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sábado, 2 de junho de 2007

A hora da estrela - Suzana Amaral

Ontem quebrei o "jejum" forçado e assisti ao filme "A hora da estrela". Fazia um bom tempo que eu não via nada. Já estava entrando em crise de abstinência :). Eu também me alimento de cinema e literatura.

Fazia tempo que eu queria ver esse filme, mas só por esses dias encontrei-o para comprar no Mercado Livre (DVD extraído de VHS).

Li o livro em que o filme foi baseado há uns dez anos (!), quando estava no colegial, porque, na época, esse livro estava na "lista de leitura" dos vestibulares da USP e Unicamp (e outros, de outros estados). De longe, era o melhor livro da lista, porque tinha uns lá, que vou lhes contar, viu? Duríssimo para estudantes de 15, 16, 17 anos ler... a maioria parecia não dizer respeito a mim. Chaaaaaaaaaatos. (Isso porque eu gosto de ler... mas não é todo tipo de obra que me toca.)

Em geral, os filmes baseados em obras literárias que vejo são bem inferiores à obra original, mas, dessa vez, me surpreendi, o filme é MUITO bom. Eu ia vendo as cenas e me lembrando do livro. A atriz que interpreta a Macabéa (protagonista), Marcélia Cartaxo, é ótima. A Fernanda Montenegro faz o papel da cartomante e tem umas falas cômicas - eu não lembro de ter visto a Fernanda fazendo outros papéis cômicos... foi uma surpresa agradável.

O livro e o filme contam a história de Macabéa, uma imigrande nordestina no Rio de Janeiro (?), que trabalha como datilógrafa numa micro-empresa, ganha menos de um salário mínimo, come cachorro-quente e toma Coca-Cola, "porque é barato", mora com mais três moças numa pensão. A "ignorância" dela é mostrada de modo ingênuo e poético. Ela quer entender as coisas, o significado das palavras. Senti compaixão por ela; sem pensar, eu já fui gostando dela. Um dia, ela conhece Olímpico, um operário, também imigrante nordestino, com quem passeia e tenta manter um diálogo. É para ele, principalmente, que Macabéa dirige perguntas como: "o que é 'usuário'?", "o que significa 'Olímpico'?", "por que...?", perguntas para as quais Olímpico não tem resposta e reage meio agressivamente, pois vê nas perguntas dela, algum tipo de ameaça. Ele tem mania de grandeza.
Quando a colega de serviço de Macabéa vai à cartomante, esta lhe diz que, para encontrar um marido, ela precisa realizar alguns "trabalhos", entre eles, tomar o namorado de uma amiga. Essa colega então seduz Olímpico, que um dia diz à Macabéa que encontrou outra pessoa e que não quer mais namorá-la. Ela fica muito mal. Pede aspirina à colega, por causa da dor (ela não sabe onde dói, só sabe que dói). E, talvez por remorsos, a colega lhe empresta um dinheiro para pagar um táxi e também a cartomante, para que Macabéa possa saber seu futuro.
A cartomante lhe diz que ela vai ser feliz, vai encontrar um "príncipe", um homem estrangeiro, de olhos claros, rico, bonito, que vai pedi-la em casamento. Ela ri, fica feliz, acredita. Mas o fim da história é outro. Para saber, só lendo o livro ou vendo o filme :). O livro é curtinho, não dói nada.

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