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domingo, 4 de outubro de 2009

Lost in translation

Hoje teve a missa de 10 anos de morte do meu avô paterno, de quem herdei o sobrenome e traços genéticos. Metade da missa foi em japonês e, a outra, em português, por um "padre" da religião Tenrikyo, de que alguns tios fazem parte.

Não entendi a primeira metade da missa. E aí teve também uma música em japonês, acompanhadas por gestos com as mãos, e às vezes as pessoas batiam palmas quatro vezes. Fui com meus pais em frente ao mini-altar que hoje estava enfeitado e com oferendas (comidas) para o espírito do meu avô, e batemos palmas quatro vezes e depois mais quatro vezes... outras pessoas da família fizeram o mesmo. Eu = total lost in translation. Não sei exatamente por que batem palmas quatro vezes, não entendo bem a função da música cantada por quem sabia (suave e calma) no meio da missa, não entendo nada de rituais japoneses, mas queria saber onde está o meu avô agora. E dessa vez não tivemos de levar um incenso aceso e depositar perto do altar, minha prima comentou que talvez só os budistas fazem isso. Bom, um dia eu fico boa em cultura japonesa, me ajudo e ajudo as pessoas a entender tudo isso também.

Depois da missa teve o almoço - muita, MUITA comida. Os japoneses comem, meu deus, como comem os japoneses! Dá até uma certa angústia ver tanta comida - eu não consegui provar nem metade dos pratos que tinha lá (que minhas muitas tias levaram). E minha mãe também me deu muita comida ontem - acho que ela acha que estou passando fome em São Paulo... haha! Quando vou para a casa dos meus pais me sinto num SPA de engorda.

Mas o mais legal de hoje foi que vi muita gente, muitos parentes, que não via há muito tempo. Conversei bastante com algumas primas. E matei saudades da minha prima mais próxima, a Di. A Fafá não foi =( - saudades dessa outra prima que também é próxima, mas que não vejo pessoalmente há algum tempo (acho que dois anos?). Me surpreendi com as crianças (primos e filhos de primos), que cresceram muito desde a última vez em que as vi. Meus primos da minha faixa etária estão quase todos casados. E tendo filhos. Uma prima perguntou quando eu ia casar. Rá. Eu queria ter dito que não sou exatamente o tipo de pessoa que se casa, mas disse que por enquanto nem namorado tinha e que nem sabia se queria casar... o perfeito para mim seria ter um namoro eterno =).

Vim embora de bus com meu primo Dan, irmão gêmeo da Di (que nos levou até a rodoviária), viemos conversando e foi legal. Ele me falou um pouco do "mundo corporativo" - um dia ainda quero trabalhar em uma multinacional igual onde ele está agora. Queria saber o que se sente estando num lugar em que o seu potencial como profissional é valorizado; ele disse que a empresa investe muito em pessoal - ele vai ganhar uma bolsa para aprimorar o inglês (na escola que ele escolher/que ele achar melhor) que é quase metade do meu salário! (Tem coisas que são tão surreais que nem consigo processar.) E também vários outros cursos de capacitação caríssimos para que, no futuro, ele possa oferecer o máximo para a empresa e, dessa forma, todos saem ganhando. Eu gosto da lógica das multinacionais, que parece ser o oposto das empresas nacionais (esgotar os funcionários e não oferecer nada, ou só migalhas, em troca - isso quando não mandam embora para contratar outra pessoa por um salário menor e depois dizem que a alta rotatividade é algo muito bom para a empresa e é realmente uma pena que as pessoas não se encaixem às novas mudanças do mundo global que a empresa exige - tem coisas que só rindo...). Agora entendo muito melhor por que meu pai queria que eu fosse parar num lugar desses... talvez ele se arrependa de ter pedido as contas da Johnson's, provavelmente uma das melhores empresas para se trabalhar no Brasil hoje em dia (e onde quase todo mundo em São José queria entrar - inclusive eu já quis!). Fui chamada para uma entrevista lá, logo depois que tinha me formado - a vaga era para trabalhar atendendo ligações de filiais nos Estados Unidos e países da América do Sul, nos respectivos idiomas nativos, para tentar resolver problemas de várias naturezas; poderia almoçar, jantar e/ou tomar lanche, dependendo dos meus horários de trabalho, no restaurante da própria empresa, teria transporte grátis que me pegaria na porta de casa e na volta a mesma coisa, todos os dias, o salário devia ser bom (não lembro de quanto era) e, se não me engano, teria participação nos lucros da empresa. Mas seria sorte demais conseguir um emprego desses logo depois de sair da faculdade, né? Ou talvez tenha sido sorte não ter conseguido, porque agora estou tendo outras experiências e está sendo bom também. I am on my way.

Trilha do dia:

I can go the distance

I have often dreamed
Of a far-off place
Where a great warm welcome
Will be waiting for me
Where the crowds will cheer
When they see my face
And a voice keeps saying
This is where I'm meant to be

I will find my way
I can go the distance
I'll be there someday
If I can be strong
I know ev'ry mild
Will be worth my while
I would go most anywhere
to feel like I belong

I am on my way
I can go the distance
I don't care how far
Somehow I'll be strong
I know ev'ry mile
Will be worth my while
I would go most anywhere
to find where I belong


2 comentários:

Crisão disse...

HAHAHAHAHAHAHAHAHAH
++
HAHAHAHAHAHAHHAHA

eu precisava disso. Cara, cansei de ir à casa de minha batian em guarulhos e ficar vendo. Ainda bem que minha mãe sempre me dispensou desses atos ecumênicos, apenas me dizia pra ficar em silêncio.

Eu nunca entendi as danças, um pra cá, quatro palmas, dois pra lá, mas palmas, numa oração que é quase mantra ou sei lá o quê. FUNNY.

Mas vamos ser sagitarianas e respeitar as mais diversas formas de religião.

bjs!

aline naomi disse...

=D

Que bom que não sou só eu que viajo e não entendo algumas vivências... hahaha...

Eu gosto, apesar de não entender nada...