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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Aleatorium

Pronto. Mudei a carinha porque chorei todas as pitangas que tinha pra chorar no post anterior e já voltei ao meu estado de equilíbrio.

Só para complementar: uma coisa legal e muito verdadeira que ouvi no convênio foi: "os funcionários têm de se adaptar à empresa e não o contrário" - teve uma época em que a coisa queria virar bagunça porque, parece, os funcionários começaram a "reivindicar" vários supostos direitos. Só fiquei sabendo quando o presidente convocou todos para uma reunião, para colocar os pingos nos "i". Na época, o fato passou batido, não tinha opinião a respeito, mas hoje, vendo com distanciamento, ele estava certo. A empresa era dele, as regras idem, e ninguém era obrigado a trabalhar lá... sendo assim, rodava muita gente! Hahaha. Por vontade própria ou porque era mandando embora; na maioria das vezes, as pessoas pediam as contas mesmo. Muita insanidade para muito pouco salário. Eu e as meninas da auditoria ganhávamos uns R$ 500, às vezes, até menos - acho que os dentistas seriam mais bonzinhos e educados com a gente se soubessem o quanto a gente ganhava e, ainda assim, éramos sempre simpáticas, educadas e, na medida do possível, eficientes, mesmo ouvindo várias merdas e desculpas esfarrapadas de dentistas desorganizados e mal-educados...
Claro que eu tinha noção de que era "desumano" trabalhar das 8h às 18h por esse salário (que não tinha nem comparação com o que eu ganhava quando trabalhava só como tradutora) e depois ainda ter que ir pra aula às 18h30, voltar pra casa umas 23h, tomar banho, comer alguma coisa, às vezes ter de estudar para prova ou fazer algum trabalho até sei lá que horas da madrugada (o curso é puxado!), para, no dia seguinte, começar tudo de novo, mas também tinha noção de que estava lá por livre e espontânea vontade. Depois de um ano, quando falei que ia sair, a Marta, gerente da auditoria, conseguiu negociar meio período para nós três. Uma das exigências para a vaga era estar cursando odonto e, de preferência, na Unesp, ainda que em muitos lugares várias pessoas com ensino fundamental ganhem mais ou menos isso que a gente ganhava (nonsense). Apesar de tudo, foi um período de muitos aprendizados, e até hoje sou muito grata à Marta, por ela ter falado com o presidente sobre a nossa situação, além de viver tentando renegociar valores da tabela de honorários dos dentistas com ele (se os dentistas soubessem disso, provavelmente não ficariam enchendo o saco dela). Óbvio que ela não falava abertamente que achava aqueles valores absurdos (absurdamente baixos), mas estava sempre tentando melhorar as coisas para todos (um dia uma dentista ligou lá e falou que não teria condições de fazer um determinado procedimento, mesmo sabendo que o plano da paciente cobria, porque dependeria do protético e, sendo assim, ela, além de não ganhar nada, ainda teria que tirar do bolso dela para cobrir os gastos... aí o Rafael, que era (é) um dos auditores, falou que ela não estava mentindo, porque ele já tinha passado por essa situação ou porque ele tinha noção dos valores cobrados pelos protéticos... nonsense total!, não lembro como resolveram isso, mas seu eu fosse a dona do convênio me sentiria constrangidíssima). Mas, para mim, pastar desse jeito valeria a pena porque eu tinha planos "pretensiosos" para o futuro. Quando eu me formasse, ia tentar vaga como auditora na Odontoprev ou na Uniodonto (respectivamente, o maior e o melhor convênio do país), queria ver como as coisas funcionavam em empresas que, no meu imaginário, deviam lugares normais para se trabalhar; com o respaldo do nome/tradição da faculdade e da experiência anterior em convênio, provavelmente conseguiria o cargo que queria e, com sorte, em um desses dois lugares, e teria um salário mais ou menos perto do justo (será?). Mas o que eu quero dizer é que alguns sacrifícios valem a pena, sim. No meu caso, deixei tudo pra lá porque ia ter que ganhar R$ 500 por pelo menos mais uns 5 anos (fazia parte das políticas da empresa pagarem esse tipo de salário para todo o sempre e isso não era negociável) e teria vergonha de ter esse valor registrado em carteira, além de não poder fazer nada durante os próximos 5 anos por falta de grana, porque ia ter que gastar tudo que ganhasse com os materiais da faculdade e contar com paitrocínio para inteirar o que faltasse (luvas, toucas, todos os instrumentos e materiais utilizados nos atendimentos são por conta dos alunos - e, mesmo assim, parece que tem pacientes que reclamam!!). Mas a minha passagem pelo convênio valeu a pena, porque eu tinha muita empolgação ao pensar que em "alguns" anos eu lembraria de tudo aquilo, acharia graça e sentiria um alívio enorme por estar vivendo uma realidade completamente diferente (ou não?). Vi, vivi, aprendi, cresci e, depois de um tempo, senti que aquilo ali já não era o meu lugar.

Um dos melhores lugares em que já trabalhei foi a primeira agência de tradução em Jacareí, que, apesar de pequena, pagava o justo pela lauda e acho que a empresa tinha o perfil da dona mesmo: ela era muito justa e também exigente, gostava de tudo certinho e do trabalho bem feito; foi uma das melhores escolas que eu poderia ter. Então hoje eu penso que, independente do tamanho da empresa, ela, de certa forma, sempre terá o perfil dos donos/presidentes - se eles não estiverem realmente engajados em melhorias ou se tiverem visões limitadas do próprio negócio, todo o resto estará comprometido (ou fadado à estagnação). Outro lugar legal de se trabalhar é (era?) a Microlins. Pagavam um valor muito acima da média para a aula de inglês, tudo era muito certinho e a escola não explorava os funcionários - trabalhei em outra que era assim: se os alunos faltassem, eu não ganhava pela aula... só depois de vários meses começaram a me pagar um valor mínimo quando isso acontecia (eu saía de casa para dar aula, e se não ia ninguém, voltava pra casa e não ganhava nada para isso, sacanagem, né? e, independente disso, a escola ganhava, porque os alunos não deixavam de pagar as aulas que eles deixavam de assistir). Sim, já pastei um bocado na vida! =P

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Comecei a traduzir o que falta do livro de bruxaria no trabalho e, por enquanto, não achei nada perturbador. Cultura pop, eu dou risada. Mas fiquei viajando no que a Bianca falou... que a tradutora teve uma puta sacada de marketing! Imagina se a gente consegue que publiquem matérias no jornal do tipo: "é lançado livro de bruxaria polêmico; tradutora afirma que começou a vivenciar fatos extraordinários enquanto traduzia a obra, etc.". Ia bombar! Íamos vender horrores!! A tradutora ia aparecer no "Fantástico", atrás de um biombo e com voz de pato (alterada eletronicamente), dando entrevista e falando das experiências dela... aí poderíamos dizer também que durante a produção do livro coisas medonhas começaram a acontecer no departamento: luzes apagavam sozinhas, computadores ligavam e desligavam sozinhos e frases demoníacas apareciam na tela, princípios de incêndio do nada, vozes do além... e que alguns funcionários tiveram de ser internados em uma clínica psiquiátrica depois disso... Hahaha!

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Coloquei anúncio no Orkut para tradutor e revisor freelance com todas as exigências (morar em São Paulo, capital, saber inglês, saber muito bem português, ter disponibilidade de tempo, etc.) e recebi alguns currículos. Uns profissionais boníssimos, para quem eu passaria trabalho de olhos fechados, porque sei que não teria dor de cabeça depois, outros, nem tanto.
Depois dessa experiência de eu mesma ter de escolher pessoas para trabalharem comigo, cheguei à conclusão de que a ideia de "QI" ("quem indica") é relativa. Para mim, o currículo da pessoa fala por ela, independente de indicação. Tanto que teve esses currículos que só de olhar eu já quis que trabalhassem conosco - só que, infelizmente, as pessoas com esses currículos brilhantes (eu até joguei os nomes no Google para "investigar" se realmente tinham os cursos que diziam ter ou estar cursando) já estão ocupadas por um ou dois meses, traduzindo livros para outras editoras. Como diria a Taty: "profissionais bons nunca ficam sem trabalho" ou, pior, ficam sempre soterrados de ofertas de trabalho... Daí que vou passar testes para essas outras pessoas e ver o que rola. Quero pessoas competentes trabalhando comigo, senão a palhaça aqui vai ter de refazer todo o trabalho, sem ganhar nada a mais por isso (eu que já ganho muito bem - haha!), porque quem foi pago para isso não fez direito... (depois tem gente que reclama que não tem trabalho, não tem oportunidades, blablablá... mas, também, que tipo de formação elas têm e que qualidade de trabalho elas podem oferecer?). Além de eu passar raiva por ter mais trabalho do que teria para traduzir/revisar eu mesma os textos, ainda teria que conciliar isso com todas as outras milhares de atividades... não dá. É desesperador demais.

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Amanhã almoço com a Taty Alem (finalmente) em algum lugar perto da Paulista. Estou empolgada, nem lembro quando a vi pela última vez. Sei que temos muuuito o que conversar e espero que ela possa me ajudar com o trabalho - pegar trabalho freela ou indicar pessoas ou me aconselhar em alguns sentidos (?). Adoro ela.

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Amanhã também participo do grupo que vai fazer o almoço na Abeuni. O João e o (esqueci o nome da outra pessoa... Shimura?) que inventaram isso há algumas semanas - é a cara do João isso, ele gosta de cozinhar. [Me gustan los hombres que cocinan! ;)] Não tenho condições de tentar assumir nada que exija tempo demais - acho que o João quase enlouqueceu no fim do ano passado e eu não quero isso pra mim, até porque meus objetivos em São Paulo são outros e não posso me dispersar. O grupo do almoço é assim: um grupo não fixo vai à sede aos sábados para cozinhar para as pessoas que estiverem lá em reunião ou fazendo alguma outra atividade. Me pareceu interessante a ideia e estou interessada, porque talvez eu possa aprender a cozinhar várias coisas - aprender a cozinhar bem está entre os meus objetivos aqui... um dia ainda quero ser uma boa anfitriã e cozinhar delícias para quem eu gosto! Um dia cozinharei bem como a minha mãe. (E também costurarei como a minha avó!)

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Ainda estou com uma revisão para terminar - ando dormindo tarde e acordando cedo, umas olheiras começaram a aparecer. Talvez o João da faculdade acharia bonito. Ele costumava achar bonitas as pessoas com olheiras (ou talvez apenas as olheiras em si, e não as pessoas?). Saudade dele.

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E saudade também do K (Cassiano), que hoje postou um poema maravilhoso aqui. Inegável o talento dele, enquanto outras pessoas apenas tentam. Talvez minha visão seja limitada, mas penso que quem é poeta já nasce assim, com umas retinas diferentes, não é uma questão de escolha, é algo inato. O giu também é assim. Já nasceu poeta, mesmo que ele ainda não saiba ou seja modesto demais para admitir. E a Cris também parece já ter nascido assim. Ou talvez eu é que não tenha paciência para poetas que escrevem apenas sobre o amor...

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Domingo talvez teatro (Av. Dropsie) com Letícia? Me gustaría. Porque ella me gusta. ;)

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Saudades de Ana.

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Confusões mentais e sentimentais de sempre.


3 comentários:

h. Cassiano Riva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
h. Cassiano Riva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
h. Cassiano Riva disse...

Naomi,

confesso que adoro seus textos porque também os acho livres (como acho que são meus poemas!) e, por isso, nada engessados.

Ah! Também adorei aprender a colocar os links no meu blog porque agora leio o seu com freqüência (permita-me continuar com trema!) e mesmo que sua literatura não seja canônica é aquela que está presente em meu dia a dia.

Sobre a poesia: escrevo desde a adolescência mas elas habitavam apenas as minhas gavetas. Depois que participei do primeiro concurso (em 2006) percebi que algumas podem ser mostradas porque podem provocar sensações tb em outras pessoas...

...minha linha é deixar o sentimento fluir quase que até a evaporação. Colocá-lo no papel e depois podá-lo.

Faço isso porque acho bom tirar o excesso de mim para deixar com que o poema se molde ao olhar do outro.

Hummmm, também não gosto da poesia de amor. Talvez porque seja deveras abstrato para mim ser um poeta que fala sobre algo tão particular, inominável, indescritível, tolo, cafona, profundo... hehehehe.

K