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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Presentes inusitados fora de hora

Hoje ganhei minha primeira Bíblia Sagrada.

Quando tinha uns 14 ou 15 anos, comecei a ler uma Bíblia do tamanho do dicionário Houaiss, em folhas muito finas - pareciam papel de seda -, que tinha lá em casa. As pinturas de artistas famosos do Renascimento eram lindas! Achei que poderia me ajudar, já que as tias da catequese não puderam fazer muito por mim quando eu tinha 11. Não consegui ir muito longe. A linguagem era cansativa e eu não entendia do que eles estavam falando - não que hoje entenda, mas farei uma nova tentativa.

A Bíblia foi presente do Rafael, um dos dentistas-auditores que trabalhavam comigo no convênio. Faz um bom tempo, me mandou um e-mail, pedindo meu endereço para me mandar alguma coisa. Achei que ele fosse me mandar algo que eu havia esquecido no convênio, não lembrava de ter esquecido nada, ou pelo menos nada que valesse a pena ter trazido de volta para casa, até respondi, brincando, que eles poderiam ficar com a rã (de plástico, que imitava direitinho uma igual) que levei uma vez, para assustar as pessoas (rá!) e acabou virando a mascote do departamento de auditoria (era uma piada interna... havia um documento que os dentistas precisavam preencher e assinar e também fazer com que os pacientes assinassem ao ser atendidos chamado "RAM" - Relatório de Atendimento Mensal -, depois eles enviavam isso pra gente, a gente auditava e eles eram pagos (alguns dentistas não sabiam preencher e depois ainda reclamavam, mas isso é outra história)... aí que: RAM = rã, a mascote do departamento... é, eu também acho retardado, mas era engraçado! =D).

Bom, o pacote chegou há mais de uma semana e, como eu não estava em casa para receber, o pacote foi enviado para a agência mais próxima de casa, para retirada. Como amanhã era o último dia para retirar, senão acho que despachariam de volta para o Rafa, peguei um táxi na hora do almoço (um luxo, eu quase nunca ando de táxi), e fui lá buscar o pacote. Voltei com o mesmo táxi da ida e ainda consegui pegar a Bianca e o Danilo na padaria da esquina, eles já haviam comido, peguei uns salgados e ficamos conversando - adooro eles!; pelo horário, não daria para eu almoçar no restaurante por quilo aonde costumamos ir. Mas, voltando, achei legal da parte do Rafael me dar uma Bíblia. Apesar de toda palhaçada no dia a dia do trabalho, ele era bem na dele e foi legal receber esse presente com uma cartinha escrita a mão, com uma letra meio esgarranchada, dizendo: "... espero que você possa achar essa paz interior que está procurando". Achei bonito e sincero. É que saí meio (completamente?) perturbada do convênio; eu estava muito desmotivada, perdida, não sabia bem o que fazer, só sabia/sentia que tinha de fazer alguma coisa e ninguém poderia fazer isso por mim. Não conseguia me ver ali por muito mais tempo, o último mês de trabalho foi uma tortura - eu chegava atrasada, porque não tinha vontade de chegar nunca, me dava vontade de sair dirigindo para qualquer lugar e, estando lá, eu queria estar fazendo qualquer outra coisa. Eu já não via nenhuma perspectiva para mim naquele lugar, algumas coisas eram frustrantes, por melhor que eu fosse, por melhor que as pessoas do departamento fossem (e éramos todos muito dedicados), havia coisas que estavam além da nossa vontade de que a empresa crescesse, problemas que sempre se repetiam (isso me irritava muito, o fato de não consertarem a causa do problema para que ele não se repetisse mais), falta de planejamento, falta de organização, falta de investimento em um programa administrativo (software) que funcionasse com o mínimo de erros - isso pouparia tempo, melhoraria o fluxo de trabalho e, consequentemente, a qualidade do funcionamento do convênio como um todo. Eu já não me sentia parte dessas confusões e me perguntava o que estava fazendo ali. E todos sabiam que eu estava assim porque eu não conseguia esconder meu estado mental, pelo contrário, falava sobre ele.

Presente inusitado, como o chá de folhas de oliveira, mas bem-vindo. Adoro presentes fora de hora e que eu nunca esperaria ganhar. Não são presentes forçados por datas específicas, mas presentes do tipo: "vi isso e lembrei de você" ou "talvez isso te ajude" ou "gostaria de compartilhar isso com você", que para mim é o mais importante. E é legal também porque os presentes que ganho dizem muito sobre quem me presenteia, é como se eu ficasse com uma parte dessas pessoas ou com uma parte do mundo delas. Por falar nisso, o Cosmo disse que vai me enviar um sabonete feito a partir das folhas de oliveira - estou ficando sem graça com isso, porque sei que tudo isso tem um custo... vou comprar alguns produtos pelo site dele mais para o fim do mês (se a Cris gostar do chá, vou dar uma caixa para ela).

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