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sábado, 9 de maio de 2009

"Os nossos dias serão para sempre"

Hoje meus pais, meu irmão e minha cunhada vieram para São Paulo (até que estão se virando bem para chegar de carro aqui! - eu já não sei se um dia conseguirei a proeza). Chegaram umas 8 da manhã, eu estava dormindo, demorei para perceber que o som da campainha vinha da realidade e não do meu sonho, mas consegui ir até a porta e fiquei feliz com a visita. Meu irmão trouxe o computador - que funciona maravilhosamente bem, inclusive a internet da TIM está bem mais rápida (que mágico!), instalou tudo, estou muito contente, foi a melhor escolha, agora tenho certeza. Meu pai trocou as lâmpadas comuns por lâmpadas econômicas, depois ele e Alan pregaram uns quadros que pedi para trazerem de São José; deveria ter pedido para me deixarem pregar pelo menos um dos quadros, aí aprenderia a usar a furadeira e me sentiria "poderosa", haha. Uma reprodução de um quadro do Magritte ("Ceci n'est pas une pipe") foi pregado em frente à porta de entrada, um poster de "Lost in translation" foi colocado ao lado da janela da sala-escritório (de onde escrevo agora), onde, também, em outra parede, foi pregada uma foto P&B, tirada pelo Sebastião Salgado, de uma estação de trem indiana. Na foto do Salgado, ele capta o movimento de milhares de pessoas, acho incrível. E, como as pessoas da foto, também estou aqui de passagem ("este mundo não é meu, este mundo não é seu, estou aqui de passagem", como canta Marisa Monte), como todos estamos. Daqui a pouco talvez eu precise descer em outra estação para ver outras paisagens, mas, por enquanto, vou aproveitar essa da melhor forma que puder.

Aos poucos vou me sentindo mais "em casa", com todas essas referências familiares.

Depois que tudo ficou mais ou menos ajeitado aqui, fomos para o Mercadão Municipal. A Suellen, namo do meu irmão, que nos conduziu. Eu tinha curiosidade de conhecer, mas não sabia que ficava perto da 25 de Março (!!), uma rua superconhecida por vender todo tipo de coisas por um preço bem mais baixo do que o normal. O Mercadão estava lotado, bem como a 25 de Março e, depois de um tempo, começou a me dar um certo desespero, eu queria sair dali. Foi legal, mas não pretendo mais voltar. É bom para conhecer e saber que existe; no mercado tem várias frutas lindas, diferentes (e caras) e tal, mas o estresse para se chegar lá não compensa. Se me perguntarem se quero ir para a 25 ou para o Mercadão, a minha resposta provavelmente será: "Quanto você me paga para eu te acompanhar?". Se bem que acho que nem pagando... Para se chegar na 25, basta descer na estação São Bento e pegar a saída que dá na Travessa (alguma coisa), o Mercadão fica lá perto, mas não sei explicar por que rua seguir.

Depois de andar um pouco e não ter lugar para sentar nos lugares que serviam comida (eu queria comer um pastel de bacalhau, mas depois de saber que custava R$ 8,50 e ainda teria de pegar uma fila ou uma senha, deixei pra lá), fomos para o restaurante onde como todo dia, lá perto do trabalho, em Santana, porque eu lembrava que abria aos sábados também. Voltamos então para o apartamento e depois eles pegaram o carro no estacionamento do Carrefour (porque no meu prédio não tem onde estacionar) e voltaram para São José.

Foi um dia bom. Falei mais ou menos sobre o meu trabalho para o meu pai, ele que já trabalhou em algumas empresas me falou algumas coisas que achei válido. Só que certamente meu pai viveu uma realidade profissional completamente diferente, porque, antes de trabalhar por conta, sempre trabalhou em multinacionais (experiência pela qual ainda gostaria de passar, embora tenha me apaixonado pela área editorial - descobri o que gosto de fazer, me dá prazer, sinto que me ajuda a crescer e que tenho potencial para fazer bem a médio prazo, mas ainda não encontrei "o lugar" - vou falar sobre isso no próximo post).

Se meu dia tivesse uma trilha, seria esse trecho da música da Legião, "Esperando por mim":

"Hoje à tarde foi um dia bom
Saí pra caminhar com meu pai
Conversamos sobre coisas da vida
E tivemos um momento de paz"

É engraçado. Lembrei de uma coisa que a Samantha, uma amiga de infância, comentou há vários anos, que quando eu saísse de casa, provavelmente conseguiria interpretar o que meus pais me falam de um jeito completamente diferente (eu que sempre os achei meio "cansativos"). A distância está sendo boa para estreitar os laços. Parece contraditório, mas não é. E esses dias serão para sempre.

***

Agora pouco a Nick da Abeuni me ligou para me convidar para participar da comissão (organizadora) do Ponto Futuro. "Ponto Futuro" é um jornalzinho para abeunenses que fala sobre os eventos da entidade. Participando dessa comissão, eu ajudaria a fazer esse jornalzinho e também o "Abeuni News", que é um jornalzinho mais formal, que ajuda a divulgar a entidade externamente. Fiquei surpresa (muito surpresa, aliás), porque não esperava esse tipo de convite nesse momento. Ficamos uns bons minutos conversando. Sei que certamente aprenderia bastante, conheceria melhor outras pessoas e tal, mas... não sei. Tenho uma semana para pensar. Há algum tempo mandei um e-mail para o João, comentando algumas coisas, disse que ficaria um tempo afastada da Abeuni porque estava meio sem ânimo para continuar e tinha vontade de fazer outros trabalhos voluntários (do tipo ensinar inglês para crianças carentes ou participar de algum projeto voluntário de alfabetização de adultos), mesmo que para isso eu tivesse que abrir mão de prazeres/necessidades pessoais (ver amigos, família, ir ao cinema, ao teatro, pegar freelas) - porque sei que isso teria um impacto positivo e direto na vida dessas pessoas, diferente do que sinto que acontece na Abeuni, que parece mais ajudar os próprios voluntários do que as pessoas que realmente precisam e, sei lá, de repente isso pareceu não fazer sentido para mim... sei que tem pessoas que realmente precisam de muita ajuda para se desenvolver como pessoas ali, que não conseguem fazer amigos ou têm muita dificuldade de ter qualquer relacionamento interpessoal, e isso superinterfere no desenvolvimento delas, mas não sei se eu gostaria de fazer parte de algo em que o enfoque é ajudar pessoas que já estão em condições socioeconômicas favoráveis e vão lá fazer um social, fazer amigos, arranjar namorado(a) ou coisas do tipo. Talvez a minha visão pessoal de tudo esteja bem distorcida, mas é o que sinto no momento. Expliquei tudo isso para o João, porque eu tinha pedido para entrar no Grupo Almoço (que organiza e faz almoço para os voluntários, aos sábados), que ele e um outro membro organizaram, mas eu já nem sabia se queria continuar participando. E eu acho que é preciso estar de corpo e alma em algo ou então não vale a pena, é melhor não continuar. Como eu não sabia se valia a pena ou não, preferi dar um tempo, experimentar outros tipos de trabalho voluntário que talvez estivessem mais alinhados ao que espero agregar às pessoas e, ao mesmo tempo, me ensinasse coisas que ainda preciso aprender. Ele entendeu a minha posição, não criticou nem nada.

Seria legal participar do jornal porque é algo que depois se materializaria! Seria legal contribuir para que as edições ficassem próximas do perfeito, porque sei que todo mundo ali se esforça para fazer sempre melhor (a Abeuni, diferente de outros lugares, preza pela qualidade - e isso é algo que admiro muito). Enfim, ainda tenho uma semana para decidir.

2 comentários:

Alberto K. disse...

Olá Aline!

Muito provavelmente vc não lembrará da minha pessoa, mas também participo da ABEUNI.

Atualmente vc tem realizado algum outro tipo de trabalho voluntário? De uns tempos para cá, a pro-atividade dos membros tem sido bastante estimulada, no sentido de que caso os voluntários tenham interesse em iniciar um projeto, a iniciativa é extremamente bem-vinda! Assim, caso vc queira idealizar algum projeto nos moldes que vc citou no texto, fale com algum abeunense (comigo, com o João ou com algum outro abeunense que vc conhecer!)

Mas não deixo de concordar com vc! Talvez o caráter meio nebuloso com relação ao quanto a ABEUNI realmente ajuda as populações que atende talvez faça com que o sentido dela se misture num mar de interesses pessoais...

Porém, uma coisa é certa: caso vc queira voltar para a ABEUNI para tentar tocar um projeto que vc tenha em mente, re-ganharemos um membro bastante reflexivo!

aline naomi disse...

Oi, Alberto!

Obrigada por deixar essa mensagem no meu blog.

No momento, não estou participando de nenhum trabalho voluntário, mas é algo que quero.

Desculpe, mas a Abeuni já não tem a ver com o que eu gostaria de fazer, por isso não pretendo voltar. Como disse no post, ainda quero trabalhar com crianças (ensinar inglês ou fazer "círculos de leitura" para estimular a leitura desde cedo) ou alfabetizar adultos. Preciso encontrar algum grupo que esteja alinhado com o que estou disposta a oferecer e a aprender.

Imagino que a Abeuni ainda esteja MUITO voltada para os próprios membros e isso para mim não faz muito sentido.