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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Dentro do aquário...

Não. Por enquanto ainda não tenho gabarito para falar sobre o signo de aquário, portanto, não é um post do tipo: "fique por dentro do signo de aquário". É um título metafórico para dizer que de repente me sinto dentro (e não fora) do aquário, me sinto parte de uma suposta "normalidade", o que provavelmente me poupará alguns anos de análise.

Essa semana dei uma espiada no Orkut, depois de muito tempo sem entrar, e vi um recado da Vanessa Feltrin (que eu chamo de "Princesa Sara", porque ela gostava do "Cavalo de Fogo" - haha!). Éramos amigas por correspondência, se não me engano, desde 2000 (eu escrevo carta desde os oito, nove anos, sempre achei tão legal isso), depois paramos de nos escrever, mas continuamos em contato de outras formas - MSN, e-mail, Orkut; vim conhecê-la pessoalmente e também o namorido dela no ano passado, num congresso de jornalismo que teve aqui em São Paulo - ela é jornalista. Lembro que começamos a nos corresponder quando eu ainda estava na faculdade e ela também, lá em Santa Catarina. Ela viu meu nome na seção de "troca de correspondência" numa revista da Seicho-no-Ie, que a Sol, minha amiga "homemate" que é dessa religião me dava (e, sim, eu lia e achava legal - estou aberta a todas as religiões, já que não sigo nenhuma, quem sabe juntando partes do que leio sobre todas as religiões eu consiga fundar minha própria igreja a médio prazo? Segundo a revista "Mad" ou a extinta "Bundas" (não lembro agora), é o negócio que mais cresce no Brasil e que mais dá dinheiro =P; se nada der certo, eu viro pastora ou talvez invente uma outra denominação que soe importante para dar credibilidade...). Bom, acontece que a Princesa Sara, que trabalhava em um jornal catarinense, que era o sonho da vida dela desde criança, disse brevemente no scrap que agora abriu um estúdio de tatuagens e piercings (oi?? mas é) e que era para eu ir lá visitá-la, fazer uma tattoo e tal, ou só conversar. As pessoas não são mesmo surpreendentes? Meu, eu adoro essas coisas! "Mudei de vida, estou fazendo uma coisa completamente diferente do que eu fazia, estou tentando, estou aprendendo, estou curtindo."

E ela não é a única amiga que mudou. Tem o João, um amigo que eu adoro muito, admiro muito e que me inspira, mesmo sem saber. O João queria ser tradutor, de francês, aí saiu lá de Goiânia e foi estudar, depois deu aula, foi coordenador da Microlins (a sede principal fica em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, onde estudamos); queria fazer mestrado para dar aula em universidades, tentou a prova por dois anos, não conseguiu entrar - fiquei MUITO chateada por ele, porque ele merecia muito conseguir tudo que ele quer... mas, no fim, ele decidiu trabalhar num navio de cruzeiro (!) e, desde então, acho que está sendo a melhor época da vida dele. Eu também quis trabalhar em navio no fim do ano passado - inspirada por ele! -, cheguei a ver, mas acabei me enveredando por outros caminhos, que por enquanto estou achando certos. Primeiro, ele trabalhou de croupier (acho que é isso), uma pessoa que ajuda os viajantes no cassino, e, no segundo ano de trabalho, foi promovido a... (não lembro o termo, mas) é como se fosse um intérprete do navio.

Tem também o Filipe Bortolini, um amigo virtual gaúcho, que é formado em ciências da computação (?!?!), só que ele ama escrever (!), publicou uns contos em antologias, tem várias coisas publicadas em sites de literatura. A gente começou a se falar em um chat de literatura, há muito tempo - hoje em dia eu meio que perdi contato com ele, mas sempre achei surpreendente ele conseguir conciliar uma ciência exata com a escrita, que é algo tão plástico (e ser capaz de escrever superbem!). Da última vez em que falei com ele, ele estava trabalhando com algo que tinha a ver com qualidade, "gestão da qualidade" (?), estava coordenando melhorias em várias empresas, viajando, palestrando. Talvez hoje tenha abandonado o meio corporativo e esteja tocando em uma banda de rock gaúcha (?) =). Não me surpreenderia tanto se isso acontecesse.

O Cassiano me contou uma vez que começou uns cinco cursos, mas acabou terminando só tradução (paixão?). Faz um tempo me convidou para fazer artes plásticas na Unesp daqui e falou em montar uma república de artistas - é, seria fantástico se pudéssemos fazer nossa própria arte na porta do apartamento, por exemplo. Na época, e ainda hoje penso o mesmo, falei que não me via como artista plástica e, por isso, não investiria em algo que provavelmente me frustraria... porque deve ser frustrante ver pessoas com dons maravilhosos, que desenham superbem ou pintam ou fazem instalações extraordinárias, enquanto eu me esforçaria ao máximo e o resultado seria apenas minimamente satisfatório. Acho que gosto mesmo da escrita, de palavras, das coisas verbalizadas, ainda que elas não consigam exprimir com exatidão tudo que quero. Voltando ao Cassiano, foi fazer mestrado, doutorado, foi viajar, foi estudar pedagogia. Acho que ele está meio perdido agora. Queria poder fazer algo, mas só ele pode saber o que é melhor para ele.

Outra é a Sabrina Galli (Sábris), que se formou em tradução comigo, depois foi estudar gastronomia em Águas de São Pedro (ou São Pedro das Águas?) e agora é chef em Belo Horizonte, depois de ter trabalhado em um restaurante de hotel em Maceió. Não é espetacular? Eu admiro. E, da última vez em que falei com ela, ela estava empolgada com as escolhas dela. Falou para eu dar um pulo lá no restaurante onde ela trabalha, quando eu fosse novamente para Belo Horizonte.

A Lana fez o caminho inverso da Sábris. Ela fez "culinária" (ela usou esse termo), comentou que trabalhava em restaurantes, e também que os cozinheiros são "loucos", mas sofrem de um tipo de loucura diferente dos tradutores (haha!); ela falou para eu não deixar os tradutores lá da editora me enlouquecerem... se é que isso será possível (haha!). Foi viajar, foi conhecer o mundo, depois, acabou se apaixonando por letras, foi traduzir, foi estudar literatura francesa (voltou para o mestrado nessa área agora), foi ver como era trabalhar em uma editora. Eu acho a Lana uma pessoa interessante, ela tem umas ideias diferentes.

Lembrei da Crisinha agora. Ela fez biologia lá em Rio Preto, depois foi fazer turismo, mas, por enquanto, trabalha em um consultório odontológico (quando ela entrou nesse emprego, a gente ficava conversando sobre odonto; embora ela não curta tanto o trabalho e nem de longe quer ser dentista, conseguiu aprender até que bastante e contava historinhas do consultório - eu adorava ouvir... - e ficou neurótica com o fio dental e higiene bucal em geral... haha!!). Pulou de para-quedas, luta ju-jitsu, joga futebol, já foi hostess (?) em um congresso de observadores de aves (eu nem sabia que isso existia), era o braço direito da regente do coral da faculdade, é uma menina superpoderosa. Já faz um tempo que não conversamos e eu sinto saudade. Talvez ela já esteja fazendo qualquer outra coisa. Talvez um curso de mergulho para ser "guia subaquática". Uma vez sugeri que ela juntasse biologia e turismo, montasse um plano de excursões ecológicas guiadas e apresentasse para as agências de turismo, mas ela nem curtiu a ideia... se eu tivesse a bagagem dela, provavelmente tentaria - uma hora ou outra, alguma agência se encantaria com meu plano mirabolante e eu meio que ganharia para passear com a galera.

Esses dias, buscando um termo, caí em um blog de uma tradutora de um país distante e, por acaso, li o último post dela. Ela dizia que ia tentar outra profissão, mas não chegou a dizer o que era; talvez ela fosse da área da saúde, já que era especializada em tradução médica (o nome do blog era algo do tipo "Medical translations" ou "Medical translator" e ela escrevia sobre o dia-a-dia profissional). De qualquer forma, ela ia mudar de profissão e para ela isso era completamente normal.

No momento, só consegui lembrar dessas pessoas, mas certamente tenho vários outros amigos que também mudaram e mudam constantemente de planos e trabalhos (a maioria dos amigos/colegas de faculdade, por exemplo, não exerce a profissão - como diria a Marinex: "me vendi ao mundo corporativo" - haha! Que saudade de conviver mais com ela, ela era o Bozo! E me falava sempre de um livro que ela tinha lido quando era criança e se lembrava de mim: "Para enxergar apertadinho" - eu mereço? =D). Então, de repente, me senti dentro do aquário. Não estou só, com minhas escolhas e mudanças constantes. É confortável saber que muita gente também muda. Que muita gente também está buscando "o caminho do meio". Que é normal mudar. Antes eu me achava meio anormal, extremamente confusa e caótica, por querer tudo ao mesmo tempo, aprender de tudo, mudar o tempo todo, mas muita gente também é assim. Se eu soubesse que viveria uns 200 anos, provavelmente daria um jeito de fazer as seis faculdades que eu queria, mas a vida exige escolhas, então estou tentando fazer as melhores, para poder aproveitar melhor o tudo que ela pode (e vai!) me oferecer.

2 comentários:

Crisão disse...

em breve falarei de gêmeos e dos signos de ar.... mal vejo a hora de poder conversar com vc ao vivo de novo!!!

aline naomi disse...

Aeee!!
Pra quem achava que ia me achar uma chata de galocha, até que causei uma boa impressão, né?? HAHAHA!

Sim, fala sobre gêmeos! "All about my mother". Vou dar uma olhada pra ver se você já escreveu ;)

Beeijo!