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segunda-feira, 16 de abril de 2007

Tokage - Banana Yoshimoto

Esses dias têm sido uma loucura: muito trabalho e provas. Mas, apesar disso, ontem arranjei um tempo para ler um conto que eu havia guardado no micro há muito tempo (pelo menos, há um ano) e que não tinha paciência para ler na tela (tem várias páginas, mais de dez), então eu imprimi e fui ler na cama - tenho o hábito de ler deitada, sob a luminária de cabeceira.

É um conto chamado "Tokage" (se lê "Tokaguê"), da Banana Yoshimoto, e faz referência a um tipo de réptil, lagarto, típico do Japão. Esse conto foi traduzido pela Samara Wild, que fazia parte de uma comunidade de literatura japonesa do Orkut, mas depois ela saiu. Ela estava fazendo mestrado em literatura japonesa ou tradução de literatura japonesa ou algo desse tipo, e num dos tópicos sobre a Banana Yoshimoto, ela colocou o link para o conto que ela havia traduzido (parece que levou seis meses para traduzi-lo). Agora não encontro mais o link pelo Google; acho que ela tirou. A tradução está muito boa. Pena que ela saiu do Orkut e então não posso mais dar um feedback para ela (gosto de dar feedbacks positivos para as pessoas).

O conto não é, assim, uma "pérola da literatura", mas tem os seus encantos. Senti empatia pelos personagens, que são tristes e parecem viver dramas pessoais intransponíveis. Não sei se é uma tendência da literatura moderna japonesa, mas na maioria dos livros de literatura japonesa que li os personagens eram assim: meio tristes, meio eróticos, meio de outro mundo. E eu quero ler esse tipo de coisa, cada vez mais. Quero que isso entre na minha veia, quero ser contaminada por esse estilo, quero escrever mais ou menos como os escritores japoneses escrevem suas histórias e personagens... talvez porque dessa forma eu extravase a mim mesma: um ser às vezes meio triste, meio erótico, meio de outro mundo...

Nesse conto, o personagem que narra a história é um homem de quase trinta anos, médico, que de repente nota a presença da professora de ginástica do clube onde costuma nadar. Não é exatamente atração, é que ela é estranha, tem uma tatuagem de lagarto no interior da coxa, é pequena e musculosa. Ele gostava de vê-la dar aula e se sentiu estranho ao pensar que um dia ele poderia não mais ter a presença dela no clube, que ela pudesse simplesmente arrumar outro emprego ou não mais dar aula no horário em que ele ia nadar. Não sei se isso o influenciou a convidá-la para jantar. Então eles começaram a se conhecer melhor. E ele soube que ela sentia que tinha a missão de curar os outros e por isso deixou as aulas de ginástica para ser se dedicar à acupuntura e moxa (um amigo me explicou o que é "moxa" - o pai dele é massagista e também pratica (?) ou aplica (?) ou faz uso da (?) moxa -, mas agora esqueci o que é...). É engraçado que o personagem se sente atraído pela namorada por ela ser um pouco o que ele queria ser e talvez porque se identificava com a sua dor, angústia e estranheza também. Não sei se é viagem minha, mas parece que quando ela o abraçava, ele parecia sentir que estava abraçando a si mesmo... Quase no fim do conto, eles trocam segredos que marcaram suas vidas e, de certa forma, isso justifica por que são estranhos, angustiados e parecem carregar a culpa do mundo nas costas. Não sei exatamente por que não caí de amores pelo conto (apesar de ele apresentar elementos que mexem comigo)... na verdade, fiquei com a sensação de que faltou algo... ou talvez esse algo é o que eu devo imaginar (?), porque o conto termina, na verdade, ele não termina... ele faz com que a gente pense no que pode ter acontecido depois, o que é legal!

Da Banana Yoshimoto, já li "Kitchen", que minha tia emprestou há pelo menos uns dez anos, mas não lembro da história. Na verdade, nem lembro se cheguei a ler inteiro... acho que não gostei e deixei de ler - será? Mas agora fiquei curiosa para ler de novo. Vou explorar mais a obra dela para saber se gosto ou não. Gostei de ter lido "Tokage".

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