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sábado, 30 de maio de 2009

La vita è bella, anyway


A imagem que ilustra este post é do artista Nate Williams. Gostei muito do trabalho dele, que achei por acaso e pode ser conferido aqui.

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Ainda não consegui terminar de revisar o tal livro (*respirando fundo e entoando um mantra*), mas pretendo terminar hoje, sem falta. Sério, não aguento mais.

Quinta acabou a energia elétrica por uma hora no trabalho. Meninos ficaram jogando pôquer e apostando elásticos de escritório (artigo de luxo, raríssimo e por que as pessoas às vezes brigam) e meninas ficaram consultando livros de gnomos e oráculos. Quando a energia voltou, a Flávia, uma das revisoras, comentou: "Gente, é hora do café!". E eram 16h mesmo. Rá!

Ontem desencanei de revisar o livro na editora e fui cuidar dos contratos, que precisavam ser traduzidos. Consegui organizar boa parte disso e achei que o dia rendeu. Conheci pessoalmente uma tradutora buonissima e que também é ótima pessoa; ela foi entregar o livro que traduziu e gostei bastante de conversar com ela. Conhecer os tradutores pessoalmente é surpreendente, porque mantenho contato com eles por e-mail e/ou telefone por um tempo razoável e fico imaginando como eles são pelo jeito de escrever/falar. Pessoalmente, alguns são estranhos, outros são normais, outros são completamente diferentes da imagem que eu tinha formado deles a partir da escrita.

No fim do expediente, fui com a Barbie (Bárbara), uma das revisoras do trabalho, para o McDonald's. Sim, fui muito mais pelo social (companhia) do que pela comida em si. As outras meninas, Bianca e Flávia, não puderam ir. Enquanto ela McMelt e suco de laranja, eu McFish com suco de uva e batata frita com níveis extrapolantes de sal (não entendo por que as coisas têm de ser tão salgadas - e viva a hipertensão!). Foi uma horinha boa. Conversamos abertamente sobre o trabalho e cheguei à conclusão de que cada um tem a sua "cruz" lá na editora. Foi engraçado saber que não só eu sinto angústia às vezes e penso "x" ou "y" sobre o que e como as coisas são feitas lá, ou como as coisas poderiam ser melhores se. Enfim, foi bom. A Barbie é a pessoa com que mais me identifico lá, pelo jeito de pensar e ser, além de termos vários gostos em comum - ela me emprestou um livro em francês chamado "Stupeur et Tremblements" [Estupor e Tremores], da Amélie Poulain, mentira, da Amélie Nothomb, sobre uma mulher que trabalha em uma empresa japonesa... pelo que me lembro, a Barbie comentou que é uma história meio autobiográfica, porque a autora francesa viveu no Japão quando era pequena, depois voltou para a França, mas sempre teve vontade de voltar ao Japão, e acho que voltou. Quando eu terminar de ler, poderei comentar melhor. Esse livro faz um link com um outro em francês que ainda pretendo traduzir e depois oferecer para alguma editora publicar, sobre uma imigrante chinesa em Québec, a parte francesa do Canadá - eu queria ter começado a traduzir esse livro no quarto ano da faculdade, mas a Livraria Cultura não conseguiu importar, porque estava esgotado... só consegui quase no fim do quarto ano, porque um amigo canadense conseguiu achar em uma livraria de lá (Québec) e me mandou. Gosto de e me identifico com essas histórias de "olhar estrangeiro", de a personagem sair de um ambiente conhecido para ver e sentir diferente - e se surpreender -, gosto da ideia de personagens buscando lugares que as façam sentir "em casa". O giu uma vez escreveu que parecia que eu tinha sido jogada no mar, em algum ponto entre Japão e Brasil, por isso eu me sentia meio desnorteada. Tenho os dois países em mim, mas, ao mesmo tempo, nenhum deles. Mesmo tendo vivido a minha vida toda no Brasil, muitas coisas ainda me incomodam, não consigo entender determinados comportamentos sócio-culturais dos brasileiros, muita gente "folgada" e "espertinha" e sem educação, não me sinto completamente à vontade; ainda quero ir para o Japão e ver o que sinto. Talvez eu ame, talvez odeie, talvez me sinta em casa?

Sexta, na rodoviária, encontrei a "chica boliviana" (Joana - gravei o contato dela como "chica boliviana" no celular porque ela é mesmo da Bolívia) e a Luciana, ex-colegas de odonto, que eu não via desde o ano passado. Elas comentaram que tinham acabado de falar de mim (!), quando me viram. Sincronicidade junguiana, pois é. Elas tinham acabado de chegar de São José e estavam indo para a mini-caravana da Abeuni. Fiquei meio constrangida de falar que estava afastada das atividades abeunenses por vontade própria - inclusive desativei o recebimento dos e-mails do grupo, porque os membros mandavam entre 30 e 40 e-mails por dia, sendo que vários não acrescentavam nada ou falavam de assuntos da entidade que já não me interessavam, comecei a ficar irritada, mas se e quando eu quiser, posso consultar esses e-mails pelo site. Por falar nisso, acabei recusando o convite para participar da comissão que faz o jornal da Abeuni. Eu até que queria, tenho certeza de que me acrescentaria, mas optei por priorizar minha vida profissional... acho que me sentiria sobrecarregada e frustrada por não conseguir fazer nada direito depois, receio de perder completamente o foco. Boa ou ruim, foi a minha escolha no momento.

Deixa eu ir lá comer. Parece que tem salmão. Ueba!

2 comentários:

h. Cassiano Riva disse...

Querida,

qualquer palavra que vc me diz significa tanto...

um silencioso abraço em vc também...

vamo lá... descobrir a felicidade no caminho, dentro de nós e nos objetivos alcançados.

Saudades de ti.

aline naomi disse...

Ei, K, bola pra frente!

Amanhã (hoje) você volta para São Paulo e poderá buscar outras alternativas!