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domingo, 23 de agosto de 2009

Vida breve vida

Voltei para São José nesse fim de semana e, no carro (meus pais foram me buscar na rodoviária), meu pai já foi falando sobre a gripe suína. Uma professora minha de odonto morreu há alguns dias e a morte foi provocada pela gripe.

Era professora de bioquímica, matéria que fiz por dois anos (repeti essa), e ninguém gostava das aulas (toda quinta, das 20h às 22h30 - isso quando ela não segurava a gente até umas 22h40 ou 22h45, quando a matéria estava atrasada... e as provas, então? Várias páginas para dissertar e eu não conseguia decorar uma fórmula inteira e nem ter a cara de pau de colar, como vários faziam). Não era boa professora, mas diziam que era uma boa pessoa. Ela fazia umas pesquisas com saliva, não sei se isso influenciou o contágio. A Dani e o Rafa, que estudavam comigo, faziam estágio com ela e ajudei a revisar a tradução de um artigo sobre a pesquisa que estavam fazendo, no começo desse ano, quando eu já estava em São Paulo. Foi meu último contato com a odonto.

É estranho saber que alguém com quem convivi morreu. Mesmo que eu não gostasse das aulas, mesmo que não houvesse proximidade entre nós (nem como aluna-professora, porque eu não fazia questão - na matéria dela, eu só queria passar de ano). Me dá uma sensação estranha, porque lembro de ela ter comentado que estava com várias férias vencidas e se ela não tirasse, ia perder - talvez tenha mesmo perdido. Com o corte de verbas do governo, vários professores das unis públicas foram eliminados e ela ficou sozinha com o departamento de bioquímica, com tarefas acumuladas. Pesquisa e relatórios, aulas, orientação de estagiários e pós-graduandos na área dela. Talvez ela gostasse de tanta coisa ao mesmo tempo - uma vez comentou: "Sou meio louca assim porque sou sagitariana" (como é?). Eu achava que ela era "louca" por ter tanta coisa para fazer. Trabalhou, trabalhou, e, no fim, morreu. Todos os bens materiais ficaram. E também as pesquisas por terminar e as provas por corrigir. E com ela, o que foi? Será que ela fez tudo que queria em vida? Ou foi adiando planos? Esperava se aposentar para começar a aproveitar a vida?

A gente não deveria adiar planos importantes de vida, né? Nem de deixar de fazer e falar o que queremos hoje, porque amanhã é longe demais. Amanhã a gente pode nem estar mais aqui.

3 comentários:

Anna Carolina =dos= disse...

Eu, se morresse hoje, morreria feliz! Não por ter feito tudo que queria fazer e sim por ter feito tudo que acredito que deveria ter feito. Viver o hoje é relativo, viver para o futuro também. Sempre há quem prefira viver pensando no futuro e é difícil dizer se é certo ou não. Depende de cada um.

Mudando de assunto, ainda não te respondi sobre o Projeto Rondon! Espero te encontrar no msn pra bater um papo!

Abs

O barato de Sampa disse...

Eu ainda quero fazer/viver mais coisas na minha vida, mas sei que já fiz tudo que quis até hj e isso é bom, caso algo acontecesse.Não morreria frustrada.Amei,chorei,sorri,dancei,cantei,pulei,decepcionei,reergui,cai,levantei..enfim,vivo tudo o que me é apresentado.Ah,mas quero mais! rs

aline naomi disse...

Anna,
que bom você por aqui!
Estou tentando fazer tudo que quero, na medida do possível. Mas pelo menos falar tudo que quero para quem eu quero, tenho falado.
Ah, quero saber sobre o Projeto Rondon, sim!! Era meu sonho participar!

***
barato,
acho que estou começando a viver mais agora. Sempre pensei demais em "futuro", mas me dei conta de que é importante viver o presente também. Eu também quero sempre mais!! =)