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sábado, 11 de julho de 2009

Alicia en el País - Esteban Larraín

Depois de hoje, concluí que preciso de "rain boots"! Hoje estava muito chovendo, mas a minha vontade de ver "Alicia no País" e "Hermafrodita" era tanta que saí de casa mesmo assim.

Fui ver esses filmes no MIS (Museu da Imagem e do Som), que fica na Av. Europa. Essa avenida é uma continuação da rua Colômbia, que, por sua vez, é continuação da rua Augusta. Ou seja, é uma continuação da rua Augusta - vi isso pelo Google Maps e decidi que o melhor caminho para se chegar lá era descer na estação Consolação (linha verde), na Paulista, e ir descendo a rua Augusta, que é do lado da estação. Quarenta minutos depois, debaixo de uma chuva que não parava, cheguei lá. Apesar de tudo, não reclamo, fui conhecendo as lojas da rua Augusta (tem umas chiquíssimas) e descobri que a rua Oscar Freire, famosa por suas lojas chiques e caras, é paralela à Augusta. Também descobri que a loja "Poderosa Ísis" - que dá almofadas e camisetas com estampas de filmes, nos "Noitão" do HSBC Belas Artes - também fica nessa rua. Foi bacana, mas da próxima vez que eu tiver de andar por quarenta minutos espero que não esteja chovendo!

Deixei minha sombrinha (rosa com bolinhas azuis - não, não é exatamente a estampa que eu escolheria se tivesse mais opções, mas comprei essa num camelô em caráter emergencial, já que no dia estava caindo o mundo quando saí do trabalho e a sombrinha que eu usava aqui (azul, apenas azul) tinha esquecido na casa da Ana, em Jacareí) aberta na entrada do MIS, porque estava pingando, muito enxarcada, e vi que várias outras pessoas também tinham deixado. Confesso que fiquei com medo de não encontrá-la depois do filme, mas deixei.

Agora sobre o filme: acho que eu esperava mais, mas é bom. A trilha sonora é maravilhosa. Talvez por ser monótono (praticamente não há falas e não há ação, tensão, clímax), algumas pessoas saíram no meio da sessão. Mesmo tendo lido a sinopse, para mim foi confuso entender o que estava acontecendo. A sinopse dizia que uma menina sairia de sua cidade natal, na Bolívia, para chegar em uma cidade no norte do Chile, mais rica e com oportunidades de emprego, então ela poderia ajudar sua família que passava por dificuldades. Só que, para mim, não ficou clara a questão do tempo. As lembranças se misturavam com a caminhada dela (em 90% do filme ela é mostrada caminhando por regiões desertas), mas, não sei se sou tapada demais, para mim essas lembranças não eram marcadas com uma mudança visual (borrada ou distorcida ou esfumaçada ou em preto e branco), então ficava confuso distinguir que o que estava acontecendo no "tempo presente" apenas que ela estava caminhando e não as outras ações que apareciam de vez em quando: ela na escola, na casa da família dela, lavando roupa, no cemitério, etc. Ela aparecia sempre com a mesma roupa, tênis e mochila, mas - acho que sou tapada mesmo -, mesmo assim, eu não consegui saber que ela estava caminhando por dias e noites (ela nunca aparecia dormindo, à noite). Só no fim aparecem um texto, explicando que a menina (que interpreta a si própria no filme) caminhou 180 km para conseguir um trabalho e ajudar a família. Trabalhou apenas um mês como empregada doméstica, ilegalmente, quando foi descoberta pela polícia e deportada. O escrito também informa que antigamente os jovens daquela região faziam uma longa caminhada como ritual de passagem para a idade adulta, mas hoje os jovens caminham por questões econômicas.

Sei que é o óbvio, mas a Bolívia precisa encontrar uma saída. Porque deve haver uma saída para a pobreza que atinge grande parte de sua população. Se eu fosse a líder de um lugar desses eu ia me desesperar, pedir ajuda para todos os países ricos, tentar estimular a implantação de indústrias de base nacionais, para que outros tipos de indústras e empresas pudessem se desenvolver e, assim, gerar empregos e renda para todos. Como líder, me sentiria muito mal e humilhada em ver a imagem que está sendo levada para outros países (nada difamatório, apenas a realidade). Quando eu tinha 16, fiquei espantada com essa questão, porque minha professora de espanhol era boliviana e, depois de um tempo, quando ela teve de voltar para La Paz, o irmão dela, também boliviano, passou a me dar aula (meu espanhol deve ter um sotaque brasileiro misturado com boliviano, que eu acho bonito - gostava de ouvi-los falando... o "y" tem som de "i", como, por exemplo, em "ya" ("iá") e os "ll" tem som de "lh" - llamar = "lhamar", diferente do espanhol standard (?) da Espanha, "djá", "djamar"). Bom, mas o que eu queria mesmo dizer é que um dia esse professor, o Luis, disse que tinha vindo para o Brasil porque as condições aqui eram muito melhores do que na Bolívia, aqui pelo menos ele conseguia trabalhar. Pensei: "meu deus, que lugar é esse, Bolívia, que tem condições muito piores que as do Brasil?". Ele fazia mestrado em matemática na USP, mas morava em São José. É estranho pensar que os bolivianos acham que aqui é um "paraíso" - como muitos brasileiros que tentam entrar/entram como ilegais nos Estados Unidos também acham que lá é o "paraíso". Faz um tempo passou na TV que alguns (muitos?) bolivianos ilegais trabalhavam praticamente como escravos aqui em São Paulo. Que mundo é esse?

Obs: apesar de tudo de negativo que dizem/que já ouvi sobre a Bolívia (pobreza, drogas, tráfico), ainda quero ir pra lá. Já não lembro mais o que o Luis e a Magali (irmã do Luis) me contavam sobre a cultura boliviana, mas lembro que eu achava "mágico" e desde então fiquei querendo ir pra lá. Talvez daqui um tempo, para melhorar meu espanhol (?), porque deve ser relativamente barato morar, comer e estudar lá por um tempo.

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