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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

ÊÊÊ! Terminei de ler "Fahrenheit 451", um livro que todo mundo deveria ler!

E minha filha vai se chamar "Clarisse" ou "ClariCe", uma dupla homenagem. À Clarisse, personagem deste livro e à Clarice Lispector, que eu também amo.

O livro foi escrito na década de 50 e fala sobre uma época em que as pessoas são completamente alienadas pela mídia, em especial a TV - o sonho de consumo da maioria parece ser 4 telões, para ser colocados um em cada parede, em que personagens "interagem" com o público -, e proibidas de ler. Quem lê é considerado "subversivo" e é queimado pelos bombeiros (que, no contexto, queimam livros e pessoas que lêem e pensam e suas casas).

Montag é um bombeiro que um dia conhece Clarisse, uma garota que mora na casa ao lado da dele. Ela conversa com ele sobre "coisas estranhas", ele a acha uma pessoa diferente. E, a partir desse encontro, ele começa a contestar uma série de coisas, inclusive a vida que ele levara até ali. Clarisse detona uma transformação nele, numa época em que as pessoas conversam sobre coisas banais, sobre personagens da TV, sobre o nada.

Abaixo, transcrevo um dos trechos que achei mais "tapa na cara" da "sociedade de massa". Fiquei pensando se eu fosse completamente "da massa", se conseguiria entender a crítica e se isso me transformaria. Acho que todo mundo pode (e talvez deva) assistir TV, mas com espírito crítico fica bem melhor. É uma fala do chefe dos bombeiros, Beatty, quando ele vai até a casa de Montag, para saber por que ele não foi trabalhar (ele estava preferindo ler, estava se transformando e pensando que não fazia mais sentido continuar sendo bombeiro).

"- Por sorte, esquisitos como ela são raros. Sabemos como podar a maioria deles quando ainda são brotos, no começo. Não se pode construir uma casa sem pregos e madeira. Se você não quiser que se construa uma casa, esconda os pregos e a madeira. Se não quiser um homem politicamente infeliz, não lhe dê os dois lados de uma questão para resolver; dê-lhe apenas um. Melhor ainda, não lhe dê nenhum. Deixe que ele se esqueça de que há uma coisa como a guerra. Se o governo é ineficiente, despótico e ávido por impostos, melhor que ele seja tudo isso do que as pessoas se preocuparem com isso. Paz, Montag. Promova concursos em que vençam as pessoas que se lembrarem da letra das canções mais populares ou dos nomes das capitais dos estados ou de quanto foi a safra de milho do ano anterior. Encha as pessoas com dados incombustíveis, entupa-as tanto com "fatos" que elas se sintam empanzinadas, mas absolutamente "brilhantes" quanto a informações. Assim, elas imaginarão que estão pensando, terão uma sensação de movimento sem sair do lugar. E ficarão felizes, porque fatos dessa ordem não mudam. Não as coloque em terreno movediço, como filosofia ou sociologia, com que comparar suas experiências. Aí reside a melancolia. Todo homem capaz de desmontar um telão de tevê e montá-lo novamente, e a maioria consegue, hoje em dia está mais feliz do que qualquer homem que tenta usar a régua de cálculo, medir e comparar o universo, que simplesmente não será medido ou comparado sem que o homem se sinta bestial e solitário. Eu sei porque já tentei. Para o inferno com isso! Portanto, que venham seus clubes e festas, seus acrobatas e mágicos, seus heróis, carros a jato, motogiroplanos, seu sexo e heroína, tudo o que tenha a ver com reflexo condicionado. Se a peça for ruim, se o filme não disser nada, estimulem-me com o teremim, com muito barulho. Pensarei que estou reagindo à peça, quando se trata apenas de uma reação tátil à vibração. Mas não me importo. Tudo que peço é um passatempo sólido." (pág. 79-80)

Livro: Fahrenheit 451
Autor: Ray Bradbury
Páginas: 196 (só o romance); total com complementos: 216
Tradução de: Cid Knipel
Editora: Globo (edição de bolso)
Ano: 2007
Preço: (SÓ) R$ 11 no Submarino! (Mas o meu comprei na MaxSigma, provavelmente pelo mesmo preço - uma amiga me deu um vale-presente e troquei por 3 (TRÊS!) livros, no começo de 2008!)

Tem também o filme homônimo, que é maravilhoso!

Agora comecei a ler "Ensaio sobre a cegueira"! \O/

Um comentário:

radek piskorski disse...

Aline, lembra de mim, o Rodolfo? =) Vim parar aqui no teu blog e você tá falando do Bradbury! Não li Farenheit, mas é muita coincidência. Fiz uma disciplina de Escrita Imaginativa e lemos um conto dele, "The Pedestrian". Acabei usando esse conto para fazer um workshop de análise literária em uma turma minha de inglês avançado (dou aulas de inglês agora!). Se quiseres posso te passar. É parecido com o Farenheit, mas, como o Bradbury mesmo diz, o Farenheit é a única história de ficção científica que ele escreveu. =)