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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Mundo subterrâneo

Preciso escrever sobre o metrô.

O crédito da foto ao lado é da Ana. Estação Liberdade. A minha preferida. Onde muitos imigrantes de japoneses e, depois, de chineses vieram parar.

Antes de morar em São Paulo, quando eu vinha para cá para ver algum filme ou exposição ou encontrar alguém, o metrô me fascinava. Agora pego o metrô com mais frequência, mas continua sendo fascinante (caipira é a mãe! =P). Parece um mundo à parte, em que o tempo acontece diferente, como uma realidade artificial.

Agora, nas estações, existem bancos azuis, para pessoas obesas. É engraçado porque cabem duas pessoas de peso normal ou pode ser entendido com um banco para casal. Quando a voz começa a anunciar: "os assentos de cor...", fico esperando a pessoa dizer: "os assentos de cor azul são para pessoas obesas, se você não se encontra nessa situação, por favor, não utilize esses assentos". Mas não. A voz anuncia que os assentos cinza (dentro dos vagões) são para pessoas idosas, gestantes ou com deficiência. Respeitemos, portanto.


Muitas vezes lembro do filme "Jogo Subterrâneo", baseado em um conto do Cortázar, um dos meus escritores preferidos. O filme se passa nos metrôs de São Paulo (!), uma realidade que agora também é a minha. O personagem principal se venda (metáfora do amor? porque o amor é cego, além de surdo, mudo e retardado!) e coloca tachinhas em um mapa do metrô, que ele prega na parede, depois, ele anota as coordenadas, em que estação deve descer, fazer baldeação e depois sair para rua. Adivinha para quê?! Ele presta atenção nas mulheres e se elas fizerem o mesmo trajeto que ele faz, isso quer dizer que eles estão predestinados um ao outro de alguma maneira. Nem sempre dá certo, mas ele acaba conhecendo mulheres interessantíssimas. Uma cega, outra toda tatuada e que tem uma filha que, se não me engano, é muda e toca piano... Eu adoro esse filme!

Lembro às vezes do que a Marina comentou, de quando ela estava em Paris, que vira e mexe os metrôs paravam por um tempo porque alguém tinha se jogado na linha. E, nisso, lembro também do filme "O pacto", em que dezenas de meninas dão as mãos e pulam na frente do metrô, e aí voam sangue e ossos (?) para tudo quanto é lado - é bizarro, tinha que ser produção japonesa! Haha. Ou é sutil e lindo ou totalmente bizarro, não tem meio termo! =P

Outro dia, não sei se por cansaço ou por falta do que pensar (o fluxo de pensamentos não para, independentemente da minha vontade - sim, é cansativo), imaginei que seria legal fazer "performances artísticas" dentro dos vagões. Palhaços que distribuem flores. Eu queria ser uma palhaça colorida e muda que distribui rosas para os passageiros, para depois guardar as sensações, as reações, os espantos, os prováveis sorrisos, a surpresa. Gosto da ideia de tirar as pessoas de suas realidades, mesmo que por alguns segundos, e também de ser tirada da minha própria realidade para conseguir ver diferente.

Então, para ver, recomendo: "Jogo subterrâneo" e, para ouvir, encontrei a música "Subway Song", do The Cure no Youtube.

A letra é assim:


Subway Song

Midnight in the subway
She's on her way home
She tries hard not to run
But she feels she's not alone
Echoes of footsteps
Follow close behind
But she dare not turn around

Turn around

2 comentários:

L. D. disse...

Metrô realmente é uma coisa fora da realidade, eu tbm me sinto assim quando ando nele, acho muito estranho...

E eu jah vi gente fazendo performances artísticas dentro do metro, uma das coisas mais inusitadas e divertidas! =P

E hahaha, eu vi esse filme japonês que vc citou, gente, eh um dos filmes mais bizarros que eu jah vi, eles realmente naum tem meio termo: ou eh delicado e lindo, ou eh aquilo! =P

Beeeeijos, Aline!

PS: cortazar é OHTIMO!!!

=***

aline naomi disse...

Hahaha! Lah, que bom que não sou só eu que me sinto assim no metrô...

Depois dá uma olhada no filme "Jogo subterrâneo", acho que você vai gostar! Eu quero ver de novo, deve dar uma sensação diferente, talvez eu reconheça lugares/estações no filme.

Beeeijo grande!!