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domingo, 9 de agosto de 2009

O ciclo da vida

Acho que meu ditian (avô) está morrendo no hospital. Na última semana, alternou entre quarto e UTI. O coração está fraco, o corpo está frágil. Meu pai falou sobre a morte de modo natural durante o almoço, mas, depois de um tempo, comecei a me sentir mal e saí, com a desculpa de levar a Brisa para passear.

Fui ao hospital porque, como ele saiu da UTI hoje, seria possível fazer a visita. Quando ele está na UTI, só duas pessoas podem entrar por dia (durante uns 15 minutos) - e, em geral, minha batian (avó) entra com um dos filhos (minha mãe, minha tia ou meu tio). Foi tão triste vê-lo tão debilitado, de fraldas e com o braço todo roxo de tantas perfurações para tomar medicamentos e soro.... Não sei se hoje foi uma despedida, mas doeu muito pensar que não vou mais vê-lo em vida. Ao me despedir dele (eu e meu pai voltamos para casa logo, minha batian e minha mãe ficaram), depois de pegar em sua mão por uns momentos, não aguentei e comecei a chorar, e saí discretamente do quarto, enquanto meu pai falava alguma coisa perto dele.

Em outra época, talvez eu optasse por não vê-lo para fugir da dor. O que eu não vejo e não sei, também não sinto. Mas estou procurando encarar todas as dores e aceitando-as como parte do meu crescimento emocional. Dói muito pensar que meus tios e minha mãe devem estar sofrendo muito mais. No ônibus de volta, tive outra crise de choro, nem sei exatamente por quê, talvez por pensar que hoje foi realmente uma despedida, ou talvez por pensar que um dia meu pai também passará por isso e eu me sentirei muito desamparada. Lembrei de um episódio de "Anos incríveis", em que a família Arnold precisa ir a um enterro de um parente meio distante, e, na volta, enquanto o pai dirige e outros membros da família dormem, o Kevin fala: "Não morre nunca, tá, pai?". Eu também queria que meu pai não morresse nunca.

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