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quarta-feira, 3 de junho de 2009

"Não vemos as coisas como elas são...

... vemos as coisas como nós somos."

O pensamento que abre o post é da Anaïs Nin, uma escritora francesa, mais conhecida por seus contos eróticos, mas essa informação (sobre os contos eróticos) não vem ao caso agora. Hoje só interessa esse pensamento avulso dela.

A montagem ao lado foi tirada deste blog. Do lado esquerdo, a Maisa, do lado direito, a Shirley Temple. Ambas meninas-estrelas-prodígio. Shirley fez muito sucesso na década de 1930, quando tinha mais ou menos a idade que a Maisa tem hoje, sete anos.

Uma amiga, a Vi, que me apresentou a Maisa no ano passado, eu nem conhecia. Vi uns vídeos no Youtube - ela apresenta um programa chamado "Sábado Animado", no SBT - achei engraçado e fiquei querendo ter uma filha mais ou menos igual a ela! =D Acho que alguém como ela me ensinaria muito sobre tudo que eu já não consigo ver, me ajudaria a ser uma pessoa melhor, além de me fazer rir. Ela é, vai, faz e acontece. Fala tudo que vem à mente, não está nem aí. Algumas pessoas, como eu, a adoram, outras, detestam.

Depois, fui descobrindo alguns detalhes interessantes: ela mora em São José dos Campos (minha cidade natal), estuda no colégio onde estudei o colegial (está duas séries adiantada e tira notas excelentes, deve ser mesmo uma criança índigo - crianças a frente do seu tempo, com algum tipo de inteligência extraordinária e que talvez ajudarão a conduzir a humanidade por um novo caminho e também ensinarão outras formas de se ver o mundo) e antes de trabalhar para o Silvio Santos, cantava no programa do Raul Gil desde os três ou quatro anos.

Há algumas semanas, a Maisa foi centro de uma polêmica, pois, durante o programa do Silvio Santos, ela saiu chorando - ela falou para o Silvio Santos que não queria ver um menino vestido de zumbi e, mesmo assim, ele chamou o menino no palco, talvez para ver a reação dela (?), e ela entrou em pânico. Que o Silvio Santos é um idiota tosco de mau gosto não é novidade (a Maisa deve ter o QI muito maior que o dele e provavelmente se entediava em ter de responder às perguntas cretinas que ele fazia), mas eu não sabia que ele também era cruel. Ela só tem sete anos! Como se não bastasse, na semana seguinte, ele ficou sendo sarcástico e enfatizando o fato de ela ter se apavorado e chorado no programa anterior, e ela chorou novamente, bateu a cabeça em uma câmera - deve ter sido o "pesadelo - parte 2" para ela (vendo o vídeo, dá vontade de pegar no colo e tirar ela dali - me dá desespero). Agora, por ordem judicial, não vai mais aparecer no tal programa junto com o Silvio (demorou!).

Buscando mais informações sobre esses fatos, caí em vários sites/blogs e fiquei horrorizada com a forma com que adultos falavam/escreviam sobre a menina. Tudo bem as pessoas não gostarem da Maisa, mas para mim é um pouco chocante a agressividade delas - pessoas adultas -, expressas em palavras (ou "inveja mascarada" por não terem sido crianças brilhantes como ela?). Ela só tem sete anos e é julgada como Judas. E aí entra a frase da Anaïs Nin: "Não vemos as coisas como elas são, vemos as coisas como nós somos". É assustador pensar que a Anaïs está certa, porque isso significa que os julgamentos, insultos e toda a agressividade dirigidos contra a Maisa por essas pessoas, na verdade, é como elas veem a si próprias: chatas, burras, mal-educadas, que deveriam fazer um favor para a humanidade: se matar, que deveriam apanhar [para se adequar a um comportamento que a sociedade considera aceitável?], etc.

Minha conclusão é de que a sociedade está mesmo muito doente. Se dirigem uma agressividade bestial a uma garotinha de sete anos que elas sequer conhecem, imagina que tipo de comportamentos e sentimentos essas pessoas não têm em relação a outras pessoas adultas ou a animais indefesos? Se não gostam da Maisa, por que simplesmente não desligam a TV e vão ler um livro, ver um filme, fazer algo de bom para o mundo? Assim como eu ignoro o Silvio Santos porque ele simplesmente não me acrescenta nada.

Um comentário:

Crisão disse...

Ando com nojo total dessas pessoas que fazem isso com crianças-índigo-prodígio como a Maisa. blé.