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domingo, 1 de julho de 2007

Lady of Musashino - Kenji Mizoguchi

Ontem vi esse filme do Mizoguchi. Que eu me lembre, nunca tinha visto outro filme desse diretor antes. O filme é em branco e preto e foi lançado em 1951.

Não sei se, na época do lançamento, foi um filme interessante, mas achei monótono. Meio "historinha pra boi dormir", típica de romances românticos...

Michiko, a dama de Musashino (uma região perto de Tóquio) é uma mulher cheia de dramas. Perdeu os pais, casou-se com um homem que não a ama e é mulherengo que, aparentemente, só está interessado na herança dela (casa e terreno que os pais deixaram), ama um primo que lutou na II Guerra e voltou há pouco tempo, Tsutomu. Como na maioria dos filmes japoneses, aqui também há um erotismo velado: olhares entre Michiko e Tsutomu.

Um outro primo de Michiko, vizinho dela, é casado com uma mulher vulgar e "galinha" - que quer, a qualquer custo, seduzir Tsutomu, sem sucesso. O marido de Michiko e ela tramam ficar juntos e roubar a propriedade de Michiko. Ele diz que vai se divorciar da Michiko (nessa parte, me deu vontade de surrar a Michiko, porque ela, muito submissa, diz: "Por favor, não se divorcie de mim, você pode fazer o que quiser [leia-se: "ficar com quem quiser"] que eu não vou falar nada") e logo depois, foge com a "cunhada" (esposa do primo da esposa) e, detalhe: a mulher larga a filha de uns sete anos sem hesitar.

Apesar de Michiko amar Tsutomu, ela acha que não é certo ficar com ele (apesar do exposo não amá-la, de ela não estar feliz, de ele já ter fugido com a "galinha" da exposa do primo) e não fica. Ela diz que todos deveriam fazer o que acham certo e é isso que ela acha certo para ela: não ficar com ele.

Eu estava lendo algumas críticas na net e parece que o filme quer retratar a sociedade pós-guerra, esse período de transição (no filme aparecem personagens mais "moderninhos" vestidos de modo ocidental e ouvindo músicas americanas e também mulheres de quimono, como a dama de Musashino, por exemplo, que simbolizaria a transição entre o passado e o presente (?) do Japão).

Tsutomu é um personagem razoavelmente interessante... ele dorme com várias garotas e chega uma hora em que ele se pergunta: "o amor não pode ser isso... tem de haver algo mais". E aí ele vai percebendo que está apaixonado por Michiko, uma mulher que ele nunca vai ter.

Esse filme não me acrescentou muito, mas, de qualquer forma, gostei de conhecer mais um diretor japonês. Tenho um outro filme desse diretor para ver, "The life of Oharu"; assim que eu assistir, comento.


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