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sexta-feira, 23 de março de 2007

A Colgate e o Marketing


(Ainda não vi "Coming Out", vamos ver se hoje dá para ver!)

Ontem teve uma palestra da Colgate na faculdade e todos que participaram, ganharam um kit enorme com: 1 bolsa grande tipo "praia", 1 caderno grande de 10 matérias (as separações entre matérias são ilustrações ligadas à odonto), uma necessaire com um monte de produtos da Colgate-Palmolive dentro: 1 pasta de dente de 90 g com ação anti-cárie por 12 horas, uma pasta de 25 g "Sensodine", duas escovas de dente (modelos diferentes), 3 sabonetes em barra Protex, um enxaguatório bucal, um fio de dente. Fiquei encantada com o presente, mas, ao mesmo tempo, isso me levou a uma série de reflexões sobre publicidade.

A Colgate tem um programa chamado "Futuro Profissional", que conta com um "monitor", que é dentista, e com uma professora de odontologia da USP (que também é periodontista) para levar palestras para as universidades que tiveram um bom desempenho no ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), ou seja, (supostamente) só levam a palestra para as melhores universidades de odonto do país. A cada ano, o tema dessas palestras gira em torno de um assunto, o desse ano foi halitose (mau hálito). A professora deu uma aula breve (uns 40 minutos) sobre o assunto e eu gostei muito... só não gostei da atitude de alguns colegas: sempre que entrava ou saía alguém do auditório, ficavam assobiando "fiu-fiu" e também ficavam conversando (no meio da palestra, enquanto a palestrante falava!!)... acho que estou ficando chatona mesmo porque esse tipo de coisa está me irritando demais... essa falta de postura, educação e respeito. Convivi tanto com meninas na outra faculdade que havia até esquecido do quanto os garotos têm um certo comportamento infantilizado...

Mas, voltando para a Colgate-Palmolive. Grande sacada de marketing a deles, não?? Visitam universidades de odonto, dão kits, vão cativando o público desde agora e, provavelmente, esses alunos de odonto vão usar (ou continuar usando) os produtos da marca e, quando se formarem, vão indicar os produtos para os pacientes. Para não dizer que é apenas uma distribuição de presentes, contrataram a professora da USP para dar um "ar de credibilidade" à coisa. Não que isso seja ruim (não estou criticando, mas ressaltando a inteligência da campanha!), pelo contrário, é uma ótima sacada: uma professora de uma universidade conceituada que apoia a marca (ou seja, no nosso inconsciente fica uma mensagem do tipo: "é, os produtos devem ser bons mesmo").

É interessante analisar as campanhas publicitárias, principalmente as bem boladas... mas ao mesmo tempo que sinto uma certa "admiração" por essas campanhas, também sinto um certo "desprezo" pela publicidade em geral, pois as campanhas publicitárias muitas vezes nos fazem desejar coisas de que não precisamos, e isso acaba gerando um consumismo desenfreado e a supervalorização material. (No caso dos produtos para a saúde, até que, aparentemente, não é tão problemático, porque, de uma forma ou de outra, são produtos necessários... as pessoas compram ou deveriam comprar esses produtos, não importa de que marca.)

Para mim é estranho pensar que determinados tipos de afirmação, slogan, jingle, propaganda, etc, que fazem parte de uma campanha publicitária sejam capazes de fazer com que o nosso inconsciente passe a querer, a desejar profundamente, um determinado tipo de produto (em detrimento de outro(s))... "Compre a roupa 'x' para afirmar que você é assim ou assado para a sociedade"; "Beba Coca light e seja linda"; "Masque Trident sem açúcar para evitar a cárie e fazer com que seus dentes fiquem brancos"... SERÁ??

Tem um filme que passava na "Sessão da Tarde"... eu nem lembro o nome, em que um publicitário "surta" e ao invés de bolar campanhas que iludem os consumidores, ele passa a falar sobre os pontos negativos dos produtos que as empresas pretendem colocar/colocaram no mercado... parece que ele vai parar no hospício, onde faz amigos e monta uma agência (a agência onde ele trabalhava o despede). Depois, que eu me lembre os consumidores passam a comprar os produtos das campanhas por achar que, pela campanha/empresa ser honesta sobre os pontos negativos dos produtos, elas mereciam confiança e a campanha acaba sendo um sucesso.

Tenho sentimentos contraditórios sobre publicidade, acho que até por ser leiga no assunto, mas é um dos cursos que eu não faria porque me sentiria mal em trabalhar com isso depois. Por mais brilhante que fosse uma campanha que eu criasse, por mais que ela fizesse com que a empresa vendesse zilhões de produtos (ou por isso mesmo), intimamente, eu ia pensar: "estou vendendo uma ilusão", quando, na verdade, estou buscando a essência das coisas, das pessoas, do mundo, ou seja, eu estaria indo na contra-mão do que estou procurando e, indiretamente, induzindo as pessoas ao superficial. Mas, por outro lado, existe o Olivieri Toscani (http://www.olivierotoscanistudio.com), que foi o responsável por fotos "polêmicas" da Benetton há alguns anos... acho que é "polêmico" porque não estamos acostumados a olhar uma propaganda e PENSAR; a propaganda simplesmente está ali: "compre o produto e seja feliz" mas, na campanha dele, primeiro, vinha o choque da imagem incomum (um padre beijando uma freira, um menino loirinho e uma menininha negra dando as mãos, um menino Jesus branco e outro negro na mesma manjedoura, entre outras que agora não lembro) e, depois, uma série de questionamentos que nos levavam a pensar no porquê daquilo - o que ele quis dizer com aquelas fotos? Aí já era uma mistura de publicidade e arte, então era legal porque levava as pessoas a refletirem, a elevarem seu nível de consciência.

Só porque ganhei aquele kit maravilhoso da Colgate, termino esse post dizendo:

USEM COLGATE PARA TER UM SORRISO-COLGATE!

(Já era, fui comprada!! :-D)

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