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terça-feira, 31 de março de 2009

Sobre melões e pêssegos gigantes

Eu estava para escrever sobre esse melão faz tempo.

Comprei o melão da foto, que tem (tinha) quase 4 kg (a caixa de Ades é só para se ter noção de tamanho), há algumas semanas no Carrefour (do francês, "encruzilhada" ou "cruzamento") perto de casa. Ele olhou para mim e falou: "Me come!" =), e já que ele estava assim, facinho, facinho, trouxe para casa e estou comendo. Na verdade, estou fazendo suco batido no liquidificador porque ele não é tão gostoso quanto prometia... como será que um melão consegue ter quase 4 kg?!

E nisso lembrei que os japoneses têm uma lenda chamada "Momotaro", em que um menino nasce de um pêssego gigante ("momô", em japonês, quer dizer "pêssego"), e que eu fazia meu pai contar e recontar mil vezes essa história quando era pequena. Imagina que louco se eu corto o melão e dentro tem um menino? :o) Ou então, se eu demoro muito para cortar, o menino vai comendo o melão por dentro, até que um dia a mãozinha fura a casca e começa a acenar para que eu o tire de lá... até que renderia um bom conto de realismo fantástico, não? The melon boy.

Encontrei a lenda do Momotaro aqui. (Eu postei abaixo, mas "revisei" antes, por isso não está 100% igual está no site.)

Momotaro - O menino que nasceu do pêssego

Há muito tempo havia um casal bastante idoso que não tinha filhos. O velhinho trabalhava na roça, enquanto a mulher descia até o rio que corria perto da casa para lavar roupas.

Era um dia especialmente radiante de sol e luz.

A velhinha estava lavando roupas quando, de repente, percebeu algo estranho boiando nas águas. Para sua surpresa, era um enorme pêssego.

- Nossa, nunca vi um pêssego tão grande assim! - exclamou. - Vamos, venha para mais perto... - disse, acenando para a fruta.

Como se atendesse o pedido da velhinha, o pêssego, boiando, aproximou-se dela.

Era realmente um pêssego gigante. Com grande esforço ela conseguiu retirá-lo da água e carregá-lo para casa, mas precisou descansar várias vezes pelo caminho devido ao peso da fruta.

Ao entardecer, quando o marido voltou, também ficou admirado:

- Que belo pêssego! Parece uma delícia... estou até com água na boca. Vamos comê-lo?

A mulher trouxe um facão e começaram a dividir a fruta. Mas, ao primeiro corte, esta partiu-se sozinha e de seu interior surgiu um menininho.

- Deus do céu! Um bebê dentro do pêssego!

- E que lindo garotinho!

Os dois ficaram muito felizes, certos de que se tratava de um presente divino. Decidiram que seu nome seria MOMOTARO.

O menino cresceu depressa, forte e saudável. Era a alegria dos pais. Dentre as suas muitas qualidades destacava-se a coragem e o senso de justiça.

Uma noite Momotaro ouviu conversas sobre os Onis, monstros que costumavam atacar a aldeia, fazendo com que muitas famílias perdessem toda a colheita de arroz; isso era muito grave, já que o arroz era a fonte de alimento para a aldeia.

O garoto tomou uma decisão: iria à ilha dos Onis para combatê-los.

- Filho, é muito arriscado - disse o pai assustado com a ideia.

- Eles podem comê-lo inteirinho, são monstros enormes! - concordou a mãe, aflita.

- Não se preocupem, sou mais esperto do que eles.Vocês poderiam fazer aqueles deliciosos bolinhos de arroz, kibidango, para eu levar na viagem?

Os dois, apesar do enorme temor que sentiam, prepararam a massa e fizeram os bolinhos adorados pelo filho.

Na manhã seguinte, bem cedo, Momotaro despediu-se dos pais, levando presos à cintura sua espada e um saquinho cheio de kibidango.

Após caminhar algum tempo, encontrou um cachorro, que lhe perguntou:

- Momotaro, para onde vai?

- À ilha dos Onis, lutar contra eles.

- O que carrega nesse saquinho preso em sua cintura?

- Kibidango, os bolinhos mais gostosos do mundo!

- Não quer me dar um? Assim irei com você.

Momotaro tirou um bolinho para o cachorro que, depois de saboreá-lo com gosto, acompanhou-o.

Mais adiante, encontraram um macaco:

- Bom dia, Momotaro. Em que direção caminha?

- Vou à ilha dos Onis lutar contra eles.

- O que carrega no saquinho preso à sua cintura?

- Kibidango, o bolinho mais saboroso do mundo!

- Pode me dar um? Assim eu o acompanharei.

Momotaro deu um bolinho de arroz também para o macaco.

Já eram três quando, andando um pouco mais, depararam-se com um faisão:

- Momotaro, onde está indo?

- Vou à ilha dos Onis, lutar contra eles.

- O que carrega no saquinho preso à sua cintura?

- Kibidango, o bolinho mais delicioso que existe no mundo!

O faisão ganhou também um bolinho e juntou-se ao grupo.

Após longa caminhada, Momotaro e seus amigos chegaram à costa marítima, subiram em um barco e remaram em direção à ilha.

Navegaram tranquilos por algum tempo, até que o mar se tornou agitado. O céu, antes muito azul, cobria-se de nuvens escuras à medida que se aproximavam da ilha.

- Olhem, é ali! - foi o aviso dado pelo faisão, o primeiro que a avistou.

- Estamos chegando à ilha dos Onis!

Tudo naquele lugar possuía um aspecto assustador, sinistro: grandes pedras escuras, arbustos secos, névoa...

Sentindo arrepios, os quatro deixaram o barco para, logo, encontrarem-se frente a um enorme castelo de pedras e rochas, protegido por um portão de ferro.

- Estarão eles lá dentro? - perguntou Momotaro.

- Vou verificar.

O faisão voou e, espiando pelas frestas acima do portão, confirmou:

- Estão em casa sim, bebendo e comendo.

- Eu posso ajudar - afirmou o macaco que, sem dificuldades, escalou o muro do castelo e, depois de entrar, destrancou o portão.

Momotaro, espada erguida na mão, entrou guiando seus companheiros.

Os Onis, percebendo a invasão, levantaram-se de um salto, largando as garrafas de bebida. Eram muitos, todos enormes e horrendos.

Travou-se um grande combate. O faisão voava por todos os lados e, com seu bico pontudo e afiado, feria os inimigos. O cachorro latia e lutava com dentadas, enquanto o macaco usava suas unhas. Os monstros atacavam furiosos.

Momotaro enfrentava com sua espada o líder que, apesar de ser o maior e o mais feroz de todos, estava em desvantagem por causa de bebedeira. Finalmente, os Onis não tiveram outra alternativa além da rendição.

- Prometemos nunca mais prejudicar a aldeia ou molestar os humanos – disseram o chefe e os outros antes de implorar:

- Por favor, poupe-nos.

Momotaro, possuidor de um coração bondoso e compreensivo, resolveu perdoá-los, já que todos mostravam-se arrependidos. Em troca, o chefe dos Onis ofereceu-lhes os tesouros que seu povo roubara até então. Eram moedas de ouro, pedras preciosas, joias, sedas, corais e muitas outras coisas de valor.

Com o auxílio dos amigos, Momotaro voltou para casa puxando um carrinho cheio de riquezas.

Os pais, angustiados desde sua partida, quase não acreditaram ao vê-lo são e salvo, carregando tamanha fortuna, que foi repartida entre os moradores da aldeia.

Todos viveram em paz, graças à bravura de Momotaro, o menino que nascera de um pêssego.


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