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domingo, 8 de março de 2009

CuSo Games 2009

No fim de semana passado (28/03 e 01/03) fui para um sítio em Atibaia-SP, com o pessoal da Abeuni. Fazia muuuito tempo que eu não dava as caras por lá - mas sinto que, quando não há intimidade, quanto mais se adiam reencontros, mais difíceis eles vão se tornando, então decidi ir e ver o que acontecia; algumas pessoas comentaram coisas do tipo: "Há quanto tempo!", sinal de que se lembravam de mim.
O CuSo Games é organizado pelas comissões Cultivo e Social (daí a sigla: CuSo; em tempo, "kussô" significa "merda" em japonês... é um trocadilho para o nome ser supostamente engraçado) e consiste basicamente em passar um fim de semana socializando e praticando esportes entre os departamentos. Eu fiquei no time roxo, que reunia: POD (profilaxia odontológica, do qual faço parte) + FARM (Farmácia) + SEC (Secretaria).
Ainda estou tentando sentir o que (e se) posso acrescentar algo para a associação. Tenho vários tipos de sentimentos quando estou participando de atividades abeunenses que não consigo explicar direito; às vezes me sinto muito velha para fazer parte disso, às vezes não consigo acreditar que existam pessoas tão boas no mundo, às vezes admiro/contemplo as pessoas visivelmente engajadas e que acreditam estar mudando o mundo, às vezes acho bobagem perder (ganhar?) tanto tempo com integração entre os membros, enquanto pessoas continuam esperando qualquer tipo de ajuda lá fora, às vezes sinto como se fosse um gueto de orientais (a grande maioria dos membros é de descendentes de japoneses - estranhamente, fui introduzida lá por uma amiga descendente de bolivianos), às vezes me sinto muito só e muito estranha entre tanta gente. Não sei ainda se teria capacidade de pedir para ser mais ativa (ou seja, entrar em alguma comissão organizadora, participar ativamente disso e sentir que meu esforço e investimento de tempo estão sendo válidos), até porque não sei até onde vai a minha capacidade de trabalhar em equipe. Se algum abeunense mais fervoroso ler isso, provavelmente ficará indignado (?), mas a verdade é que ainda não senti se vale a pena me doar para a associação. Daí fico pensando se é a minha praia ou não, se desisto de participar, se acredito e me engajo fervorosamente ou não. Não consegui me apaixonar totalmente por tudo, por isso a hesitação... e, sem paixão, eu não consigo fazer as coisas muito bem, sei que chegaria uma hora em que eu teria vontade de jogar tudo pro alto e "foda-se". Talvez me sentisse mais confortável ajudando alguma outra instituição que, por exemplo, distribui refeições toda noite para os moradores de rua do centro de SP ou que alfabetiza adultos (aliás, é um dos meus sonhos trabalhar com alfabetização voluntária de adultos). Penso que a integração entre os voluntários se dá por afinidades, como acontece no mundo não-utópico, e não são necessárias tantas "coisinhas" para que todo mundo fique amigo (para falar a verdade, me incomoda um pouco esse... artificialismo? não sei definir o que é). Uma vez ouvi alguém comentando que a Abeuni, em geral, atraía pessoas que não conseguiam se relacionar com outras no "mundo real", pessoas introvertidas, com problemas sérios de relacionamento interpessoal, por isso tinha que ter essas "coisinhas", para as pessoas aprenderem a se socializar. Na hora, pensei: "que comentário bizarro", mas, observando um pouco melhor, às vezes sinto que há um quê de verdade nisso... e às vezes as pessoas "socializam" tanto, querem extravasar TANTO e ser e fazer tudo o que não fazem no mundo em que vivem e isso me faz repensar nos propósitos da Abeuni. Ajudar os outros é só uma "desculpa" para reunir pessoas esquisitas e isso vai ajudá-las a ser um pouco melhores para si e para a sociedade, desenvolver habilidades psicomotoras, de comunicação interpessoal, criatividade, organização, etc?
Apesar de toda a minha confusão mental em relação à Abeuni, eu gostei de ter ido. Conheci melhor a Vitória e o Oba, da POD, além de ter conversado um pouco melhor com várias outras pessoas e jogado (ter tentado jogar) futebol. Também participei do "monges", uma brincadeira (?) que acontece de madrugada, tipo trote, com tinta, farinha, café e muitas outras sujeiras., dentro de um determinado contexto (o tema desse último monges foi "programas de TV que passam de madrugada").. apesar de meio retardado, adorei! hahaha...
Não queria ser tão lerda em percepção, queria ter conclusões rápidas e acertadas, então eu saberia melhor por onde ir...

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