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sábado, 13 de junho de 2009

Casamento grego - Joel Zwick

Vi esse filme pela quarta ou quinta vez anteontem. Sempre que, por acaso, vejo passando na TV, assisto de novo.

Dessa vez, passou, se não me engano, na TNT, e descobri que a atriz principal (Nia Vardalos) também escreveu o roteiro e que esse roteiro foi adaptado de uma peça teatral dela.

Só mesmo uma descendente de gregos poderia ter escrito um roteiro assim (a Nia Vardalos é canadense e descendente de gregos). Acho que só vivendo determinadas situações é possível descrevê-las tão bem. O filme é simples mas acho tão genial como uma situação normalmente "pesada" pôde se transformar em uma "comédia romântica" sem parecer piegas.

Toula (a personagem que a Nia interpreta) tem 30 anos e ainda não se casou. Para os padrões gregos, isso é uma tragédia. O pai dela quer que ela se case com um grego, quando, na verdade, ela já está apaixonada por um americano ou, como diria o pai dela, "um xeno"... "Que tragédia, minha filha vai se casar com um xeno!". Há alguns anos, na minha família, eu ouvia/ouviria: "Meu filho/minha filha não vai se casar com um(a) gaidjin! Se casar, pode esquecer que tem família". Rá. Mas agora até que as coisas estão ficando diferentes, vários primos meus se casaram com gaidjins (ironicamente, japoneses no Brasil chamam brasileiros de "gaidjin", que significa "estrangeiro", quando, na verdade, os "estrangeiros" somos nós) e, que eu saiba, não foi uma guerra - se meus tios ficaram insatisfeitos ou decepcionados com as escolhas, não demonstraram. No filme tudo também dá certo - afinal de contas, é uma comédia romântica... Mas a personagem hesita em alguns momentos entre fazer o que o pai dela acha certo e o que ela acha que é certo para ela - acho que são sutilezas como essa que fazem com que o filme seja singular, diferente de todos os outros do mesmo estilo. É uma escolha difícil - é claro que é! -, porque casar com um "xeno" talvez significaria romper o relacionamento com a família dela ou tornar esse relacionamento muito precário. E, para ela, a família era algo muito importante - mesmo eles sendo estranhos, falantes e glutões (na visão dela própria).

Sinceramente, até hoje não entendo bem o pensamento que gregos e japoneses, entre outros, tinham e ainda têm de não querer que os filhos se casem com pessoas de outras etnias (no caso dos japoneses, do meu falecido avô paterno, por exemplo, acho que tanto fazia se a pessoa fosse brasileira, africana, indonésia ou europeia, era gaidjin do mesmo jeito e, teoricamente, seus filhos e netos não deveriam se casar com nenhuma delas). Talvez quem defenda esse pensamento tenha a prepotente ideia de que a sua etnia é a melhor do mundo e, se misturada com qualquer outra, perderia a essência e a força. Talvez seja mais fácil incluir uma pessoa com a mesma cultura e que tenha sido educada mais ou menos da mesma forma na família (embora nem sempre o mais fácil seja o melhor). Mas o mais estranho é que, mesmo dentro de uma mesma etnia, há pessoas e pessoas - porque cada um escolhe o que fazer com os estímulos que recebe -, então, como dizer "somos os melhores, então é melhor que nos casemos entre nós"? Talvez as pessoas sejam neuróticas.

Biologicamente falando, acho que essa "pureza racial" é ruim. Estou só chutando, mas seguindo o seguinte raciocínio: digamos que uma doença afete apenas japoneses e nenhuma outra etnia. As chances de a população japonesa ser completamente eliminada da face da Terra é grande, mas se as pessoas são geneticamente constituídas por genes de várias etnias, as chances de sobrevivência são bem maiores.

Ainda não sei o que fazer de mim. Me interesso pelo que as pessoas são em essência, pouco importa a etnia. Acho que me apaixono por todos que são completamente diferentes de mim, por tudo que não sou e nunca poderei ser, mas que, de uma forma ou de outra, me ajudam a ser uma pessoa melhor.

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