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sábado, 22 de agosto de 2009

Dai-me paciência!

Falei com Crisão ontem por telefone, por conta de uns assuntos mais ou menos profissionais, e comentamos brevemente sobre as pessoas que não correm atrás das coisas. Assunto que eu já tinha conversado com a Dri outro dia também. O fato é: eu não tenho mais paciência com as pessoas que ficam esperando as coisas prontas cairem do céu e tenho evitado ficar perto de pessoas assim porque não tenho paciência para ouvir lamentações. Não sou o Muro das Lamentações.

Algumas pessoas querem um (novo) emprego, um (novo) amor, mais dinheiro, realizar sonhos, etc., mas não correm atrás e ficam reclamando... acho o ! Por mim, tudo bem, a vida é delas e eu não tenho nada a ver com isso, mas a partir do momento em que começam a me falar coisas do tipo: "Porque as coisas são difíceis", "Porque não estou satisfeito(a) com o meu trabalho", "Nunca vou conseguir encontrar alguém", "Só se consegue as coisas com QI [quem indica]" e mimimi, me dá vontade de falar: "Olha, eu acho que o problema é com você e não com o mundo. E eu não quero mais ficar ouvindo essas coisas porque tenho mais o que fazer! Tchau!".

Não sei se é uma questão de personalidade ou o que é, mas eu penso que se a pessoa quer uma coisa, ela tem de ir atrás. A pessoa dos sonhos ou o emprego dos sonhos não vai cair do céu. Sonhos precisam de planejamento e persistência para ser realizados. ENTÃO POR QUE A PESSOA AO INVÉS DE IR ATRÁS FICA RECLAMANDO? É muito fácil e muito cômodo dizer que tudo é difícil sem sequer ter tentado.

Entendo que cada um tem seu tempo para amadurecer ideias e planos. Eu mesma precisei de cerca de um ano para começar a me dar conta de que eu estava num caminho meio equivocado, mas estava correndo atrás do que eu acreditava, estava estudando, trabalhando, me aprimorando - ainda que na direção contrária... Na verdade, para mim fazia sentido estar estudando odonto (embora muita gente me dissesse que não tinha nenhum sentido), porque eu pretendia me tornar uma tradutora especializada em biológicas (e se eu persistisse, sei que uma hora eu ia fazer o meu preço, cobrar R$ 50 pela lauda de tradução, e as pessoas iriam me pagar simplesmente porque o trabalho que eu ofereceria também ia ter uma qualidade muito alta), dentista, entre outras coisas que eu pretendia me tornar dentro da odonto e da tradução. Mas de repente vi que as coisas já não faziam sentido: o trabalho no convênio, o salário ridículo, umas aulas chatas pra caramba (entre outras que eu adorava - anatomia e microbiologia, por exemplo), a falta de contato com pessoas de Humanas e conversas sobre outros assuntos sem ser odonto (nossa, era meio desesperador isso), a total falta de tempo para mim e para o que eu gostava de fazer. Cansei. Decidi. E reorganizei tudo. O mais difícil foi tomar a decisão de abandonar uma possibilidade para seguir outro caminho, o resto foi fácil. Quando se quer muito uma coisa e se corre atrás, nada é tão difícil. Também tive sorte, é verdade, mas o fato de eu querer muito atraiu toda essa sorte - você quer e o universo conspira a favor (como diria "O Segredo" - haha).

Mas, voltando ao assunto do post. Ando muito sem paciência com esse tipo de conversa e tenho evitado pessoas assim, porque eu provavelmente falaria tudo que penso e elas se magoariam.

1. Se você procura um novo amor, mas não tem vida social e não sai de casa, tem lógica ficar reclamando?

2. Você quer um novo trabalho, mas não procura, não agiliza, e continua reclamando que não tem emprego, da falta de oportunidades, que pessoas supostamente menos capazes conseguem trabalho e de como o mundo é injusto ou fica reclamando do emprego atual... bom, empregos, e muito menos os perfeitos, não caem do céu.

3. É, as coisas são realmente difíceis se você não quer fazer nada ou acha que tudo é difícil.

Sabe por que fico tão puta? Porque as pessoas que reclamam são fisicamente perfeitas, têm diplomas, são inteligentes e capazes. Se elas quisessem, se elas realmente quisessem, poderiam fazer o que quisessem. Da próxima vez que eu ouvir alguém reclamando, vou procurar os vídeos de um cara que não tem braços e de um outro que não tem braços nem pernas (!) e mesmo assim se viram, e enviar para quem só reclama. Se essas pessoas conseguem, qualquer um consegue. A limitação está na cabeça de cada um. Para quem fica inventando um monte de desculpas para não fazer as coisas, um abraço. Eu não quero saber, quero distância. Crisão está em uma fase em que acha que é missão dela ajudar essas pessoas que estão no limbo - eu já passei por essa fase, e vi que não funciona... se a pessoa não quer se ajudar e não se ajuda, I'm so sorry, eu não posso fazer nada e não vou me desgastar tentando ajudar. O contrário também é verdadeiro: se eu vejo que alguém (mesmo sem nem conhecer a pessoa) está procurando, batalhando, correndo atrás, eu faço tudo que está ao meu alcance para ajudar.

Uma das coisas que me enchia o saco no convênio era isso: dentistas reclamando. Porque o valor pago pelos procedimentos odontológicos era baixo. Porque a nossa auditoria era injusta. Porque trabalhar com convênio era uma merda. "Por que fui ser dentista?". Na comunidade Odontologia do Orkut é a mesma coisa. Um ou outro se destaca (alguns conseguiram achar um jeito diferente de trabalhar com a odonto - eu admirava muito esses poucos e pensava: "quando eu crescer, quero ser igual!"), o resto é só mimimi. A culpa de eles estarem falidos é sempre do CRO, dos convênios, dos colegas anti-éticos, das faculdades particulares, do Lula, do PT, dos governos passados e futuros, do ET de Varginha, e nunca da incapacidade deles de administrar o conhecimento acadêmico e experiência profissional adquiridos para ganhar dinheiro com outras possibilidades dentro da profissão. Ai, que saco! Ao invés de ficar reclamando, por que os seres não vão se especializar, fazer contatos, ter novas ideias para inovar a área? O mercado está saturado, sim, mas existem possibilidades. É uma questão de como encarar as coisas. Às vezes eu tinha vontade de ser mal educada, só para ver se a ficha dos dentistas caía: "Meu filho/minha filha, isso aqui não é um consultório psiquiátrico especializado em dentistas frustrados. Eu não mandei você ser dentista e muito menos trabalhar com convênios. Então, se é opção sua trabalhar conosco, sugiro que você faça o seu trabalho e me deixe fazer o meu. Muito obrigada e tenha uma boa tarde!". Não é irritante isso? As pessoas fazem escolhas, não ficam felizes e, mesmo assim, insistem em permanecer no estado em que estão, seja por comodismo ou por motivos que inventam, e acham que o mundo é que está errado. Ai, me erra, vai chorar no ombro da Crisão! =P

Pronto, falei.

8 comentários:

Nanci disse...

Concordo plenamente. Dai-nos paciencia!

Crisão disse...

Concordo com tudo q tu disse MENOS o fato de ser o Muro das Lamentações. Quem me conhece, sabe minha total impaciência e intolerância com enrustidos e covardes.

MAS, e como tudo na vida sempre tem seus poréns, eu aprendi que se vc vira a cara para alguém, as caras um dia serão viradas para vc, como muitas foram viradas (náo pelas msm pessoas, mas por outras, em outras circunstâncias). Eae, vc percebe que vc precisa de um pouco de discernimento e muita boa vontade.

No nosso parco conhecimento sobre todos os mecanismos do Universo, não é possível saber e não é possível julgar tudo. Mas é possível fazer o mínimo. Às vezes, algumas pessoas precisam de um tranco maior. Algumas pessoas merecem ser deixadas de lado e outras merecem uma contínua esperança e fé que vc nem sabe mais de onde tira.

Portanto, nada de mandar os frustrados e os covardes da vida para mim. Para eles, diga o q eu sempre faço com qq um: frases de efeito, com a sabedoria que vc adquiriu em sua vida até agora. Nada funciona no tempo que VC QUER, mas no tempo da pessoa.

De resto... sei lá. Nada.
bjs!

aline naomi disse...

Nanci, você por aqui!! =)

***

Cris,
com a minha experiência até agora, vi que o quanto mais você tenta ajudar as pessoas, mais elas ficam dependentes de ajuda. Cansei. Então decidi que se as pessoas realmente quiserem, elas vão lá, fazem e acontecem e é isso.

Eu sei que as coisas não funcionam no tempo que eu quero e nem no tempo que a pessoa quer, mas penso que tudo tem de partir delas. Se elas não querem (ou se elas nem sabem o que querem), fica difícil qualquer tentativa de ajuda.

Talvez a minha posição atual seja arrogante (no fundo eu sei que é), mas minha paciência com esse tipo de pessoa se esgotou. Se algumas pessoas correm tanto atrás de se realizarem profissional e pessoalmente, por que outras não podem fazer o mínimo para que isso aconteça também? Então decidi que ajudo, sim, desde que a pessoa também se ajude!

Talvez por nunca ter vestido a camisa de "coitadinha" e que precisa sempre ser ajudada, eu nunca vá entender essas pessoas. Mas, enfim, não quero ter razão nem nada (até porque pode ser que eu mude de ideia daqui um tempo), eu só precisava escrever sobre isso para descarregar meu mal-estar.

Bárbara E. disse...

Ai Linoca.
Esse post me deixou, no mínimo, pensativa.
Porque,embora quase nunca tenhamos paciência com as pessoas que reclamam demasiadamente, há momentos em que nós somos os que reclamam. Todo mundo já teve o seu tempo de lamentador. A gente não é otimista, decidido, perseverante 100% do tempo. Talvez o segredo esteja em quanto tempo desperdiçamos nos baixos, em vez dos altos...
A Bíblia, a Torá, o Alcorão, os Esotéricos, os Vedas... São muitas as perspectivas religiosas que nos ensinam a importância de agradecer mais do que reclamar, a necessidade de criar ao redor um campo de energia positivo... "A boca fala do que está cheio o coração". Talvez a solução não seja simplesmente dizer "pare de reclamar, seu chato!", mas dizer de outra maneira: já percebeu como o céu está lindo hoje e como com tudo e em tudo é possível aprender?
Isso me lembra a história da passagem bíblica da fuga do Egito. O povo já tinha atravessado o mar vermelho, mas agora passava fome no deserto (antes de chegar à terra prometida). Eles andavam em círculos sem entender porque demoravam tanto para encontrar. Deus queria que eles aprendessem com o sofrimento, para valorizar mais a chegada na terra prometida. Muitos não conseguiram ver a lição. Desistiam e queriam voltar atrás. Estes nem voltaram nem chegaram. Simplesmente morreram no deserto. Mas os que olharam para o deserto e ainda sim viram nele possibilidades de sobrevivência, deixaram de andar em círculos e chegaram à terra prometida...
Espero que, apesar de nossos breves momentos de lamentações, de sofrimento, de fome e calor, consigamos chegar à terra prometida.

aline naomi disse...

Bá,
agora o seu comment é que me deixou pensativa...
Preciso rever conceitos. Acho que estou muito estressada e intolerante. Espero que seja só uma fase. Mas que eu queria que as pessoas fossem mais "pró-ativas", eu queria, viu?! Eu ficaria feliz e orgulhosa por elas terem conseguido o que querem/buscam.

Crisão disse...

Que passagem profética! Como disse no meu post, tudo tem um sentido que não podemos -- arrogantemente -- achar que conhecemos. Não dá para saber! Mas, cabe fazer nossa parte com o mínimo de discernimento. E escolhas geram consequências, a gente nunca sabe exatamente quais, mas geram.
Isso não quer dizer que tenhamos de ajudar por ajudar, porque se fosse assim, não existiriam mendigos e pedintes. Mas, como disse e repito: discernimento. Não dar esmolas, mostrar o caminho. Ajudar em excesso seria como dar esmolas. Saber como ajudar, seria mostrar o caminho.
Eu acho.

Ana disse...

"Seja gentil com quem encontra pelo caminho, todos estão passando por uma ardua batalha"
;) beijo

aline naomi disse...

Nooossa, esse post deu o que falar!

Cris,
concordo com você que toda escolha gera consequências (filosofia oriental isso, não?), mas por enquanto só me dou o direito de ficar na minha. As pessoas têm o direito de ser e fazer o que quiserem (ou não fazer nada, se não quiserem), eu só não quero ficar perto de quem me causa mal-estar e de quem fica reclamando, é isso. Cansa e me aborrece. E, por enquanto, me dá preguiça tentar ajudar.

***

Ana,
vou me lembrar disso. Obrigada por me fazer mais humana e menos racional. Beijo!