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domingo, 30 de setembro de 2007

Causei!

"Acho que a Aline fica pensando no que falar pra gente antes de dormir... acho que ela inventa essas coisas só pra impressionar...". HAHAHAHA. A Mariana, do trabalho, colega de faculdade do terceiro ano, que comentou mais ou menos isso sobre mim há algum tempo.

As meninas comentam que falo muitas "pérolas", as "pérolas da Aline". O que é injusto, porque todos naquele departamento/naquela sala soltam muitas "pérolas" também! E só eu levo a fama...

Às vezes eu "causo", mas é sem querer! Uma vez, o Vitor fez uma cara séria e disse: "Preciso falar uma coisa muito séria com você... vi no seu Orkut...". Lembrei na hora que eu tinha trocado o status de "solteira" para "relacionamento aberto" e falei: "Ah, é por causa do 'relacionamento aberto'?" e ele disse que era. Pra quê. Causei um alvoroço no departamento "só" porque falei que não me importaria se meu namorado ficasse com outras meninas, DESDE QUE eu soubesse disso, então eu estaria livre para fazer o mesmo (ficar com outras pessoas). Todos ficaram chocados... HAHAHAHAHA. E o Vitor concluiu que sou "uma mulher à frente do meu tempo". Bom, eu diria apenas que, por enquanto, não sou uma pessoa hipócrita. Cumpro acordos, sou leal, não gosto de mentiras, não gosto de "indiretas".

Mas, aproveitando que "causei" no trabalho, vou escrever um pouco mais sobre essa questão.

Em geral, acho a relação amorosa meio egoísta. A maioria das pessoas (amigos íntimos, pelo menos) pensa ou deseja mais ou menos isso: "Eu amo e espero o mesmo do ser amado", "Eu amo e espero que quem amo me coloque num pedestal e me ame mais que todas as outras pessoas", "Ela terá de ser fiel a mim, só vai dormir comigo". Para mim, isso é meio bizarro. Eu amo e ponto. E o amor é isso. O amor não exige, o amor não sufoca, pelo contrário, liberta.

Vejo a relação amorosa como um encontro de duas pessoas que têm afinidades e vão ajudar no crescimento uma da outra. Eu amo a pessoa e ela está livre para fazer o que quiser, livre para buscar a si mesma em mim, em outras pessoas, em mundos e submundos que julgar necessário, assim como eu também tenho as minhas necessidades individuais (que nem sempre são compatíveis com o que a pessoa pensa/aceita/quer). É difícil saber das necessidades das outras pessoas. Por exemplo, dificilmente alguém diria para namorado(a)/noivo(a)/esposa/marido: "Sinto tesão por Fulana ou Fulano" ou "Sábado passado, na verdade, eu não estava fazendo hora-extra, na verdade mesmo, eu estava com amigos no bar e depois fomos para um puteiro porque eu precisava estar com outras mulheres" ou "Desculpe, meu bem, mas não pude resistir ao charme de um colega da faculdade/trabalho e ontem fomos para o motel", pois isso causaria um tremendo mal-estar e (óbvio que) abalaria a relação. Somos egocêntricos. Preferimos acreditar que somos "únicos" e, sendo "únicos", precisamos acreditar que somos amados sobre todas as coisas. Para mim, basta me saber amada. Tenho noção de que não sou tão única e nem a mais incrível. Mas que tudo seja eterno e intenso enquanto durar.

Outra coisa que falei (causei 2!) é que "quem ama trai". Para mim, fidelidade não é termômetro do amor. Para mim, seria bem mais confortável que a pessoa com quem tenho compromisso saísse com outras pessoas e se sentisse bem do que se fosse fiel a mim e se sentisse infeliz, interrompida em suas possibilidades. O objetivo do amor não é esse: algemar as pessoas dentro de parâmetros sociais aceitáveis. O amor é libertário. Ou pelo menos deveria ser.


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