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sábado, 16 de maio de 2009

Buda - o mito e a realidade - Heródoto Barbeiro

Ontem comprei esse livro, do Heródoto Barbeiro, com desconto por ser funcionária, lá na editora. Eu estava esperando ansiosamente que ele fosse reeditado. Cheguei a revisar umas partes que o Heródoto queria incluir, quando eu ainda era só revisora, que estavam escritas a mão (algumas coisas eram difíceis de decifrar, mas com esforço e empenho, nada é impossível... haha!). Quis revisar o livro todo (na verdade, secretamente, queria também ler o livro todo), mas a gerente disse que tinha pressa, que o livro não ia passar por uma nova revisão total, apenas parcial, para incluir as tais partes e rever a ortografia. Então decidi que, quando saísse, eu compraria. É o primeiro livro que leio por vontade própria esse ano, então estou muito contente.

Comecei a ler ontem, sentada na escadaria da estação Liberdade, enquanto esperava a Cris e continuei hoje, até terminar. O livro é muito bom para quem não tem noção do que é Budismo, eu adorei. Eu me reconheci nele. Acho que sou budista, mesmo sem saber, assim como muitas pessoas também devem ser, mesmo sem saber. Muitas ideias que Buda tinha e pregava eu também já tinha como verdades. E agora a minha busca tem nome: iluminação. Preciso encontrar o caminho do meio. Sou uma garota em busca de iluminação.

Se eu pudesse, daria um livro desse pra cada pessoa que se propusesse a lê-lo, mesmo que depois falasse que não faz sentido ou que não gostou.

O livro fala de dois Budas: o mito (que teve uma vida com episódios fantásticos, como a história de Jesus) e o real, que comprovadamente existiu. Não sabia, mas Buda é o único líder religioso que comprovadamente existiu, a existência dos outros não pode ser comprovada. O livro fala de despreendimento, de busca por iluminação, de buscar a Verdade, de não fazer o mal, de praticar o bem, de não haver necessidade de ter fé em santos ou imagens, nem de estar em templos para alcançar a iluminação (isso é fantástico porque parte do princípio de que qualquer um, não importa a condição e nem o lugar do mundo onde esteja, pode se tornar um buda, um iluminado). Fiquei curiosa para saber mais e, apesar de não entender quase nada de psicanálise, fiquei com a impressão de que budismo e psicanálise devem se entrelaçar quando a questão é resolver as questões internamente, porque o modo como moldamos a realidade só depende de nós (concordo absolutamente!), então só depende de nós mudarmos a forma de pensar, agir e reagir.

O Budismo é muito bom porque não obriga ninguém a acreditar em nada. As coisas estão lá, acredita quem quer, pratica quem quer, não é preciso templo, não é preciso dízimo, não é preciso nem ter fé. Diferente do catolicismo, por exemplo, que parece obrigar os fiéis a serem cordeirinhos para alcançar o reino dos céus, quando, na verdade, o reino dos céus, ou a iluminação, está dentro de nós. O Budismo não limita, expande. Larguei a catequese no primeiro ano, quando tinha 11 anos, porque tudo aquilo me entediava, as catequistas falavam de um Deus que pune se a gente não se comporta de determinada maneira e se não reza direito e se não vai à missa todo domingo... intuitivamente tive a sabedoria de entender que aquilo ali não era o meu caminho e deixei pra lá; a minha concepção de "deus" é que ele sempre perdoa e dá uma segunda chance para quem quer realmente ser uma pessoa melhor - para si e para o mundo -, por pior que ela tenha sido no passado).

Grifei algumas partes do livro que achei muito interessantes e/ou com que me identifiquei:

"Tudo mudou e muda sem parar."

"Podemos escolher: ou a mente impura ou a iluminação. Não há outra escolha possível, e ela não é fácil para ninguém, nem para Siddharta. No Budismo original, há a busca contínua pela iluminação. Isso pode levar algumas pessoas a confundirem ritual com religião. E o que um religioso deve ter nas mãos? O vazio. É dele que tudo nasce, por mais que isso possa não significar nada para a nossa cultura ocidental."

"A iluminação é de cada um, ou seja, cabe a cada indivíduo compreender quem realmente é." (Ideias como essa que me fizeram pensar que o Budismo tem um link com a psicanálise - ou vice-versa. Mas eu vivo relacionando assuntos que não têm nada a ver, então não sei! Quando estava lendo "Alice no País das Maravilhas" pela enésima vez, por exemplo, achei que tinha tudo a ver com partes de "A Divina Comédia", do Dante Alighieri, que eu tinha lido em Literatura Italiana, na faculdade... haha! Para mim, fazia todo sentido do mundo. Tanto Dante quanto Alice estavam perdidos em mundos fantásticos, buscando alguma coisa que nem eles sabiam o que era (me identifico muito com essa coisa de "estar buscando alguma coisa").)

"O método da salvação desenvolvido por Siddharta é pela inteligência, pelo saber e não pela emoção."

"Siddharta ensinou que as práticas espirituais só adquirem sentido se puderem ser aplicadas no dia-a-dia e não ficarem condicionadas somente ao momento que se entende como o instante da religiosidade."

"É uma doutrina rebelde porque considera que obedecer é uma espécie de morte momentânea."

"Esperai tudo de vós mesmos."

"Na verdade a luta contra a ignorância é o grande, o único preceito do Buda."

"Não se pode esperar das coisas mais do que podem proporcionar. O carro serve como meio de transporte, e o dinheiro para comprar. Nada mais. Buda ensinou que as pessoas devem procurar a felicidade duradoura, que não se obtém de força extrema. É preciso ter paz interior. Desnudou a origem do sofrimento ao dar de cara com a ignorância, com a falta de conhecimento. Ela é a grande responsável pelo sofrimento do homem e o drama da vida desenrola-se exclusivamente em nós pelas sensações recebidas por meio dos nossos sentidos. A felicidade está na libertação dos opostos, isto é, ir além do bem e do mal. É vivenciar a relatividade desses conceitos. Eles sempre existiram e sempre vão existir, um não existe sem o outro. São, de novo, duas faces da mesma moeda. Isto quer dizer que algo não é bom o ruim, é necessário. O Budismo é uma doutrina na qual a intelectualidade ocupa o primeiro lugar, portanto deve estar fundamentado no cérebro, na razão e não no coração ou na emoção."

"Tudo que um homem precisa saber para sua real libertação está dentro dele mesmo [...]"

"O Budismo é a religião do vazio."

"[...] todos os seres humanos são potencialmente iluminados, mas que precisam da prática para encontrar dentro de si mesmo a iluminação."

"É o andar que constrói o caminho; portanto, a qualquer momento se pode dar o primeiro passo e para isso não é preciso ser alguém especial, apenas um ser humano."

"Nada perdura, porque tudo está em constante mudança."

"Nada que é ruim perdura, e o horizonte sempre aponta para o melhor, se soubermos direcioná-lo para o conhecimento." (YES! =)

"É preciso apenas perceber que as coisas são passageiras e que tudo o que se pode obter na vida também se pode perder. Não se pode agarrar nas coisas ou nas pessoas, pois elas são impermanentes, e o apego a elas é uma fonte de constante dor."

"Ser budista é procurar dentro de si mesmo as causas e condições da vida que tem, e não atribuir aos outros ou aos deuses nossos problemas e agruras da vida."

"Ser budista é perseguir o aperfeiçoamento contínuo e ajudar outros a conseguirem o mesmo."

Eu já tinha essas ideias mesmo antes de saber que o budismo as pregava. Fiquei muito surpresa e ao mesmo tempo contente, porque sempre estive no (meu) caminho certo, mesmo sem saber.

Para ler:
Buda - o Mito e a Realidade
Heródoto Barbeiro
127 páginas
Madras Editora
2009

O preço mais baixo que encontrei foi na Cia. dos Livros, por R$ 14,14.

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