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terça-feira, 21 de julho de 2009

Porque minha mãe não me ensinou a chorar

Suposta Pollyanna, suposta otimista, a sagitariana não está muito alegre. Mas deve ser assim mesmo. "As dores fazem parte." Só não estou muito preparada para algumas. Mas tá, daqui a pouco estou pronta pra outra. Sem passado. Apenas o presente e o futuro. Como pregam os budistas. O desapego. Eu achava que essa filosofia era mais fácil. Na teoria é bem bonito e fácil, já na prática...

Não sei se aquela coisa cultural de "os japoneses não demonstram sentimentos" é verdadeira, mas sinto que pertenço ao grupo. Porque minha mãe não me ensinou a chorar, então quase não choro e não gosto que me vejam chorando. Como os meninos talvez ouçam sempre: "menino não chora", inconscientemente fui ouvindo uma voz interna e crescendo com a ideia de que demonstrar sentimentos, como chorar, é um sinal de fraqueza e fraquezas não devem ser demonstradas. Posso estar morrendo por dentro, com vontade de me jogar na frente do primeiro trem (tem dias em que é inevitável estar na plataforma do metrô e não imaginar como seria me jogar, e também a fisionomia de horror-espanto do metroviário), mas ajo como se estivesse tudo sob controle. Como se isso não fosse comigo. Eu fujo, engulo o choro, esqueço de mim. Para alguns, serei sempre uma menina fria e distante. Na verdade, é uma luta comigo mesma, e a minha forma de me defender contra dores em potencial. Mas eis que um dia tudo isso desmorona. E eu de repente vejo que também sou humana e consigo encaixar mais algumas peças do quebra-cabeça de que sou feita.

Sem dores não há ganhos. Sem dores não há crescimento. E é por isso que preciso sair da bolha que me protege e ir além. Preciso me educar para a dor. Eu consigo. Talvez seja essa uma das vertentes da liberdade que busco. Quem se joga é livre. Mesmo chorando depois. Porque cair dói. Mas morrer sem ter passado pelos sentimentos humanos mais profundos também deve doer. Um desperdício de vida. Um desperdício de tudo.

3 comentários:

Ana disse...

Mas pra tudo é preciso limites! rs Lembremos sempre!
Q seja doce! Azedo e amargo as vezes, mas doce!

Crisão disse...

garota, que profundidade... nem sei por onde começar. Eu tb sempre fui assim, qdo comecei a chorar qdo me dava vontade. Aí (E ISSO É RECENTÍSSIMO) descobri pq odeio a Jenny, pq eu choro igual a ela. (HJ EM DIA).
Eu sempre fui a pedra de gelo, mas meus motivos eram pura proteção. não sei exatemente quais são os seus, mas digo que travas, problemas do passado, coisas não resolvidas e encanações... só dão câncer. Liberte-se e seja feliz! gostei do post, vou usá-lo como mote para um meu, em breve.

aline naomi disse...

Ana,

sim, será sempre doce, azedo, amargo, todos os sabores! =) Mesmo assim (talvez por isso mesmo?) a vida valha a pena!

***

Cris,

acho que chorei nos últimos dias o que não chorei nos últimos ANOS (!). Chorar não é tão "obceno" como eu achava que era... é normal, é humano!
No meu caso, até onde consigo autoanalisar, também era pura proteção. Inconscientemente eu devia saber que me jogando completamente sempre haveria a possibilidade de me machucar e eu não conseguir me recompor depois. Às vezes dói tudo e não sei onde e dá um desespero tão grande por não conseguir controlar isso. Mas aí, se chorar, vai passando... e uma hora para de doer completamente, né? Como é que eu não concluí isso antes?! Que tonta! =D Continua escrevendo, sim! ;)