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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Me perder para me encontrar...

Acabei de ler o post "Tomorrow never dies", que a Cris escreveu hoje aqui. Ela comenta sobre um filme chamado "Into the Wild" ("Na natureza selvagem"), que ela viu no fim de semana; entrei no link que dá para a Wikipédia, que ela colocou, e, bom, eu PRECISO ver isso!

O filme é sobre um cara que larga tudo e sai por aí, quer chegar ao Alasca, mas, até lá, vive uma série de aventuras e experiências.

Me identifiquei totalmente. E agora me sinto mais à vontade para falar sobre um pensamento que às vezes me ocorre: "E se eu fugisse, sumisse, hoje, sem avisar ninguém, o que aconteceria?" e uma das respostas que obtenho de mim mesma é: "A Terra continuaria girando". Sou a contradição em pessoa: amo pessoas, mas às vezes me dá vontade de sumir, de não ter nenhum vínculo, e tenho a sensação de que, trilhando meu próprio caminho, sem ouvir ninguém, sem ter a quem amar, sem ter quem me ame, talvez eu consiga encontrar o que estou buscando. Paz, equilíbrio, iluminação, whatever. Talvez eu seja do tipo que precisa se afastar de tudo que é conhecido, incluindo eu mesma, na medida do possível, para me ver melhor.

Uma vez decidida a "fuga", eu iria para o Amazonas ou para a Bolívia ou qualquer país latino. Iria viver. Passar fome, passar frio, passar calor, trabalhar de qualquer-coisa, conhecer pessoas boas e ruins (porque mesmo as ruins me ajudam a crescer - de uma forma dolorosa, mas ajudam), fotografar mentalmente paisagens e rostos, luzes e sombras. Me deixar ferir para ter cicatrizes só minhas. Anotar o necessário-essencial em um diário de bordo: qual é o chão comum que nos une enquanto humanos? Quais são os meus limites, em todos os sentidos? Até onde eu sou eu e onde começam as minhas máscaras? Do que a humanidade mais precisa? Onde pretendo chegar? O que pretendo encontrar? Quando encontrar, saberei?

Me apaixonei e, ao mesmo tempo, me identifico com a Sumire, personagem principal do livro "Minha Querida Sputnik", do Haruki Murakami, que, de certa forma, faz um link com o filme. Um dia ela decide sumir e some. Todos a procuram desesperadamente, mas nunca acham - ela não quer ser encontrada. Depois de um tempo, se não me engano, anos, ela reaparece e faz contato com o amigo que era apaixonado por ela (é ele quem escreve, em primeira pessoa, sobre a Sumire, que era apaixonada por uma mulher muito mais velha e que não gostava dela nesse sentido), como se nada tivesse acontecido, como se ela tivesse ido passar um fim de semana em Ubatuba e ligasse para contar o que fez por lá nos dois últimos dias... é o tipo de coisa que vira e mexe me passa pela cabeça fazer: sumir, ver o mundo, viver o mundo, crescer, experimentar, e depois voltar (ou não voltar nunca mais, se a volta já não fizer mais sentido). Não faria isso para chamar atenção nem nada - prefiro mais me esconder do que estar em evidência -, acontece que às vezes a rotina e o previsível me cansam e me entediam - "dai-me de beber que tenho uma sede sem fim".

Meu mapa astral preditivo (ando fazendo "pesquisa de campo" em sites da área, enquanto traduzo o livro de astrologia) diz que sou muito propensa a morar em qualquer outro país diferente de onde nasci - será? Não me vejo em nenhum lugar específico; se pudesse, mudaria de país e trabalho de dois em dois anos, no máximo; vendo realidades diferentes, talvez eu conseguisse me ver melhor, sem máscaras. Minha alma em carne viva.



Um comentário:

Crisão disse...

Ah garota, pra esse filme eu tenho uma frase (minha): não importa quão longe vc vá, as respostas estarão apenas e sempre dentro de vc.

Boa sorte em suas viagens! vc precisa mesmo!

bjs