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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Senta, que hoje eu também vou chorar as minhas pitangas!

Tava demorando. Hoje conheci pessoalmente um tradutor meio mala. O pior é que o cara é bom, certamente um dos melhores tradutores da editora. Só que interpessoalmente não é tão bom. Fiquei me sentindo culpada por achar o cara "mala", mas quando outra pessoa comentou que achava o mesmo, sem eu ter comentado absolutamente nada, me senti menos pior! Hahaha.

As coisas que ele falava me lembraram muitas coisas que eu ouvia de dentistas no convênio. Eu que achava que estava livre desses fantasmas...

Eu realmente não entendo essas pessoas que ficam brigando com coisas que elas, no fundo, no fundo, sabem que não tem como ser mudadas (esse tradutor trabalhou como interno na editora, fazia o mesmo que faço hoje e sabe mais do que qualquer outro tradutor como tudo funciona lá). Quando ele falou para eu falar com o editor sobre aumento do valor da lauda de tradução, lembrei imediatamente de quando eu ouvia os dentistas chorando as pitangas porque os valores pagos pelo convênio eram muito baixos (realmente eram!, mas chorar para mim ia adiantar?), como o valor da lauda pago pela editora também não é dos mais altos, entre outros gastos que os tradutores têm. O absurdo do absurdo é assim: tanto no convênio como na editora, pelo menos 95% dos profissionais aparecem por livre e espontânea vontade para trabalhar como autônomos, assinam a porra do contrato, teoricamente têm ciência de como as coisas funcionam, mas, mesmo assim, ficam reclamando!!

1. Se a pessoa se acha tão maravilhosamente boa profissional, então por que não procura meios de trabalhar menos e ganhar mais (encontrar outros lugares que paguem mais pelas restaurações, no caso de odonto, ou pelas laudas, no caso de tradução)?

2. Muitas coisas na vida mudam ou podem mudar; algumas empresas nunca vão mudar (fato), a não ser por um milagre muito grande, então por que ficar brigando e reclamando?

3. Eu não tenho muita paciência com isso.

Eu penso que tudo dura o tempo necessário (às vezes talvez um pouco mais, às vezes um pouco menos do que gostaríamos) para crescermos e termos a capacidade de escolher o que é melhor para nós. É o tipo de comportamento que NUNCA vou ter: conheço como uma empresa "x" funciona, conheço as políticas de trabalho, não concordo com determinadas regras de trabalho (ou com nada) e, mesmo assim, continuo trabalhando nela ou para ela, e fico reclamando e achando que eu é que estou certa e que as coisas têm de ser exatamente como penso, como se a empresa fosse minha (a louca). Tá ruim? Consigo fazer melhor, aprender mais/me sentir mais motivada e ganhando o justo? So long, farewell. Vou embora e busco outros caminhos. Não aguento comodismo.

Eu não entendo, juro que não entendo, essas pessoas. Talvez estejam perdendo um tempo precioso da vida delas com coisas que nem valem a pena (brigando), quando poderiam estar se sentindo bem melhor com outros trabalhos em outros lugares. Existem escolhas, existem possibilidades.

E eu odeio ouvir: "Tal lugar paga bem mais...". Foda-se. Ninguém perguntou. A pessoa sabia das regras, assinou a porra do contrato e fica reclamando na hora do pagamento. Por que não procuram outro lugar melhor e cujos honorários sejam mais justos, já que algumas pessoas são realmente competentes? Mas não, ficam reclamando para mim, como se eu tivesse superpoderes para mudar toda a cultura de uma empresa (quem me dera!). Eu tento mudar, sim, mas do meu jeito, sem forçar a barra, com argumentos observados ao longo do tempo, sem parecer uma sindicalista insana, e quando vejo que é tudo vão ("o amor da gente é como um grão" =P) e que não vale mais a pena, simplesmente vou embora.

***

Mas como nem tudo são espinhos, também tive uma surpresa feliz hoje: recebi dois livros de presente do Paulino, um médicoescritor de Maceió, que me achou lá no Orkut, em alguma comunidade de literatura. Romances. Depois que ler, comento.

2 comentários:

h. Cassiano Riva disse...

Naomi,

achei muito engraçado tudo que escreveu porque é assim mesmo a vida: sempre tem alguém falando que outro lugar é melhor, pagam mais, tem mais direitos, estabilidade etc etc etc.

Por que não viver a vida presente e correr atrás do que se quer ao invés de tanta reclamação? Afe!

Comigo é assim: - Nossa, você tem doutorado? "Não sei quem" tá fazendo também (não me interessa e depois quase sempre é mentira! No último caso que ouvi era um aluno especial do mestrado).

Ratos e urubus largem nossas vidas... ehehe

Gros bisou.

aline naomi disse...

HAHAHAHAHA!

Ah, K... tem umas pessoas que enchem muito o saco! Acho que elas não conseguem perceber que estão sendo inconvenientes e que no fundo elas é deveriam se adaptar à empresa e não o contrário.

Mas ok, vou tentar manter a serenidade porque se as pessoas fossem sensatas, o mundo não teria graça!

E você? Quais os planos para esse ano?

Beeeijo!