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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Cidade Zero - Karen Chakhmazarov

Fui ver esse filme no HSBC Belas Artes (Rua da Consolação, 2423) hoje, porque era o último dia de exibição. A mostra de filmes russos vai continuar, mas com outros filmes.

Muito, muito bom! Eu só lembrava de algumas partes, de quando vi na TV Cultura, há muito, muito tempo, quando tinha a "Mostra Internacional de Cinema na Cultura".

"Spoilei" o filme! Se não quiser saber o fim, não leia.

É um filme de realismo fantástico e mostra a história de um homem que chega em uma cidade russa para resolver um assunto de trabalho (ele trabalha em uma empresa de ar condicionado); chegando ao hotel, mesmo dizendo que tinha reservado um quarto, o recepcionista olha no caderno de reservas e não consta o nome dele. Ele vai para a filial da empresa e, ao entrar na sala, a secretária está completamente nua datilogrando algum documento. O responsável por aquela filial o recebe e fala para ele voltar à cidade dali a duas semanas, porque o engenheiro chefe havia morrido há oito semanas e não tinha como ele fazer a inspeção que fora fazer.
Ele vai almoçar em um restaurante, come normalmente, depois o garçom traz o chá que ele pediu e também a sobremesa, que ele disse que não queria. Para a surpresa dele, é um bolo que reproduz a cabeça dele em tamanho natural - o garçom explica que o cozinheiro gostou dele, por isso fez o bolo especialmente para ele [lembro que essa cena me fez querer um bolo em forma de tatu e, por dentro, ele teria que ser vermelho e, quando cortado, pareceria que sangrava... ideias de pessoas perturbadas de 16 anos... hahaha... desde aquela época eu gostava de coisas inusitadas e ver a reação das pessoas]. O homem fica muito espantado quando o garçom corta o bolo com formato e aparência de sua própria cabeça, pede a conta e diz que não vai comer aquilo. O garçom diz: "Se você não comer, o cozinheiro se suicida". Ele não acredita, deixa um dinheiro na mesa e, pouco antes de sair, ouve um tiro e vê que o cozinheiro, de fato, se matou. Ele vai parar na delegacia para prestar depoimento e é liberado.
Quando ele tenta sair da cidade, voltar para Moscou, não consegue. Não há passagem de trem, o táxi que ele pega só vai até um certo ponto da estrada. Como o motorista de táxi diz que a próxima estação de trem fica a 1,5 km do ponto que ele não pode ultrapassar, o homem vai andando a pé mesmo, até que chega em um museu bizarro, onde o dono diz que não existe estação nenhuma ali, mas que uma vizinha dele talvez poderia levá-lo de carona à cidade mais próxima; enquanto a carona não vem, ele é obrigado a pagar para ver o museu. A carona não chega e ele vai parar na casa de outra pessoa, onde um garotinho de uns 5 anos diz, à mesa, na hora da janta, algo do tipo: "Você vai morrer em 2015; no cemitério vai ter uma placa escrito seu nome, 1945-2015, saudades de Fulana, Ciclana e Beltrana". O homem fica espantado porque o menino parece ter acertado o nome da esposa e filhas, sendo que ele nunca disse. Depois de um tempo, a vizinha do dono do museu aparece para dar carona. No caminho, eles são interceptados pela polícia; ele volta para a delegacia e o delegado lhe mostra uma foto dele com uma dedicatória para o cozinheiro que se suicidou - sendo que ele afirma que não conhecia o cozinheiro. O delegado diz que investigadores confirmaram que a letra da dedicatória na foto é dele... e que, na verdade, ele era o filho do cozinheiro, e, se as pessoas perguntassem, era para ele dizer que sim, era filho do cozinheiro.
O cozinheiro foi o primeiro a dançar rock and roll na cidade e, na época, isso foi um escândalo. Ele foi expulso da marinha (ou do exército, não lembro) e a garota que dançou com ele, expulsa da escola de enfermagem, além de ela ter tomado vinagre e perdido a voz. Bizarro²!
Depois de mais algumas confusões e cenas tragicômicas, ele consegue fugir, sai correndo no meio da floresta. A última cena é ele em um barco, sobre águas tranquilas e névoa.

Apenas um sonho ruim?

Adoro esse tipo de arte. Lembra Kafka, lembra Cortázar.

2 comentários:

Henrique Batista disse...

Céuss!!! Há décadas eu procuro por esse filme. Estava passando na Cultura lá pelos idos de 1990, no festival do cinema russo quando, de repente acabou a luz. Eu nunca consegui descobrir o nome do filme nem o fim da história. Não sei como não encontrei antes o seu site. Busca errada no Google.

Muito obrigado! Agora vou procurar o filme para assistir.

aline naomi disse...

Oi, Henrique!
Hahahaha! Essas coisas acontecem direto comigo... tem outro filme que eu vi na TV Cultura que nunca mais consegui achar também... era uma história que tinha a ver com Fausto (mas acho que o título do filme não era "Fausto"). Lembro de passagens, às vezes eu via só partes dos filmes da Mostra na TV, não aguentava e dormia no meio.
De qualquer forma, que bom que você encontrou o que buscava! ;)