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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Desabafo

Esse post é um desabafo.

Estou irritada. Desprezo a incompetência e a limitação profissional. Sério, me dá muito nervoso. Porque sempre achei que devemos ser o melhor que podemos ser, e sempre buscar a excelência em tudo que fazemos (não importa o que seja), em tudo que nos propomos a fazer, e, agindo assim, um dia talvez poderemos chegar muito perto da perfeição.

Mas... e quando a pessoa tem sérias limitações? E sequer consegue ver as próprias limitações? Hoje não aguentei e falei: "Pelamordedeus, Fulana, não faz isso!", como se falasse com uma criança de 10 anos de idade e não com uma colega de trabalho de 40 (or so). Acho que eu estava andando pelas bordas do desespero. O Dan comentou que não me imagina "brava"... eu também não, mas hoje tive de me controlar muito porque, pela primeira vez desde que vim pra cá, fiquei com vontade de xingar. Porque me tira do sério estar fazendo o meu melhor, buscando os melhores profissionais, para depois isso tudo ir por água abaixo.

Óbvio que não sei tudo. E, na medida do possível, reconheço minhas limitações e não assumo trabalhos que sei que não conseguirei fazer direito por não ter o conhecimento necessário no momento. Outro dia, por exemplo, um leitor escreveu falando que uma palavra em hebraico que aparecia num título publicado há vários anos pela editora estava "errada". Talvez estivesse. Pesquisei, pesquisei, pesquisei mais um pouco e não consegui chegar a nenhuma conclusão, então não tinha como eu responder "sim, o senhor está certo, houve um erro na grafia" ou "não, segundo o [melhor-dicionário-hebraico], a grafia está correta". Não tenho conhecimento da língua para filtrar informações. Com toda humildade do mundo, escrevi para uma professora doutora em língua e literatura hebraica da USP. E pronto, resolvi meu problema. Porque sempre tem pessoas muito mais capacitadas em áreas que eu não domino dispostas a ajudar. Então, para os meus padrões de normalidade, acho um absurdo as pessoas fazerem coisas sem ter conhecimento suficiente, baseadas em "achismos", sem ter critérios ou argumentos sólidos. Olha, eu aceito tudo, desde que a justificativa seja bem fundamentada.

Um bom tradutor ou um bom revisor, em geral, é uma mistura de: formação na área (se possível, teórica - o que significa ler vários livros e xerox de uns caras chatos pra caramba, mas que, no fim das contas, te ajudam a traduzir/revisar melhor e encarar os textos de uma forma muito mais ampla) + bom conhecimento das línguas de origem e de chegada + BOM SENSO em todos os sentidos (talvez o elemento mais importante) + conhecimento de mundo (leituras diversas, vivências diversas, curiosidade por tudo) + um quê de perfeccionismo + sanidade mental (isso é bem importante também) + respeito, muito respeito, pelo trabalho dos outros (no caso de estar revisando traduções, tanto pelo autor quanto pelo tradutor e outros revisores). Se tudo isso é deficiente, então, provavelmente, a pessoa não conseguirá se sair tão bem quanto deveria... e azar dos colegas que tiverem de participar do projeto com ela. Azar o meu!

É inviável ficar correndo atrás e refazendo trabalho dos outros. Preciso aceitar isso.

Hoje me sinto: muito cansada e desanimada e irritada.

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