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sábado, 9 de junho de 2007

Tão veloz como o desejo - Laura Esquivel

Terminei de ler esse livro ontem, entre estudos de anatomia, bioquímica, japonês e leitura dinâmica.

Eu já havia começado a lê-lo há tempos por indicação da Nana, mas por vários motivos, a leitura foi se arrastando. Lia algumas páginas por dia antes de dormir, na cama, e, no dia seguinte, não lembrava mais do que havia lido e tinha que voltar a ler. Não presta ler assim, com sono e cansaço. Mas a vontade é enorme. Ser acalentada por palavras alheias antes de dormir.

Bom, vamos ao livro. Eu não gostei dele. Não que não seja literatura ou que seja "literatura ruim" (quem sou eu para afirmar esse tipo de coisa, não?), mas, como leitora, não gostei desse romance e, provavelmente, não lerei mais nada da Laura Esquivel, que também escreveu "Como Água para Chocolate" (como a capa do livro que li não nos deixa esquecer... entre o nome da escritora e o título do livro, está escrito: "autora de Como Água para Chocolate"; aliás, agora que notei, o nome da escritora GRITA na capa, o título está em fonte bem menor - ou seja, deduzo que a escritora é mais importante que a obra?). "Como Água para Chocolate" é um livro famoso porque virou filme - não vi o filme e nem li o livro... talvez daqui a alguns anos, quando a má impressão tiver passado, eu leia o livro e assista ao filme, ou o contrário, assisto ao filme e, se eu achar que não presta, nem perco tempo lendo o livro. É mais lógica a segunda opção, né?

Não basta dizer "não gostei", é preciso explicar. E eu explico.

Primeiro, acho que a Laura escreve demais. Eu cortaria vários trechos, principalmente os que não têm muita ligação com o livro (explico mais para frente) e os que carregam muito no sentimentalismo-quase-breguice. É preciso deixar algumas coisas implícitas. Não precisa escrever tudo, não precisa soterrar o leitor com adjetivos. Os leitores somos inteligentes e criativos para imaginar entre as lacunas do texto.

É um livro sobre desejo, paixão, ódio, comunicação, velhice, laços, família, orgulho maia. Conta a história de Júbilo e Luz María (Lucha), que, desde a primeira vez em que se viram, não conseguiram mais se separar. Há dificuldades econômicas, dificuldades entre eles, tragédias, romance, os filhos.

A história ora é narrada por um narrador onisciente, ora por Chuva, filha de Júbilo que, no momento presente, está muito debilitado. Há passagens descritivas que lembram a escrita de Gabriel García Márquez...

Explicando melhor "o que eu acho que não tem muita ligação com o livro" que escrevi acima, no meio da narrativa, ela me põe isso:

"[...] Para ele, sua esposa era como uma espécie de "Máquina Enigma", esse aparelho inventado pelos alemães para mandar mensagens em código durante a II Guerra Mundial.
O conflito armado serviu-se do uso do rádio como uma arma de guerra fundamental. Através dele, eram enviados sinais às tropas que estavam no front e que corriam o risco de ser interceptados com facilidade pelo inimigo. A única coisa necessária para conseguir isso era um aparelho sintonizado na mesma freqüência que o inimigo.
O exército alemão, fiel à sua rígida disciplina, costumava enviar suas mensagens [...]"

Blablablá.

(O itálico é meu, onde começa a parte desconexa.)

Fiquei um pouco irritada, porque essa parte está do meio para o final (páginas 138 e 139 de um total de 171) e eu estava querendo chegar logo ao fim, saber que fim levam os personagens e ela me vem com esse blablablá técnico que quebra todo o ritmo da narrativa ficcional. Totalmente desnecessário!

Chorei no fim do livro, quando Lucha vai conversar com o marido, com quem não falava há uns 30 anos e também quando ele morre.

A mensagem que ficou para mim foi a de que devemos nos comunicar sempre; muitos dos desentendimentos entre Júbilo e Lucha aconteciam porque, depois de um tempo de casados, eles não conversavam como deveriam, falando tudo um para o outro, deixando lacunas, embora se amassem muito. E, também, que não devemos acusar os outros só porque deduzimos que eles fizeram isso ou aquilo - há uma cena bem forte em que Júbilo chama Lucha de "puta", porque, pela primeira vez, ela havia chegado tarde em casa (uma amiga do trabalho fora estuprada pelo chefe de ambas e ele deduziu que ela havia saído com esse chefe). Chamou-a de "puta" logo após ambos se darem conta de que um de seus filhos havia morrido asfixiado no berço e sem saber o que, de fato, havia acontecido para ela ter chegado tarde.

O livro não me acrescentou muito, mas foi bom para eu sentir o estilo da Laura Esquivel.

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