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segunda-feira, 20 de abril de 2009

E por falar em igreja...

Nunca fui muito fã de igreja. Larguei a catequese porque me entediava (isso aos 11, 12 anos) - eu sentia que era sempre a mesma história de Jesus e nada daquilo fazia parte da minha realidade. E tínhamos que ir todo domingo na missa para pegar um selo autocolante, que precisava ser colado num tipo de "álbum"; caso não tivéssemos um número "x" de selos, não faríamos a primeira comunhão. Em geral, quem ia, pegava os tais selos para os que não iam. Rá. Para mim já não fazia sentido tudo aquilo e larguei. Comecei a ir porque amigos da escola iam. Cristãos. E eu que ainda não sabia o que era, acompanhei.

Nesse ponto, minha família foi muito legal. Não temos uma religião. Ninguém me obrigava a ir à missa, nem a culto, nem a nada. Não imagino ser obrigada a ir à missa todo domingo às 7h ou 8h da manhã.

Hoje não tenho religião. Talvez um dia aprenda um pouco mais sobre budismo e opte por ser budista. Gosto dessas religiões espiritualistas porque nunca obrigam ninguém a acreditar em nada e, supostamente, não querem o poder nem nada, só querem que as pessoas tenham paz de espírito e que tenham uma vida livre de dores (reais ou imaginárias).

Em casa, eu e o Alan fomos batizados, mas nunca vi meus pais indo a uma missa (além das missas de casamento e de funerais de amigos e parentes). Meu pai reza todos os dias para uma santa, cuja foto fica em cima da geladeira, para que ela nos proteja; aprendeu a usar o terço, aprendeu a rezar, aprendeu a ter fé. Minha mãe, aparentemente, é cética. Meu irmão, não sei o que pensa. Eu ainda estou buscando, mas sem desesperos. Além de rezar para a santa, meu pai também lê Seicho-no-Ie e acho que acredita em espiritismo e, quando era criança, lembro de ouvi-lo contando sobre ter ido a um tipo de "pai de santo" (umbanda? candomblé?) e também já levou meu tio no dr. Fritz (que faz operações espíritas) - meu pai deve ser um homem de fé, acredita em várias coisas e pra ele tudo bem esse sincretismo religioso.

Comecei a falar sobre religião/igreja hoje porque recebi um documentário da Sábris (Sabrina), amiga da faculdade - saudade!! -, por e-mail e gostaria de compartilhar. É um documentário da BBC sobre pedofilia dentro da igreja católica, que, não por acaso, foi proibido de ser exibido em países de maioria católica (Itália e Brasil, por exemplo). A realidade é muito chocante! E esse documentário deve ser só a ponta do iceberg dos podres da Igreja. Em um ponto do documentário, alguém comenta algo do tipo: "É triste porque, mesmo depois de tanto tempo, a Igreja não aprendeu com seus erros e continua fazendo as mesmas coisas". A Igreja protege os padres pedófilos; quando descobrem abusos contra crianças e adolescentes, as vítimas são coagidas a ficar em silêncio e os padres são transferidos para outra paróquia (!), onde continuam abusando de outras crianças (!!!). Sou bem sossegada, mas acho que eu seria capaz de matar alguém que fizesse isso com um filho meu.

Coincidentemente, a Bárbara, uma das revisoras que entrou na editora há mais ou menos um mês (adoro ela!, cheia de histórias - uma mais fabulosa que a outra, é muito engraçado!), comentou que participava ativamente das atividades da igreja (católica) e, quando começou a estudar filosofia e a questionar alguns dogmas, a fé dela foi contestada pelo padre. Pelo que entendi, para serem católicas, as pessoas não podem pensar, só dizer amém. Se as pessoas questionam, é porque não têm fé o suficiente e merecem ser "excomungadas". Se Deus existir de verdade, acho que não deve estar gostando nada do que andam fazendo em nome dele.

Mas, independentemente de achismos, gostaria que assistissem ao documentário. Gostaria que ele fosse divulgado, talvez evite que muitas crianças sejam abusadas por pessoas que deveriam difundir o Bem e talvez muitos traumas para toda a vida também possam ser evitados.

PAIS: por favor, não confiem demais em padres nem em "verdades absolutas", "bondade absoluta", infelizmente não existe nada disso!

A solução que sugiro? A mais lógica: abolir a castidade dos padres. Evitaria muitos distúrbios psicológicos e desvios de comportamento. Não tem como dizer para as pessoas: "não sintam desejo". Não sei qual o problema em ser padre (seguir o chamado de deus para difundir a palavra dele) e ter uma família - ah, claro, isso seria oneroso demais para a Igreja, sustentar o padre e sua família. Instintos não podem ser controlados nem reprimidos! O desejo sexual é natural, como sentir fome, sede, sono. A necessidade de prazer (não necessariamente sexual) é inerente a todos nós! Por que com os padres/freiras seria diferente?

Eu queria que a humanidade acreditasse na Bondade, sem deuses, sem igreja, sem religiões. Talvez evitaríamos muitas guerras, abusos, crenças que não levam a nada ou, pior, fazem com que as pessoas estagnem ou regridam intelectualmente.

Deixo a primeira parte (de quatro) aqui e as demais podem ser encontradas no Youtube. Cada parte tem uns 10 minutos. Ao todo, o documentário tem uns 40 minutos. Há depoimentos de abusados e abusadores, inclusive há uma parte que se passa no Brasil, fala de um padre que abusava de crianças numa comunidade muito pobre, é revoltante.

Enfim, vale muito a pena ver !

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