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domingo, 22 de julho de 2007

Teresa Filósofa - Anônimo do século XVIII

Acabei de ler este livro agora pouco e recomendo aos leitores menos pudicos e/ou que não sejam hipócritas.

Embora, na época em que foi escrito, fosse de autoria desconhecida, hoje, com base em não sei exatamente que pesquisas, a autoria é atribuída a Jean Baptiste de Boyer, o marquês d'Argens, nascido em 1704 e morto em 1771.

É um livro incomum, pelo menos para mim, porque mistura sexo e filosofia. O temperamento de Teresa (a protagonista e narradora de sua própria história), que se interessa por sexo, mesmo sem saber o que é o sexo propriamente dito, faz com que ela busque respostas para os seus questionamentos sobre sexo, Deus, sociedade, natureza, pecado.

O livro é, na verdade, um tipo de carta escrita para o seu amante, o Conde de... (o nome de alguns personagens, Teresa não revela, por discrição), o que só vamos saber quase no fim do livro. Nessa "carta" ela narra sua história, seus aprendizados sexuais e filosóficos, desde a infância. Ao longo de sua vida, conhece várias pessoas que ajudam a formar seu pensamento e a encontrar respostas para os seus questionamentos. O livro, através dos personagens, questiona muito os "valores cristãos" impostos pela Igreja, o sexo como algo "pecaminoso" (e Teresa se questiona como as pessoas, que são obras de Deus, podem cometer "pecados sexuais" quando, na verdade, a sexualidade é algo intrínseco a elas, concedido por Deus) e a "honra" da virgindade perante a sociedade.

O livro foi escrito no século XVIII e mesmo assim me soou tão atual! A maioria das pessoas continua com o mesmo pensamento, os mesmos preconceitos, encarando o sexo e a "honra" da mesma forma que naquela época... o que me faz pensar que alguns aspectos culturais não vão mudar nunca, o que, talvez, faça com que a nossa "evolução" seja comprometida (?).

É muito interessante perceber o amadurecimento, tanto sexual como intelectual, de Teresa, ao longo do livro. No começo, ela é uma jovem ingênua, insegura, que se julga "pecadora", convive com a contradição de amar a Deus e também o sexo (embora não cometa "pecados carnais", ela fantasia muito e vive se masturbando ao se imaginar em situações libidinosas), sente culpa. No fim do livro, ela já é uma mulher mais cheia de si, convive bem com sua sexualidade e dá a entender que o amor que ela sentia/sente por Deus é compatível com o amor pela filosofia, pelo conhecimento, e, também, com sua sexualidade.

Escrevi o "geralzão" do livro. Não teria graça contar todos os pormenores, porque talvez as pessoas que lerem esse post resolvam ler o livro, então, vou deixar que descubram Teresa por si próprios. E garanto que vão gostar dela, tanto quanto eu gostei.


2 comentários:

Anônimo disse...

Querida Aline:

Como aluno de Letras, tenho estudado - até com fins de preparar minha dissertação de mestrado -, tudo que diz respeito a este livro extraordinário chamado Teresa filósofa. Na verdade, seria muito difícil, diria até impossível, resumir a obra em cerca de 1500 caracteres, como você você. De qualquer forma, me sinto feliz por saber que ainda existem pessoas de bom gosto num país que faz questão de cultivar o vulgar e o ruim, como - infelizmente -, é o nosso. Abraço respeitoso e boa sorte nas suas próximas investidas literárias, principalmente no que diz respeito à Filosofia libertina, a essência da essência de Teresa filósofa.

Anônimo disse...

Querida Aline:

Como aluno de Letras, tenho estudado - até com fins de preparar minha dissertação de mestrado -, tudo que diz respeito a este livro extraordinário chamado Teresa filósofa. Na verdade, seria muito difícil, diria até impossível, resumir a obra em cerca de 1500 caracteres, como você você. De qualquer forma, me sinto feliz por saber que ainda existem pessoas de bom gosto num país que faz questão de cultivar o vulgar e o ruim, como - infelizmente -, é o nosso. Abraço respeitoso e boa sorte nas suas próximas investidas literárias, principalmente no que diz respeito à Filosofia libertina, a essência da essência de Teresa filósofa.