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quinta-feira, 21 de junho de 2007

Quebra de rotina

Ela tem essa cruz gótica tatuada no braço esquerdo.

Eu queria uma imagem que a representasse. Estava difícil, até que encontrei essa foto que ela me enviou (fiquei enchendo para ela me mostrar a tatuagem nova - e, acho que de tanto eu encher, me enviou essa e eu guardei). A tatuagem talvez dê uma leve idéia de quem ela é e de como ela pensa.

Não sei há quanto tempo conheço a Adriana. Não sei há quantos anos. Não lembro onde (em que chat? acho que foi lá que) nos conhecemos. Sei que, na época, ela morava em Porto Alegre (é gaúcha), depois foi para os EUA fazer parte do doutorado (nos conhecemos pessoalmente quando ela veio à São Paulo tirar o passaporte), e agora mora em Curitiba e quer vir para São Paulo.

Apesar de nossas conversas não serem tão constantes (ou talvez por isso mesmo?), eu sempre fico contente em falar com ela. A guria tem mil histórias, é bem engraçada. Ela veio à São Paulo de novo ontem (quarta) e eu fui vê-la. Veio fazer um concurso para dar aula em uma universidade e depois, como tinha a tarde livre, ficamos conversando. Enquanto ela ia falando, eu ia pensando: "Como somos multifacetados"... e a maioria só conhece e sempre vai conhecer só uma parte de nós, a máscara que escolhermos vestir para cada ocasião. Quantos amigos dela terá ouvido o que ouvi ontem à tarde? É legal ter esse canal de comunicação sem reservas. Tentativas de se conhecer um pouco mais o outro, o mundo dos outros, olhares alheios ao nosso.

Depois que me despedi dela, senti um troço estranho. Uma angústia, mas da boa. O tipo de angústia que faz com que eu queira mudar o caminho antes traçado e que eu julgava "o certo a fazer". Sendo que, na verdade, não há "certo" e "errado". Tudo é relativo. E tudo são escolhas.

Teve uma hora em que falamos sobre "fechar ciclos" e me dei conta de que todos os meus ciclos estão em aberto. Eu deveria fechar alguns para poder prosseguir em paz. Tomar algumas decisões. Fugir? Ficar? Assumir responsabilidades? Assumir escolhas. Assumir as minhas escolhas.

Ontem pensei seriamente sobre x, y e z. Me dá um medo paralizante. Me dá um medo de escolher errado.

Pensei em trancar a faculdade no fim do ano e ir pro Japão. Trabalhar em algo que não exija muito de mim (mentalmente falando) e esperar que isso seja, de algum modo, proveitoso. Esquecer todo o resto e me concentrar no que eu quero, onde eu quero chegar (se é que eu preciso chegar em algum lugar?). Estar no Japão deve ser bom pra se pensar em si mesmo, já que todo o resto provavelmente pareceria não nos dizer respeito (?). Estar em algum lugar que não conseguimos entender, estar ilhados, faz com que a gente se volte para dentro, para nós (?) - é o que dizem; foi o que a Sofia Coppola disse a respeito do filme "Encontros e Desencontros" ("Lost in Translation"). Por aqui, coisas sem importância (?) me dispersam e eu me perco. Não sei o que é muito importante, menos importante ou completamente inútil.

Ainda estou curtindo meu momento pós-Adriana.

Adoro essas pessoas que provocam pequenos terremotos em mim. Bagunçam minhas idéias, planos, conceitos. E depois eu fico tentando me arrumar, colocar tudo dentro das devidas gavetas, prateleiras. Inutilmente, porque nada volta a ficar como antes.


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