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sábado, 28 de março de 2009

Obturação dentária pode oferecer riscos à saúde

(Às vezes sinto saudade da odonto... outro dia, pesquisando sobre "obturação dentária" - estou fazendo a revisão de tradução de um livro da área da saúde lá na editora - encontrei algumas coisas bacanas. Esse artigo foi escrito pela Terezinha Santellano, de Porto Alegre, e foi publicado aqui. O crédito da figura, "Dentista", é de Mary Carmen SVI e foi publicada no Flickr.)

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A principal agência de regulamentação de medicamentos do mundo, a FDA (Food and Drug Administration, ou, em uma tradução literal, Administração para Drogas e Alimentos) dos EUA, lançou nessa última semana um alerta sobre os materiais empregados nas obturações dentárias, usados para selar a cavidade causada pela cárie.

O amálgama, que é utilizado nesse processo, por conter mercúrio, o metal líquido, pode oferecer riscos à saúde dos pacientes e profissionais. O alerta pode ser considerado uma significativa vitória para as entidades e pessoas que, durante anos, tem denunciado ser o amálgama responsável por uma série de doenças.

Segundo informou o FDA no seu alerta, "amálgamas dentais contém mercúrio, que pode ter efeitos neurotóxicos sobre o sistema nervoso de crianças em desenvolvimento e fetos; quando o amálgama é colocado e removido, ele libera vapor de mercúrio, que vai para a corrente sanguínea e para os órgãos".

Atualmente, o FDA está fazendo uma revisão das suas regras para o uso do amálgama e pode até apresentar restrições ao seu uso ou mesmo recomendar a suspensão total. Alguns organismos e pesquisadores que estudam o assunto denunciam que o amálgama seria responsável por uma série de doenças, incluindo problemas cardíacos e o mal de Alzheiemer.

De acordo com o Guia Prático sobre Resíduos de Amálgama Odontológico, coordenado pelo professor Jesus Pécora e disponível na internet, o amálgama odontológico é uma liga de mercúrio com limalha que contém prata, estanho, cobre sendo a fórmula dependente dos fabricantes. Algumas limas apresentam também índio, zinco, platina e paládio.

Segundo o mesmo Guia Prático, o mercúrio causa prejuízo ao meio ambiente e aos seres vivos. O efeito do mercúrio na cavidade bucal pode provocar o sangramento gengival, a perda do osso alveolar, a perda dos dentes, o excesso de salivação, o mau hálito, gosto metálico, leucoplasias, estomatites e pigmentação nos tecidos. Os efeitos sistêmicos da contaminação pelo mercúrio podem ter reflexos cardíacos, respiratórios, neurológicos, imunológicos, dentre outros.

O amálgama é um material restaurador bastante utilizado pelos dentistas na atualidade em razão do seu baixo custo, facilidade técnica, resistência ao desgaste e selamento marginal. Pela sua potencialidade tóxica para o profissional e o paciente, existe hoje uma crescente resistência ao seu uso odontológico. Devido a sua forma escura, o amálgama também não apresenta um efeito estético satisfatório. Em virtude disso, tem sido substituído gradualmente pela porcelana e por resinas compostas, que possuem uma coloração mais parecida com a do dente. Observa-se que as resinas e porcelana são mais caras do que o amálgama e pouco duráveis.

Por ainda não ter um substituto de iguais ou melhores características técnicas e econômicas, o mercúrio continua sendo utilizado em obturações dentárias em todo mundo. Cerca de 125 toneladas do metal são empregadas em consultórios odontológicos a cada ano, somente nos EUA. Nos países onde ele já está proibido, o mercúrio está sendo substituído pelo gálio. A Dinamarca e a Noruega baniram o uso no início do ano. A Suécia reduziu a utilização em cerca de 90% no decorrer da última década. Na Finlândia e no Japão já existem também severas restrições ao seu emprego.

O FDA continua afirmando que o amálgama "é seguro, durável e apresenta uma boa relação custo/benefício; não aumenta o risco de doenças sistêmicas", embora alerte que as mulheres grávidas devem "evitar qualquer intervenção dental".

Um encontro internacional realizado no Parlamento Europeu em Luxemburgo, em 1999, a respeito do uso de amálgama e materiais pesados, concluiu ser na época, insuficientes a quantidade de dados disponíveis sobre as alternativas ao amálgama. Também os organizadores do encontro consideraram que, como prevenção, é preciso revisar as práticas atuais em todos os países, e defenderam a eliminação programada do uso de amálgama no tratamento de dentes, visto que os riscos comprovados são suficientemente graves para a população.

O amálgama tem sido usado durante mais de 150 anos pelos dentistas como material para preencher cáries. Nas últimas décadas organismos, pesquisadores, autoridades de saúde estão empenhados na sua substituição e até mesmo na sua eliminação dos tratamentos dentários. Listas rigorosamente elaboradas de contra-indicações já estão disponíveis ao público, divulgadas inclusive por fabricantes de amálgamas, inclusive na Internet. Consultados informalmente sobre o assunto, pasmem, alguns dentistas brasileiros revelam desconhecer o assunto!


FONTES DE CONSULTA
- "FDA alerta contra uso de amálgama dentário" - Jornal O GLOBO, 04/julho/2008;
- WIKIPÉDIA: Verbete - Amálgama de prata;
[http://pt.wikipedia.org/wiki/Am%C3%A1lgama_de_prata]
- "Guia prático sobre resíduos de amálgama odontológico" - Prof. Dr. Jesus Djalma Pécora - Coordenador;
[http://www.forp.usp.br/restauradora/lagro/guia_pratico.html]
- TAPS - Temas atuais na promoção da Saúde: Amálgama dental e metais pesados;
[http://www.taps.org.br/Paginas/sdentesamalg06.html]
- FDA - [http://www.fda.gov/]


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