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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

The Life of Oharu - Kenji Mizoguchi

Então que, depois de um dia cheio de pequenas tragédias, deito no sofá para assistir a um filme.

Escolhi o "melhor" para o dia. Uma tragédia japonesa.

Era tão tragédia que dormi no meio dele. Mas vamos lá:

Um trabalhador comum se apaixona pela Oharu, que pertencia a uma família de origem nobre. Eles são pegos em flagrante num tipo de motel da época; o trabalhador, que se dizia apaixonado por ela, é executado e ela e os pais, expulsos da cidade.
Algum tempo depois, ela é escolhida para gerar o filho do "Lord Matsudaira" (uma importante família de samurais); depois que tem o filho, é devolvida para a família. Como o pai tinha contraído uma dívida e não podia pagar, ela é vendida para trabalhar em um tipo de prostíbulo. Ela arruma confusão e acaba saindo desse lugar; vai trabalhar na casa de um casal, como "secretária do lar" e fazia o cabelo da mulher (a mulher era meio careca) - não sei se interpretei bem, mas depois que o homem ficou sabendo que ela tinha trabalhado numa zona de prostíbulos, estuprou ela (as cenas são muito sutis, mas dá a entender isso, porque ele vai atrás da Oharu quando a esposa está na igreja, rezando). Ela então se casa com um homem que tem um tipo de mercearia, mas ele é logo assassinado por ladrões que roubam o dinheiro dele. Ela tenta ser freira, mas não dá certo (a madre-superiora interpreta um acontecimento de maneira completamente diferente do que realmente aconteceu - um homem fora cobrar Oharu pelos quimonos que ela havia supostamente ganho de um outro homem; ele diz que os quimonos não haviam sido pagos, ela tira e joga tudo no chão, e diz que ele pode levar, o homem bisbilhota para dentro do quarto onde ela vai tirar a roupa de baixo/os quimonos de baixo e começa a tirar a roupa... a madre entra nessa hora). Ela foge com um ex-colega que trabalhava no prostíbulo e que dizia gostar dela - esse cara é levado por outros homens, talvez porque ele tinha dívidas. Ela é chamada pelo clã Matsudaira e os caras pedem para ela manter segredo sobre o fato de ela ter sido prostituta, pois isso seria uma vergonha. Ela foge e vai ser mendiga. Fim.

Triste ser mulher japonesa. Triste ser mulher, aliás. Esse filme é interessante do ponto de vista "antropológico", porque explica um pouco de onde vem o machismo japonês e a submissão da mulher - que perdura até hoje, e que se reflete nos salários, por exemplo (o homem e a mulher podem ter o mesmo cargo, mas a mulher ganha menos). No Brasil, também deve ser assim (o Rafael do trabalho uma vez comentou que, de certa forma, o fato de haver muito mais dentistas mulheres do que dentistas homens no mercado se refletia na queda do salário - isso é UM dos milhares de fatores -, porque, supostamente, "a mulher não é aquela que sustenta a casa", logo, pode ser explorada e mal paga, porque, na cabeça de quem explora, as dentistas sempre têm um marido, que é aquele que paga a maioria das contas... é para ter vontade de me matar ou não?!).

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