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domingo, 24 de junho de 2007

As filhas do botânico (Les filles du botaniste) - Dai Sijie

Finalmente consegui assitir o restante desse filme hoje!

A Tati me mandou há algum tempo, mas como o leitor de DVD do note está travando, só consegui ver uma parte. E me deu um desespero porque eu queria saber o que acontecia. Eu queria ver aquelas cenas lindas de tremer os ossos... e hoje consegui! Alguém colocou o filme todo dividido em 11 partes, com som em chinês (mandarim?) e legenda em inglês no YouTube. A Tati havia me mandado o filme dublado em francês, com legenda em espanhol :). Para encontrar o filme, basta digitar "botanist's daughters" no site do YouTube. Encontrei o trailer neste site: <trailer do filme "Les filles du botaniste">.

Esse filme é do mesmo diretor de "Balzac e a Costureirinha Chinesa", que eu também amei! A fotografia dos dois filmes é deslumbrante.

Adorei "As filhas...", mas fiquei com a sensação de que tudo aconteceu muito rápido, principalmente no final.

O filme fala sobre Min, uma garota órfã, que se torna estagiária de um famoso botânico. O estágio é de um mês e meio e depois ela retornaria ao orfanato. Min acaba se apaixonando por An, a filha do botânico e professor (um homem rígido ou, em outras palavras, "tradicional e chato"), e esta sugere que ela se case com seu irmão (um militar que provavelmente iria para o Tibet depois do casamento), para que elas continuem juntas. Min faz o que An diz, e as duas sofrem.

Há cenas maravilhosas que mexem com todos os sentidos de quem está assistindo. Há um erotismo evidente, mas nunca vulgar (adoro o cinema asiático por causa disso - em geral, as cenas com erotismo nunca são vulgares).

Passei um e-mail para a Tati, logo depois de ter assistido ao filme, comentando que achava que, como as plantas do jardim, Min e An eram "raras" por sentirem o que sentiam uma pela outra nessa profundidade. E, como as plantas do jardim, uma precisava do cuidado uma da outra.

Gostei de muitas passagens, como:

- a cena em que a Min olha a An preparando uma pasta de ervas (parece uma massa de pão) com os pés, sobre uma onda de vapor, e comenta: "você é tão linda..." e a An apenas sorri;

- quando a Min está tomando banho em uma tina, dentro de uma "estufa" para plantas, e a An chega de roupão roxo, por trás, e joga um pouco de água nas costas dela e a acaricia e, depois, a Min se levanta (está só de calcinha) e a An deixa o roupão cair no chão e se aproxima, entra na tina e as duas se abraçam e se beijam;

- quando elas se encontram na ponte, na noite anterior ao casamento, e a Min diz algo do tipo: "a minha virgindade pertence a você" e a An responde: "Eu também pertenço a você" e as duas fazem amor ali mesmo (as cenas são sublimadas);

- quando a An tira a Min para dançar no casamento dela com o irmão (a Min está linda, num vestido vermelho, tipicamente chinês);

- a parte em que a An prepara uns vapores alucinógenos e a Min se deita em seu colo e consegue, de certa forma, se comunicar com a mãe (ela perdera a mãe e o pai quando tinha menos de três anos, num terremoto, e não se lembrava de nenhum deles), então a An a abraça, como quem abraça uma criança. (A foto do post mostra essa parte.)

Essa última cena que descrevi me faz pensar se o fato de as duas serem órfãs de mãe fez com que elas se buscassem também como uma forma de suprir a falta materna...

Esse filme poderia vir para o cinema daqui. Se vier, eu vou ver na telona. Vale a pena.

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