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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Incompetência, despreparo, burrice ou como se chama isso?

Recebi essa notícia por e-mail de um amigo hoje:

"Com inscrições abertas desde o dia 7, o concurso público para a seleção de 1.400 garis para a cidade do Rio já atraiu 45 candidatos com doutorado, 22 com mestrado, 1.026 com nível superior completo e 3.180 com superior incompleto, segundo a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana)."

Para ler a notícia na íntegra, clique aqui.

Eu continuo sustentando o que escrevi no fim do post "Cartas a um jovem tradutor - parte 1". Trabalho tem de monte, mas falta gente competente. Não sei se isso serve como argumento, mas há uns dois meses, eu estava olhando as vagas de emprego para a minha área no site da Catho (um site de empregos), e tinha anúncios com oportunidades excelentes, com salários e condições muito muito boas, e vários desses anúncios ainda estão ativos, ou seja, as empresas não conseguem pessoas com o perfil que elas estão buscando! E, também, um pouco por experiência própria, porque é cada candidato a tradutor/revisor que me aparece lá na editora...

5 comentários:

dan disse...

Falta de oportunidade ou curriculum comprado? nossa velho, eh mta gente q poderia fazer a diferença no brasil,ainda mais no rio... passado com essa matéria...

Bárbara E. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bárbara E. disse...

Oi, Linoca. Tudo bem?
Comigo está tudo bem. Saudades.

Puxa, discordo completamente de seu post ou do "tom" que ele parece ter. Lembrou-me até a empresa de recrutamento de executivos em que trabalhei. (rs)
Acho difícil pensar o problema seja uma mera questão de "competência". Por traz da formação desta, atualmente há um problema social, grave.
Se há tantos profissionais mal preparados, por que o são, simplesmente? Que tipo de educação fundamental e superior é oferecido?
Falta de competência me soa como algo do tipo "falta de potencial", e afirmar que esse é o ponto-chave transfere a responsabilidade do Estado e da sociedade para o indivíduo, um peso injusto de qualquer pessoa carregar.
Não se trata meramente de competência, num sentido restrito e individual. São doutores e mestres. Se eles são em grande número de "incompetentes" (termo absolutamente inadeqado, a meu ver), certamente isso é o reflexo de algo maior.
Me incomoda um pouco a noção individualista de que "basta se esforçar que se consquistará tudo", porque isso implica dizer que não só os brasileiros da notícia citada em seu post, mas milhares de outros não têm se "esforçado" suficientemente, se a competência for só algo visto por um ponto de vista individual.
Me incomoda essa noção, também, porque ela me parece presa a uma redoma de vidro bem classe média, que ignora o fato de a maior parte da população brasileira viver em situação de miséria e de que muitos dos jovens concluirão o ensino médio e não chegarão ao ensino superior e, se chegarem a este, talvez não seja da maneira esperada.
Se, depois de concluir um mal ensino superior (em universidades públicas ou particulares), procura-se trabalho e não e encontra, não diz respeito a um problema individual, tão somente, mas socioeconômico, claramente.
Nesse sentido, a incompetência deixa de ser um problema e passa a ser consequência de uma questão maior, para a qual insistimos em fechar os olhos.

O outro ponto é que empresas de recrutamento (e disso entendo bem) têm em seus sites grande número de vagas falsas.

Esse assunto dá pano pa manga numa noite de fondue e vinho.

beijos

aline naomi disse...

Dan e Bá, obrigada pelos comments!

Então, Bá, talvez minha mentalidade seja "elitista", sim, embora eu não saiba até que ponto. E tudo que eu pense e tenha como verdade tenha a ver com a minha educação, porque eu cresci sempre com a noção de que temos que nos esforçar o máximo, buscar sempre o melhor, fazer sempre o melhor, e o resto simplesmente vem - é o resultado de todos os esforços.

A verdade é que não consigo conceber alguém com doutorado prestando concurso para gari. Não consigo processar isso racionalmente. Porque quase todo mundo que conheço com mestrado e doutorado está bem colocado no mercado, então, como pode a pessoa ter esse nível de instrução e não ter conseguido NADA? Como assim? "Incompetência", nesse meu post específico = ter tanto conhecimento (ou talvez não, dependendo de onde e como fizeram o mestrado e o doutorado - se compraram todos os trabalhos, a dissertação, a tese, etc., o que é mais comum do que se pensa) e não saber como aplicar isso para ganhar a vida ($$$).

Eu sei que há todo um problema socioeconômico por trás da educação, que, na minha opinião, é a coisa mais importante para uma sociedade e deveria ter uma qualidade altíssima e de graça para todos - só assim haveria um progresso em geral no país -, mas acho que, mesmo assim, mesmo com todos os recursos disponíveis, sempre haveria muitas pessoas que não conseguiriam fazer os anos de estudo de qualidade renderem. E não seria culpa do Estado, concorda?

Eu penso que é preciso um esforço individual para que haja um resultado positivo coletivo (é uma mentalidade meio japonesa, acho). Se as pessoas ficarem sempre colocando a culpa em alguém (Estado) e usando isso como desculpa para não correr atrás do que interessa, então o que resta a elas? Esperar? Reclamar?

Deixando um pouco o lado socioeconômico (ou talvez não), me incomoda muito as pessoas que tinham escolhas e optaram pelo caminho mais fácil. Eu não sei por que me incomoda tanto, por exemplo, pessoas que estudaram em faculdade particular em período diurno ou noturno e que, em vez de procurar estágio, trabalhar, entrar em projetos de iniciação científica, sei lá, aproveitar o restante do dia para aprimorar o aprendizado acadêmico/se aprimorar profissionalmente, já que os pais estavam pagando a faculdade deles, optaram por fazer... NADA, e depois ficam reclamando da "falta de oportunidades no mercado de trabalho". Ah, vão à merda! Eu não aguento pessoas que não se esforçam e ficam reclamando depois! Eu realmente tenho problemas em aceitar pessoas que se fazem de vítimas, sorry.

aline naomi disse...

Eu sei que o atual sistema é brutal e cruel, mas as pessoas podem escolher entre se lamentar e correr atrás. É fácil sentar e chorar e falar: "porque a sociedade é injusta, eu não consigo trabalho". É muito mais difícil para alguns, mas eu acredito que as oportunidades vão aparecendo para as pessoas que sempre estão buscando. Mas é um posicionamento de vida meu. Eu acredito que as pessoas são capazes de conseguir o que elas quiserem, mas não que as coisas sejam sempre fáceis e nem justas, apenas que é preciso um grande esforço para se chegar lá.

Isso é mais ou menos o que penso, mas é um assunto que merece, sim, ser mais discutido pessoalmente.

Vendo o seu comentário, acho que exagerei ao falar das oportunidades da Catho. As oportunidades são boas (eu acho "excelentes" porque pagam o dobro do que a gente ganhava na M***, aliás, do que EU ganho, você já está bem na fita =), mas, na verdade, o dobro não passa de um salário justo, né?). Deve rolar uns anúncios falsos por lá, sim, mas na nossa área, pelo que vi, acho que não... nada surreal do tipo "salário de R$ 10 mil, trabalhando apenas 5 horas por dia", apenas salários justos e horários comerciais.

Afe, deu um outro post esse meu comment! =P Mas, olha só, escreve um post sobre isso, eu adoraria ler! Certamente veria pontos que não estou vendo.

E, aliás, você é meio estranha, né? =P Você que se esforçou TANTO TANTO (individualmente) para conseguir chegar onde está e que eu admiro demais pessoal e profissionalmente, de verdade, acha que nem todos podem conseguir o mesmo que você... não é contraditório?

Beeeijos!

A gente continua essa conversa num bar qualquer dia!!