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sexta-feira, 27 de março de 2009

Histórias que os tradutores contam...

Eu pretendia escrever um esboço de livro sobre a minha convivência com tradutores, mas como provavelmente não terei disciplina suficiente para fazer isso, abri essa nova tag e vou contar "as histórias fabulosas que os tradutores contam" aqui mesmo.

De onde surgiu a ideia? Segunda-feira passada vivi um episódio excêntrico (O fabuloso destino de Aline Naomi - rá!) e como sinto que isso vai se tornar corriqueiro, deu vontade de compartilhar. São histórias fabulosas, incríveis, tragicômicas. Agradeço antecipadamente a todos os tradutores-personagens porque sem eles minha vida certamente não seria assim cada vez mais interessante!! Hahaha...

Segunda, dia 23, comecei minha segunda semana na nova função. Entre as milhares de coisas que preciso fazer está a coordenação de tradutores freelance. A Lana já tinha comentado que é normal os tradutores atrasarem a entrega dos livros traduzidos, mas como alguns nem deram satisfação, mesmo estando com a entrega atrasada há uma semana, enviei e-mail para perguntar se precisavam de mais prazo ou se tinham ideia de quando poderiam entregar. Algum tempo depois de ter enviado o e-mail, uma das tradutoras me ligou, dizendo que não ia mais traduzir um livro sobre bruxaria que ela tinha assumido. Parecia transtornada. Disse que só faltavam um capítulo e a conclusão, mas que estava se sentindo muito mal, que estava tendo problemas de "ética" com o conteúdo do livro e recomendou que o livro não fosse publicado (ooi?). Ela ficou falando por um tempo, enquanto milhares de coisas passavam pela minha cabeça e eu não conseguia falar nada. Comentou também que havia sonhado que o livro não deveria ser publicado e que "coisas" começaram a acontecer na casa dela - "coisas" sobrenaturais, acho. Nem quis perguntar. Eu só me perguntava como iria resolver aquela situação.

Falei com o editor e ele pareceu fazer questão de que o livro fosse publicado, sim, por vários motivos. Então o livro será publicado. E provavelmente terei que terminar a tradução e fazer a revisão (a Bianca disse que faria, depois disse que estava meio cansada, pois está trabalhando com outro livro, e preferia não pegar) - se tenho medo? Não, na verdade, mais curiosidade, embora o tema não me agrade muito. Por que a tradutora estava tão transtornada? Será mesmo um livro "do mal"? Que influenciaria as pessoas a fazer algum "mal"? Será que ela estava com a "defesa energética" baixa, por isso se deixou afetar? Embora eu seja muito mais racional que "mística" (ou pelo menos me vejo assim), acho que temos campos energéticos e, se damos abertura, podemos sofrer influências diversas, sim.

Comentei com a tradutora, por e-mail, que seria justo que saísse o nome dela nos créditos (ou poderia ser um pseudônimo) e também o nome de quem fosse terminar a tradução, aí ela disse que não queria que aparecesse o nome dela e realmente não se importava com isso. Que ela "se desfazia" do livro. Falou para eu acender uma vela e deixar um copo de água para o meu anjo da guarda, caso eu fosse mesmo terminar de traduzir o livro. Poderei falar mais sobre o livro na semana que vem, quando entrego uma revisão freelance e pego essa "bomba" (?) para fazer.

Como a Lana havia dito, os tradutores são mesmo "excêntricos". A Vi comentou que isso daria um ótimo roteiro para um filme. Qualquer dia eu ainda a chamo para escrevermos e quem sabe não vendemos para alguma produtora cinematográfica?! =) "Tradutora começa a traduzir um livro de bruxaria e coisas estranhas começam a acontecer... "*suspense*

***

Outra história fabulosa: eu estava mexendo em uns CDs de dados que estavam sobre a minha mesa, vendo o que tinha ali, quando encontrei a foto de um gato. Eu sabia que a Lana gostava de gatos, talvez fosse um dos quatro gatos dela, mostrei para a Bianca, ela ficou com a foto e ficou de perguntar para a Lana quem era aquele. No dia seguinte, ela contou que o gato era de uma tradutora freelance e que ele havia feito xixi no contrato de tradução dela (!!!), então ela levou a foto para comprovar que não era mentira, que o gato realmente existia. Parece que o contrato mijado está lá na editora em algum lugar.

(Gente, que história é essa??!)

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Um outro tradutor assumiu um trabalho e só entregou dois anos depois - em geral, os tradutores têm alguns MESES para terminar. Sempre acontecia alguma tragédia na vida dele. Parece que em uma das vezes a casa dele desabou, e ele chegou até a enviar foto da casa e a Lana ficava irritada porque ele sempre dizia que ia entregar o trabalho "na semana que vem"... mas nunca entregava. Como dizia um professor da faculdade, o Álvaro, "antes tarde do que mais tarde". O tradutor definitivamente era adepto dessa filosofia!

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A Bianca contou que a história mais fabulosa que ela ouviu foi quando ela trabalhava em uma agência de tradução. Um tradutor estava atrasado para entregar o trabalho e ela precisou ligar para cobrá-lo, aí ele disse que tinha sido roubado por ciganos e tinha ficado um bom tempo na delegacia, por isso não conseguiu entregar a tradução (????????).

A Lana disse que esperava que os tradutores não me deixassem louca. Na verdade, estou ansiosa por ouvir e viver mais histórias, além de conhecer de perto toda a excentricidade deles! =)

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