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sábado, 12 de maio de 2007

Resultado do Experimento de Price

Um amigo perguntou essa semana sobre o experimento das "mãos sujas" (na verdade, isso se chama "Experimento de Price" - Price foi o cara que idealizou a técnica) que fizemos na aula de microbiologia esses dias. Eu ia mesmo colocar o resultado aqui, ainda bem que ele me lembrou.

Essa foto (que roubei da Wikipédia) foi o que eu e a Ju vimos no microscópio no fim da aula da última segunda (as aulas de microbiologia são sempre às segundas - sempre temos aula prática no laboratório e depois subimos para aula teórica... na última segunda, tivemos prova primeiro e depois descemos para a aula prática no laboratório, quando pudemos ver como as colônias haviam crescido... como tivemos feriado, as placas estavam nas estufas há duas semanas!). Esses pontos roxos em cacho são bactérias gram-positivas (mais para baixo, explico melhor o que é isso!).

(Acho que vou começar a levar a câmera fotográfica todo dia pra faculdade. Eu queria mesmo é mostrar como ficaram as colônias (pontos circulares brancos e pontos amarelados sobre o ágar-sangue, que é vermelho! Tentei encontrar alguma foto na internet, mas não achei.)

Bom, não sei bem o que fizemos de errado, mas na "fatia" da placa que foi semeada com o material que foi colhido das minhas mãos sujas cresceram menos colônias em relação à fatia semeada com o que havia depois que lavei as mãos com detergente. Eu acho (achismo mesmo) que a Ju não molhou muito a ponta de algodão do swab na solução salina antes de esfregar na minha mão, é que acho que colher as coisas com o swab seco é mais difícil. Sei lá. Só sei que surgiram bem mais colônias depois que lavei as mãos com detergente. E, na parte em que lavei as mãos com álcool iodado, só uma colônia cresceu. No experimento dos colegas, tudo saiu como deveria ter saído! :)

Para vermos as bactérias no microscópio, fizemos a coloração (não é só colocar a colônia na lâmina e depois colocar no microscópio!).

- Colocamos uma gotícula de solução salina, que estava dentro de um tubo de ensaio, com a alça de platina (um pedaço de ferro com a ponta em círculo pequeno - vou fotografar tudo isso e depois coloco aqui!);
- Fizemos um esfregaço sobre a lâmina (coletamos uma colônia - um pontinho branco - da Placa de Petri, com a alça de platina, misturamos e "esfregamos" - daí o nome "esfregaço" - sobre a placa);
- Passamos a alça de platina sobre a chama do bico de Bunsen para matar os microorganismos (temos que fazer isso sempre antes e depois de usar a alça);
- Fiquei com a lâmina perto da chama até o esfregaço ficar com uma aparência "fosca", que indica quando ela está seca;
- Fixei as bactérias na lâmina, passando a lâmina pela chama três vezes;
- Fiz a coloração:
* coloquei cristal violeta sobre a lâmina e deixamos por 1 minuto
* lavei com água (em toda bancada do laboratório de microbiologia há uma pia)
* coloquei lugol sobre a lâmina e deixamos por 1 minuto
* lavei com água
* joguei álcool sobre a lâmina por 15 segundos (nesse caso, fiquei "banhando" a lâmina com álcool, jogando álcool sobre ela ininterruptamente por 15 segundos, nos outros casos, coloquei as substâncias e esperamos até dar o tempo - a Ju sempre conta o tempo porque ela sempre vai de relógio)
* lavei com água
* coloquei fucsina e deixamos por 30 segundos
* lavei com água
* esperamos a lâmina secar (colocamos sobre um lenço de papel macio e cobrimos);
- Anotamos e escrevemos o relatório (esses relatórios devem ser apresentados para os professores no fim da aula prática, contam ponto na nota);
- Uma das monitoras (aluna do segundo ou terceiro ano) localizou as bactérias pra gente no microscópio (às vezes encontrá-las e focalizá-las não é tarefa muito fácil) e pudemos observar algo bem parecido com a foto que coloquei nesse post, só que, no caso, havia bem mais bactérias com coloração roxa.

Essa técnica de coloração (existem várias outras) se chama "Técnica de Gram" porque foi desenvolvida pelo médico dinamarquês Hans Christian Joachim Gram no fim do século XIX e tem como objetivo identificar se as bactérias analisadas são Gram-positivas ou Gram-negativas. A etapa de coloração que define isso é a lavagem com álcool, porque como as bactérias Gram-negativas têm uma fina camada celular externa de peptideglicano (porção lipídica), o álcool dissolve essa camada e remove o cristal violeta do citoplasma (lembram das aulas de biologia do colégio? citoplasma é a porção interna das células), aí, quando vistas no microscópio, elas ficam coradas de rosa ou vermelho. Já as bactérias Gram-positivas têm uma espessa camada lipídica e o álcool não consegue removê-la, então o cristal violeta permanece no citoplasma delas (por isso, ao visualizar no microscópio, as bactérias ficam roxas/violeta).

Essa é uma técnica importante porque faz a seleção mais "básica" entre as bactérias existentes. Serve para descobrir qual o tipo de bactéria que está causando determinada doença no paciente, então, se nesse teste for observado que as bactérias são Gram-positivas (ou Gram-negativas), a possibilidade de o agente causador da doença ser do outro grupo é eliminada. E, assim, os pesquisadores vão fazendo outros testes até que, se possível, seja descoberto o gênero e a espécie da bactéria para que se possa combatê-la/combater a doença que ela está causando de modo mais eficaz.

Gostaram da aulinha? :) Talvez seja chato para quem não se interessa pelo assunto, mas eu adoro. Adoro microbiologia!!

5 comentários:

Netto Leal disse...

nussa foi otemuu suas explikaçoes....me ajudouu muitoooo...

abrigadoo...
ainda mais stou fazendo farmácia...

abs....tdo de bom

Anônimo disse...

Olha minha aula todinhha...rsrsrs

Anônimo disse...

credo na tem nada cientifico qu bosta seus bostas

Anônimo disse...

Nossa muitooo bom.. Me ajudou bastante a fazer meu relatorio, pois tive essa aula semana passada...
Faço Odonto e vc terminou sua faculidade de odonto?

Anônimo disse...

Muito bom adorei