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sexta-feira, 27 de março de 2009

Psycho

Há umas três semanas, em uma sexta-feira 13, uma pessoa começou a ligar no número de celular de São Paulo.

Nessa sexta específica, eu tinha combinado com a Taty, amiga da facu, de irmos a algum barzinho da Vila Madalena, depois do trabalho, porque faz muito tempo que não a vejo. Ela ficou de ligar na hora do almoço para confirmar - porque comentei que não podia receber ligações em horário de trabalho (a não ser que alguém da minha família esteja entre a vida e a morte e coisas do tipo).

Nesse dia, no horário de almoço, fomos a uma lanchonete comer pizza, porque era o último dia da Lana, que antes trabalhava no meu lugar, e um número estranho de celular começou a me ligar; quando eu atendia, a ligação caía. Tentei ligar de volta, mas a ligação não completava. Esqueci o assunto. Só que, no meio da tarde, o mesmo número ligou VÁRIAS vezes. Deduzi que não era a Taty, porque a Taty, aparentemente, é uma pessoa dentro dos padrões de normalidade humana (apesar de ser tradutora) e não ficaria me ligando mil vezes, sendo que falei que não poderia atender.

Voltei para casa umas 19h e fui até o orelhão, porque havia outro número fixo estranho como chamada perdida, então, por segurança, achei melhor ligar do orelhão. Liguei primeiro para o ser do além que depois denominei "psycho" na agenda de contatos.

- Alô.
- Alô, quem fala?
- Luciano.
Silêncio, enquanto pensava: "Quem será Luciano?".
- Ah, é que tinha várias ligações suas perdidas no meu celular, mas acho que foi engano, né?
- É, sim.
- Desculpa, então. Tchau.
- Tchau.

O segundo número, o fixo, era de um escritório de advocacia.

Assunto encerrado, voltei para casa. Umas 21h, quem me liga de novo? O psycho. Não atendi, enviei um torpedo mais ou menos assim:

"Luciano, conforme conversado por telefone, as várias ligações no meu celular eram engano. Por favor, pare de me ligar a cobrar, pois não vou atender. Obrigada."

Depois disso, ligou várias vezes: no sábado seguinte, de manhã muito cedo (umas 6h30!), depois, à tarde, quando eu já estava em São José - dessa vez, não era a cobrar, aí atendi, queria resolver a situação.

- Alô?
- Oi, meu amor... blablablá [não lembro o que ele falou]
Silêncio da minha parte.
- Desculpe, mas você está ligando para o número errado...
- Claro que não... [blablablá]

Desliguei o telefone na cara dele. Ligou mais umas vezes, não atendi.

Até hoje, continua ligando várias vezes por dia, ou, pelo menos, uma vez por dia, em qualquer horário. Às vezes não liga em um dia, mas liga várias no dia seguinte. Uma vez, atendi e ele só disse: "prostituta" e desligou. Então tá, cada um acha o que quer. "O psicótico vive num mundo onde a realidade é outra, intangível por nós ou mesmo por outros psicóticos, mas vive simultaneamente neste mundo real." [Tirei esse trecho daqui.]

Às vezes enche o saco, porque acho que é alguém importante e, quando vejo, é ele. E liga sempre do mesmo celular, mesmo sabendo que não vou atender. As pessoas para quem contei sugeriram:

a) trocar de número (por enquanto, não estou cogitando, porque é um número fácil e já passei para várias pessoas - odeio ficar trocando de número);
b) não atender mais as ligações, porque uma hora ele cansa (estou tentando essa técnica);
c) falar para um amigo atender quando ele ligar da próxima vez e esse amigo falar que acabou de comprar o celular.

Na vez em que ele me chamou de "prostituta", atendi com o intuito de conversar civilizadamente com ele, perguntar por quem ele procurava e explicar que, infelizmente, a pessoa tinha vendido o celular ou passado o número errado de propósito.

Comprei esse chip (e o celular também) lá em São José. Outras pessoas já ligaram por engano, mas nenhum ficou ligando repetidamente. Por ser um número fácil, várias pessoas já devem ter tido esse número.

Da próxima vez vou perguntar se ele é tradutor. Tradutores são meio psicóticos... =P

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