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sábado, 13 de junho de 2009

Hiroshima mon amour - Alain Resnais

Da comédia romântica de anteontem, passei para a história de amor com direito a mal-estar hoje.

Comprei esse filme há pelo menos uns três anos de um vendedor coreano pelo ebay, mas só fui ver hoje - houve uma época em que eu garimpava filmes que não haviam sido lançados no Brasil e que eu fazia questão de ver, talvez ainda volte a ser cinéfila a esse ponto (encontrar um vendedor mais ou menos confiável em algum lugar do mundo, ir até a casa de câmbio trocar reais por dólares, enviar o dinheiro de forma que não pareça dinheiro pelos correios - porque, teoricamente, pelas leis brasileiras, não é permitido enviar dinheiro para lugar nenhum dessa forma -, rezar para que o dinheiro chegue, às vezes, do outro lado do mundo, rezar para que o cara seja honesto e me mande todos os DVDs pelos quais paguei, esperar, às vezes, dois meses, para receber o pacote... sim, um trabalho e tanto!, mas que sempre valeu a pena).

É um filme de amor em preto e branco, de 1959, que se passa em Hiroshima, no Japão. Algumas cenas na França aparecem em digressões da personagem. O filme abre com os dois na cama, fazendo amor, a mão dela na pele dele, delicadeza. (Gosto de como as mãos dos personagens são filmadas, gosto de mãos em geral.) Só depois de um tempo, quando os dois estão se vestindo, dá para notar que ainda são estranhos um ao outro, porque ele pergunta o que ela estava fazendo em Hiroshima (gravando um filme sobre a paz) e ela, o que ele era (arquiteto) - perguntas elementares. Um encontro fortuito. Ele é casado. Ela também. A esposa dele está viajando, e sua amante francesa volta a Paris no dia seguinte. Ele parece apaixonado, ela também, mas talvez seja só por estarem sozinhos em um mundo que lhes parece estranho.

Ela comenta algo sobre "Nevers", a cidade onde nasceu e cresceu, amou e enlouqueceu. Ele a faz contar por que Nevers a marcou, a história de seu primeiro amor interrompido e de como ela deixou de existir por algum tempo, até renascer e continuar vivendo. Ela fala sobre esquecimento, que depois de um tempo, tudo acaba caindo no esquecimento, até um grande amor, até o que antes parecia muito importante, até mesmo o que não gostaríamos de esquecer. É triste pensar que depois de um tempo, não significarei mais nada para pessoas que para mim são e sempre serão importantes por um motivo ou por outro. Triste pensar que muitas pessoas também já não significarão mais nada para mim depois de um tempo (mesmo eu talvez tendo alguma importância para elas). Não quero esquecer nunca de algumas pessoas, mesmo que elas já não se lembrem de mim, mesmo que eu já não tenha importância para elas, por terem me ajudado a ser uma pessoa melhor e por terem me amado, mesmo eu não sendo perfeita (muito pelo contrário).

Para ele, ela sempre será Nevers. Para ela, ele sempre será Hiroshima. Para mim, algumas pessoas serão para sempre.

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