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domingo, 12 de abril de 2009

Fragmentos

Sábado passado consegui encontrar a Taty (eba!), almoçamos perto da Paulista e foi muito, muito bom. Antes disso, ajudei a limpar e arrumar mesas, piquei tomate para o macarrão e lavei louça na Abeuni (foi legal, gostei da experiência de fazer parte de um grupo, mas ainda não sei se quero continuar lá - enquanto isso, vou experimentando, embora quisesse que a paixão pela associação fosse incendiária, cheguevariana...).

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Continuo recebendo ligações do Psycho e isso virou rotina. Quando vejo que é ele ligando, aperto o "Ignore". Às vezes imagino que é alguém de quem gosto muito e de que sinto saudades me dando um toque, querendo dizer que se lembrou de mim por algum motivo trivial, dessa forma contorno a irritação de constatar que existem tantas pessoas idiotas e sem ter o que fazer no mundo (a ponto de ficar ligando para pessoas desconhecidas para perturbá-las). Será que um dia ele para?

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Alguns colegas de faculdade certamente surtariam com alguns currículos que tenho recebido. Hahaha!
Um curso nada-a-ver, sem experiência anterior em tradução e informações do tipo "1 mês de intercâmbio na Flórida". Só falta colocar "Disney" entre parênteses. Rá.
Vendo essas coisas, lembrei de um episódio que aconteceu durante a faculdade e, na época, eu nem liguei, pensei: "ah, essas pessoas também implicam demais com tudo, muito barulho por nada, a realidade é assim mesmo", mas hoje me incomoda um pouco. Não lembro se quando estávamos no segundo ou no terceiro ano, alunos de biologia colocaram cartazes nos murais, oferecendo trabalho de tradução. Foi um auê. Algumas pessoas da minha sala ficaram MUITO revoltadas, já nem lembro quem comentou o quê, mas um dos comentários foi: "como é possível que em uma universidade com curso de tradução haja alunos de biologia que se acham tradutores?". Ué, se os próprios alunos de tradução não oferecem o trabalho, por que achar ruim que alunos de outros cursos nada-a-ver se candidatem? Por mim, sem problemas, que sobrevivam os mais competentes e é isso. E, sinceramente, quem garante que alunos de tradução traduziriam textos de biologia melhor que os alunos de bio? Para mim, tudo é relativo. Depende do aluno de tradução e depende do aluno de biologia. Se a pessoa tiver os dois cursos, melhor, mais ferramentas que talvez possibilitem uma tradução mais próxima da perfeição (por isso, entre outras coisas, que eu estava fazendo odonto).
No fim das contas, os alunos de biologia tiraram os cartazes dos murais, talvez para evitarem a fadiga do pessoal de tradução enchendo o saco. Como pude constatar agora, eu estava mesmo certa: o mundo é assim. Com a diferença de que agora não estamos mais protegidos pelos muros da faculdade e pelo blablablá bolhístico de professores de tradução (alguns dos quais nunca foram "tradutores de verdade" e, mesmo assim, ficavam falando de coisas que não entendiam, como, por exemplo, mercado de trabalho - me dava uma raiva isso!).
Atualmente, é assim: me incomoda o fato de as pessoas se acharem aptas a fazer coisas para as quais não estudaram e, de certa forma, sinto como se dissessem: "fiz um curso nada a ver com letras, nunca traduzi nada, enquanto você jogou fora quatro anos da sua vida e zilhões de horas de estudo em tradução, e hoje também posso fazer o mesmo que você". Tradutores formados em tradução = trouxas.
Mas é só um leve incômodo, não me revolta nem nada. Ainda acho que as pessoas têm o direito de fazer o que quiserem. Mas também é certo que eu nunca mandaria currículo para uma agência de publicidade, dizendo que sou genial e capaz de criar campanhas mirabolantes (sem ter estudado porra nenhuma para isso e sem ter a mínima noção de como funciona o processo), nem para um restaurante, dizendo que o sonho da minha vida é ser a melhor chef do Brasil e só preciso de uma oportunidade para me iniciar na área (sendo que, por enquanto, só sei fazer o trivial).
Falando por mim, sinto necessidade de ter bagagem e segurança antes de me propor a fazer qualquer coisa (profissionalmente falando), porque quero que o resultado seja o melhor possível e também porque sei que se der tudo errado, vou me sentir mal. Para mim, o curso me ajuda muito a ser uma tradutora melhor do que seria sem o curso (para alguns colegas, o curso foi simplesmente inútil, como já disseram em alguns fóruns, talvez por não estarem atuando na área (?)); várias reflexões linguisticas, sociolinguisticas e discussões com colegas voltam como um refluxo de consciência enquanto estou trabalhando, quando preciso encontrar soluções tradutórias difíceis e, talvez, para quem não tem a mínima noção do que seja "linguística", tudo isso passaria batido (?). Parei. É que eu gosto do assunto e me empolgo =P.

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"Cem dias de solidão. Fui meditar no Himalaia". Deixei essa mensagem lá no Orkut.
Não sei explicar essas vontades de ficar sozinha às vezes.
Estou em uma fase muito egoísta: quero fazer o que quero, quando quero e também ter o direito de não fazer nada se não quiser.
Será que algum dia alguém vai gostar de mim do jeito que eu sou-estou (apesar do que sou-estou)? E ficaria comigo, mesmo sabendo que, qualquer dia, ao voltar do trabalho, eu poderia chegar do nada e falar: "Meu amor, aluguei a nossa casa, pedi demissão, peguei minhas economias, comprei um trailer, arrumei as malas e a gente vai viajar pela América do Sul, e eu preciso saber se ainda amo a pessoa que você se tornou". Acho que a maioria das pessoas entraria em estado de choque ao ouvir isso (hahaha), mas para mim é um comportamento dentro dos (meus) padrões de normalidade.
Por enquanto, estou preferindo poupar as pessoas dessas oscilações bruscas entre necessidade de solidão e euforia profunda por mudanças e novidades. Eu não sei explicar isso. Talvez eu tenha algum problema mental, mas ainda não sei o que é. Equilíbrio, um dia eu chego lá. Se eu fosse libriana, provavelmente já teria chegado (?).

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