sem ser Zaffari (Zaffari é tipo Pão de Açúcar, fica sempre uma sensação de que estou pagando mais pelo que as coisas valem), vi uma mulher alimentando cinco ou seis gatos, de várias cores, no que parecia um templo budista (tinha várias estatuinhas de Buda no jardim) e passei pelo Brique da Redenção, uma feirinha com milhares de barracas onde vendem artesanato e outras coisas que nem sei. Acho que dei a volta no parque. Difícil afirmar com certeza, considerando a minha desorientação espacial.

Voltei, tomei banho, cozinhei, almocei, li, dormi, arrumei umas coisas na quitinete (aqui chamam de "JK", não me peça para explicar, não faço ideia), respondi alguns e-mails - ainda falta responder vários. Foi um dia bom.

Quinta-feira passada começaram as aulas na oficina de escrita literária num laboratório de idiomas muito chique na PUCRS - vários computadores, cada aluno em um, lousa mágica, ar-condicionado, só a acústica da sala não é tão boa. Gostei muito da aula e, como diria uma amiga, "que bom, né, para compensar o XXXX [curso que fizemos e não foi exatamente UAU-NOSSA-QUE-CURSO!]", eu ri.

Nessa primeira aula, o prof. Assis Brasil falou um pouco sobre o curso, fizemos a apresentação de praxe, só eu de São Paulo. Minto. Acho que tem uma colega arquiteta aposentada que é de Campinas e vai fazer ponte aérea. Todo mundo de humanas. Nenhum açougueiro, nem engenheiro ou, sei lá, nenhuma bióloga, astróloga, meteorologista. Tem um colega advogado que disse que tinha largado o emprego porque queria seguir a vocação dele e realizar o sonho de ser escritor (nesse momento imaginei a cara de pelo menos metade da minha sala do MBA em Book Publishing, de alguns professores, de editores com quem trabalhei e a minha própria cara e ouvi uma voz na minha cabeça: "você cala a sua boca e não pensa nada", aí não pensei no mercado editorial no Brasil, em direitos autorais nem em nada, me concentrei no fato de que essa atitude de largar um emprego sem sentido para seguir um sonho, por si só, já é corajosa e admirável). Alguns colegas já se autopublicaram, outros ganharam concursos literários. Na minha vez, falei que era de São Paulo, que estava lá para melhorar minha escrita, minhas traduções e eventualmente trabalhar em uma editora de literatura e poder selecionar melhor os originais. Sinceramente, não me vejo "só" escrevendo. Quando e se isso acontecer, vai ser concomitante com tradução e/ou edição de textos. Às vezes penso que já existem muitos livros no mundo e não sei até que ponto eu conseguiria contribuir com algo relevante. Talvez não consiga - e tudo bem, não vou morrer por causa disso. Só o fato de escrever e traduzir melhor já me anima. O professor perguntou se eu ficaria em Porto Alegre, se tinha ido por causa do curso, eu disse que sim.

A aula seguiu, o professor comentou alguns livros da bibliografia e sobre a importância da construção de personagens. Fizemos um exercício e cada um definiu o/a personagem com que vai trabalhar nesse semestre. Não sei se escolhi direito, ainda posso mudar no próximo exercício, vamos ver.

Depois que acabou a aula, no elevador lotado (só cabem umas seis pessoas), o professor pediu para "dar uma palavrinha" comigo. No térreo, ele perguntou se eu já estava instalada, se estava bem, e falou que se precisasse de algo era para falar com ele, procurar a Bibiana (escritora que o auxilia nas aulas e com os e-mails para a turma) e terminou com "não te sinta só por aqui". Achei comovente. Em São Paulo, ninguém se importaria em falar algo assim, na verdade, ninguém parece se importar. A maioria das pessoas parece embrutecida, entorpecida, massacrada pelo cotidiano. Em certo momento, senti que também estava me tornando alguém assim para conseguir sobreviver. Não quero, por favor.

Lembrei de amigos que iam gostar muito de estar nessa oficina. E também desejei que todo mundo de que gosto eventualmente consiga fazer uma pausa na vida - antes que seja tarde demais, por n motivos -, para descansar, refletir e redirecionar a vida se for o caso. O clichezão "a vida é curta" é mesmo verdade. Acredite.

Não tirei foto do parque Farroupilha, então mando essa foto da Casa Mario Quintana, que é um dos meus lugares favoritos na cidade. Mesmo que no verão lá dentro pareça uma estufa porque não tem ar-condicionado. Aliás, a cidade toda está meio decadente, mesmo assim continuo gostando daqui.


Até semana que vem, espero,

Aline Naomi



Obs.: Na próxima carta conto um pouco sobre a minha vizinhança animada.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Dias de chuva, dias de sol



Esse talvez seja um dos meus melhores anos. Mas antes tem as pendências - várias. 

Mês que vem, Porto Alegre, quase um intercâmbio. Novos aprendizados, talvez novos amigos - com sorte, talvez algum para levar comigo no bolso, no coração, vida afora, vida adentro. Talvez não.

Me recuperei, acho - do cansaço, do tombo, da desilusão, do desânimo, das dores, dos dias sonolentos, da vontade de dormir, dormir e nunca mais parar de dormir.

Quero paz, quero tempo. Minha mente, meus pés e a realidade externa, tudo em descompasso. Esse ano preciso acertar o passo e dançar junto, principalmente comigo mesma. Minha alma precisa estar onde meu corpo estiver. 

Aos poucos recupero uma parte de mim que estava morrendo. Aos poucos Tânatos solta minha mão e me deixa caminhar sozinha. Daqui a pouco, quem sabe, o antigo deslumbramento de viver. Porque antes eu era assim: viver é um deslumbramento constante. E depois: eu já não sabia mais.

Nos dias de sol, espio pela janela e saio para caminhar. Nos dias de chuva também. As chuvas de verão são passageiras. Não me importo de me molhar.


Memórias de João Pessoa

Demorei, mas voltei.

Nos últimos tempos andei questionando muitas coisas, incluindo a validade de continuar esse blog e me expor na internet em geral. Será que isso faz sentido? Vale a pena para mim e para outras pessoas? Preciso disso? (Com certeza, não.) Viveria sem isso? (Com certeza, sim.) Às vezes tenho vontade de me deletar do mundo virtual e dedicar meu tempo a outras coisas. Mas, por enquanto, decidi continuar. 

Então, vamolá. Nessa volta, vou contar minhas experiências em João Pessoa.

Eu e a Yuri ficamos dez dias no apartamento da mãe dela, no bairro de Cabo Branco, um lugar tranquilo (no sentido de não dar medo de sair a pé de casa) e perto da praia, onde caminhávamos quando o sol começava a baixar.

Conseguimos aproveitar bastante o tempo porque a mãe da Yuri fez uma programação (!) para nos entretermos todos os dias, o que foi muito legal e prático.

Abaixo, uma lista de lugares onde estive:

1. Igreja de São Francisco / Centro Cultural São Francisco



Antigamente denominado Convento de São Francisco, foi construído em 1589 por frades franciscanos. Em 1634 foi ocupado por invasores holandeses e utilizado como fortim. Depois que os holandeses foram expulsos, os frades retomaram o convento e começaram obras de recuperação e ampliação. Mais sobre a história do local pode ser lida nesse link.

Lá também funciona um centro cultural com exposição de arte sacra e arte popular.






Endereço:
Praça São Francisco - João Pessoa-PB - 58010-650
Tel.: (83) 3218-4505
E-mail: contato@igrejadesaofranciscopb.org 
De segunda à sexta: das 8h30 às 17h. Sábado e Domingos: das 9h às 14h.

2. Mercado de Artesanato Paraibano


Esse mercado fica perto da orla da praia Tambaú (e também do hotel homônimo) e vale a pena ser visitado porque tem um pouco de tudo, principalmente lembrancinhas para turistas. Pelo que li no site, são mais de 120 lojas distribuídas em dois andares. Lá dá para encontrar camisetas, roupas de algodão cru, ímãs, vestidos, bordados, calçados, comida, calçados...





Para quem gosta de cordel, tem cordel! Comprei esses:



Endereço:
Rua Senador Ruy Carneiro, 241 - João Pessoa-PB - 58030-181
Tel.: (83) 3247-3135

4. Almoço no restaurante Olho d'Água (Hotel Tambaú)



No dia em que fomos ao Mercado de Artesanato, acabamos almoçando no restaurante que fica dentro do hotel Tambaú, porque estava muito calor e ficamos com preguiça de procurar outro lugar para almoçar. Pedi esse fettuccine com camarão que estava uma delícia. O cardápio também oferece várias outras opções (pratos com carne, frango, mariscos...). Fomos "escoltadas" até o restaurante porque não estávamos hospedadas no hotel. Aliás, deve valer a pena se hospedar ali.

Há "redes" com vista para o mar para os hóspedes

Vista da janela

Endereço:
Av. Almirante Tamandaré, 229 - Tambaú - João Pessoa-PB - 58039-010
Tel.: (83) 2107-1900


5. Parque Cabo Branco



Esse parque (de food trucks) foi inaugurado no fim de 2016 e é uma ótima opção para quem está com fome. Ali tem várias opções de comida de rua (churrasquinho, comida mexicana, hambúrgueres artesanais, pastel, sorvetes e outras coisas das quais nem consigo me lembrar).


Gostei DEMAIS desse "sorvete na chapa", em rolinhos, do carrinho La Caribeña, onde os donos, um casal bem jovem, fazem o sorvete na hora. Esse é de morango de verdade, Leite Ninho e brigadeiro. Um dos melhores sorvetes da vida. Voltei lá várias vezes! Recomendo muito.



Eu ~ tirando leite da vaca ~ no Parque Cabo Branco

Endereço:
Avenida Cabo Branco
Funcionamento: Terça, quarta e quinta - 18h às 23h; sexta e sábado - 18h às 00h; domingo - 17h às 23h


6. Piscinas naturais de Picãozinho


Lá pelas 8h da manhã saem vários catamarãs da praia de Tambaú rumo às piscinas naturais de Picãozinho. Quando a maré baixa, a uma certa distância da orla, as piscinas naturais se formam e é possível desembarcar e caminhar pela areia cercada por corais (nos quais turistas idiotas insistem em pisar, mesmo depois de os guias terem frisado mil vezes que não é para fazer isso) e ver/ fotografar muitos peixinhos.

Depois de um tempo, a maré começa a subir (como na foto), as pessoas embarcam novamente e os catamarãs retornam à praia. O passeio dura umas 3 horas, dependendo da maré.





Há várias pessoas que oferecem esses passeios, mas compramos as passagens no hotel Tambaú um dia antes (pela Luck Receptivos, que também oferece vários outros passeios pela cidade). No dia marcado, fomos para o local indicado na praia de Tambaú, mais ou menos perto do hotel, de onde o catamarã sai.


7. Restaurante NAU


Esse restaurante é especializado em peixes e frutos do mar e é muito bom! É meio caro, mas vale muito a pena.

Esse peixe estava divino!


Sobremesa Nau: Mousse de chocolate, calda quente de brigadeiro, sorvete de creme e castanhas caramelizadas. Sem comentários!! =P


Endereço:
Rua Lupércio Branco, 130 - Manaíra - João Pessoa-PB 
Tel.: (83) 3021-8003
Site: http://site.naufrutosdomar.com.br/

Obs.: Pelo site, vi que há outra unidade desse restaurante no shopping Manaíra.


8. Farol do Cabo Branco e Parque Ecológico Bosque dos Sonhos


Um dos cartões postais de João Pessoa, o Farol do Cabo Branco simboliza o ponto mais oriental das Américas, ou seja, onde o sol nasce primeiro no continente.

(Apesar de ser um dos cartões postais, não há nada de muito interessante para ver ali; o farol não é aberto e não é possível subir nele para ver a paisagem lá de cima; para falar a verdade, fiquei com um pouco de medo porque não tinha muita gente andando por ali - talvez por ser dia de semana?!)

Em frente ao farol, essa é a vista



Esse parque ecológico fica perto do farol e tem algumas esculturas gigantes e quiosques com comida. Também estava meio deserto.





Endereço do Farol do Cabo Branco
Ponta do Cabo Branco


9. Restaurante Mangai


Deliciosa comida típica por quilo, incluindo "suvaco de cobra" (carne de sol moída, milho e cebola), vários pratos com carne de sol, queijo típico, baião de dois, peixes e camarão. Os garçons e garçonetes se vestem como cangaceiros e, para chamá-los, há um sino em um dos pés de cada mesa.






Endereço:
Av. Edson Ramalho, 696 - Manaíra - João Pessoa-PB
Tel.: (83) 3226-1615
Site: http://mangai.com.br/


10. Pôr do sol na praia do Jacaré (o melhor da viagem!)


O passeio para a praia fluvial do Jacaré foi um dos que eu mais gostei nessa viagem.


Essa praia fica em Cabedelo, uma cidade próxima a João Pessoa, e dá para se chegar lá de transfer ou de carro. A mãe da Yuri contratou um motorista e fomos para lá dessa forma.


Na praia do Jacaré é possível assistir a um lindo pôr do sol ao som do bolero de Ravel, tocado todos os dias por um personagem bastante conhecido na região, o Jurandy do Sax. Quando o sol está se pondo, a cerca da foto acima fica cheia de gente querendo apreciar o espetáculo. E, para quem quiser, há passeios de barco, de onde é possível ter uma visão mais privilegiada do pôr do sol ao nítido som do bolero (há alto-falantes instalados nos barcos turísticos). Foi uma experiência incrível!

 Dançarino tirando uma senhora para dançar ao som de Belle Soares (violonista)





Muitas pessoas apreciando o pôr do sol na beira do rio 

Jurandy do Sax

Show!

No barco com a dançarina-cangaceira

Obs.: Moda não é meu forte.
Obs. 2: Essa camiseta de manga longa que eu estava usando, apesar do CALOR, é muito comum na região; os locais, principalmente as crianças, as usam para se proteger dos raios ultravioleta (as camisetas supostamente têm proteção contra raios ultravioleta).

Por último, o Jurandy do Sax tocou algumas músicas a bordo do barco em que estávamos (na hora de comprar o passeio de barco, é preciso pesquisar isso; o motorista que nos levou para Cabedelo descobriu isso para nós).

Jurandy do Sax e Belle Soares


11. Praias do Coqueirinho e Tambaba


Coqueirinho

As praias do Coqueirinho e Tambaba ficam no litoral sul paraibano e são boas para nadar (a água é mais quente - óbvio?, só eu não sabia? - e nessas praias não têm alga que enroscam no pé, como em outras praias de João Pessoa).

Coqueirinho 

 Tambaba


Uma parte da praia de Tambaba é naturista, ou seja, só é permitida a entrada de pessoas totalmente nuas.


Vestida adequadamente para a parte naturista da praia...

... só que não. Apesar de não ter tido coragem de andar totalmente sem roupa pela praia, subi a escada e tirei essa foto rapidinho (não tinha ninguém à vista) e depois voltei.

 Parte naturista da praia de Tambaba

Acho que essa parte da praia é melhor para entrar no mar porque não tem tantas pedras, mas fica para a próxima! ;)

O que eu gostaria de ter feito, mas não deu:

- andar a pé pelo centro histórico de João Pessoa e tirar fotos das construções antigas;
- caminhar pelo Parque da Lagoa (Solon de Lucena);
- visitar a Fundação Casa José Américo (eu e a Yuri passávamos em frente desse lugar toda vez que íamos caminhar pela orla em Cabo Branco e nunca entramos! José Américo foi um escritor paraibano; o único livro dele que conheço só por nome é A bagaceira);
- conhecer o Cine Bangüê e ver algum filme lá.

Vimos e não valeu muito a pena: Estação Cabo Branco. Havia duas exposições pequenas, uma de fotos e outra de ilustrações; talvez valha mais a pena visitar quando houver exposições maiores. Por outro lado, a visitação foi grátis, então não perdemos nada.

Yuri na Estação Cabo Branco (a arquitetura é bonita, mas...)


Gostaria de voltar para João Pessoa no futuro e também conhecer um pouco mais de Natal, no Rio Grande do Norte, onde fizemos alguns passeios bem turistinhas (contarei sobre isso em algum post no futuro).