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sábado, 24 de março de 2007

Disseram que eu era japonesa

Acabei de voltar de uma apresentação de dança contemporânea chamada "Disseram que eu era japonesa", da Letícia Sekito. Minha tia que me chamou para ir com ela e com a Mami, que é prima dela. E valeu muito a pena porque a apresentação trabalha com temas que me interessam: identidade cultural, recortes culturais, sentimento de não saber exatamente o que se é (as pessoas dizem que somos uma coisa, mas nem sempre somos aquilo), busca e viagem interior.

No começo, eu achei que não ia gostar, porque os movimentos eram lentos e a música também. Havia duas faixas de pano branco no palco, uma de cada lado e um monte de isopor picado, formando um monte. Depois de um tempo ela começou a rodopiar no monte de isopor (depois do espetáculo, no bate-papo, ela explicou que esses movimentos em espiral sugerem a nossa própria construção, o início de tudo, ela até citou as fitas de DNA que são espiraladas), enquanto a imagem dela, de cima, era projetada no fundo branco. Depois, desceu um "Godzilla" verde, de plástico, inflável, do lado direito do palco, e ficou suspenso por uma cordinha, enquanto imagens de vídeo do próprio eram projetadas ao fundo e ela dançava. Não lembro bem a seqüência, mas, se não me engano, depois veio a "cerimônia do chá". Ela trouxe um fogareiro e uma chaleira para o palco, deixou o suposto chá esquentando e, depois, colocou o chá em potinhos de estilo japonês e serviu para a platéia (ficou sentada de joelhos e fez um gesto convidando todos da platéia para irem buscar o chá)... no bate-papo, um moço perguntou o que era aquilo que ele havia bebido e a Letícia perguntou: "O que você sentiu?" e ele disse: "Quentão" e era quentão mesmo! Olha a quebra de paradigma!! :)) Depois disso ela vestiu uma roupa rosa e começou a dançar freneticamente, como se fosse "uma bailarina de caixinha de música que tomou LSD" (como diria a amiga gaúcha, Carol *hahahaha*). Depois disso, uma avalanche de recortes da cultura japonesa foi projetada ao fundo (recortes de filmes, propaganda, fotos dela e um vídeo que ela fez na Liberdade (bairro oriental de São Paulo)). No corpo dela havia coisas escritas a tinta preta, como: "memórias", "família", "Sekito" (em japonês), entre outras que não lembro e, na hora, lembrei do filme "O livro de cabeceira", do Peter Greenaway - no filme a moça japonesa seleciona os namorados/amantes pela caligrafia em japonês; ela faz com que os homens escrevam ideogramas no corpo dela...

No bate-papo, algumas coisas ficaram mais claras para mim, inclusive a proposta do trabalho dela, que é a de questionar a nossa própria identidade, brincar com estereótipos que os brasileiros (e talvez o mundo todo) têm do Japão, o que os elementos de outras culturas nos acrescentam, o que fica disso tudo, o que simplesmente passa (ou deixamos passar).

Gostei muito!!

Agora a apresentação vai para São José do Rio Preto, cidade onde morei por quatro anos, por causa da faculdade de tradução.

Uma coisa engraçada que aconteceu no teatro municipal (onde a apresentação aconteceu), foi quando um amigo chegou com a namorada, aí eu ia fingir que não vi, porque ele ia ter que explicar para a namorada de onde nos conhecíamos e quem eu era (não, não fizemos nada de "errado" nem "imoral", somos apenas bons amigos mesmo) - acho que isso se chama... "discrição"? :) -, mas ele deu um tchauzinho primeiro (acho que a namo dele nem percebeu) e eu acenei rapidinho de volta. Aliás, estou para ver um filme em DVD com ele há algum tempo (para depois conversarmos sobre o que vimos)...

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