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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Amores platônicos

Uma vez a Celeste, a melhor professora de língua e literatura italiana que alguém poderia ter, comentou que achava que o amor platônico era a melhor forma de amor, porque só ele era exatamente como a gente queria. É meio "óbvio", mas, na época, achei tão... novidade. Se eu tivesse 18 anos com a experiência que tenho hoje, provavelmente teria aproveitado mais. E vivido menos em platonismos (que, em geral, não levam a nada, além de uma certa confusão mental). Se bem que isso vira e mexe ainda me acontece. Juro que não procuro essas coisas por saber que é perda de tempo (!). Elas simplesmente... acontecem. E começo a gostar de pessoas as mais impossíveis e inalcançáveis - por quê?

Amor platônico é meio como amar o nada, alguém que não existe (e nunca vai existir), e a pessoa provavelmente nunca vai ter a mínima noção de que significava tanto para alguém. É um amor fadado ao nada. Me sinto meio doente, queria que isso passasse logo para eu poder ocupar a mente e o coração com outras pessoas que, apesar de não serem perfeitas, pelo menos existem!

Se eu estivesse preparada, provavelmente iria para outro lugar, arranjava outro emprego, arranjava outra vida para me distrair (fugir?) e acho que o problema estaria resolvido - afinal de contas, teria tanta coisa em que pensar que nem sobraria tempo para essa sensação de agora. Ou não. Porque talvez não seja possível fugir do que está do lado de dentro. Mas ainda preciso ficar em São Paulo mais um pouco.

Minha última ideia genial é morar em Manaus, depois de morar em Porto Alegre. Estou me programando para viajar para lá (Manaus) no ano que vem para reconhecer terreno. Estou muito paulista, preciso/quero ter visões mais abrangentes do Brasil, quero ter outras perspectivas. Quero buscar. Quero fugir [dos lugares conhecidos, do passado, de pessoas, do impossível].

5 comentários:

Crisão disse...

Interessante post, Naomi!

Vc vai me desculpar, mas vou ser muito sincera na minha opinião: acho que o amor platônico -- ao contrário do que sempre pregam por aí -- é o mais covarde de todos. Sem essa de honra e respeito.

Porque é muito fácil aceitar o "amor" à distância, achando que apenas a presença da pessoa vai suprir todas as suas necessidades. Porque amor é egoísta e é necessidade. Se uma coisa não se cumpre, vc fica na cômoda posição de "amo alguém" e vivo minha vida. Não parece egoísta e covarde demais?

Eu falo isso com a voz da experiência: meu amor platônico durou mais de 6 anos. E a garota sequer sabia da minha existência e do meu nome. Era uma imagem idolatrada daquilo que o cotidiano não mostra, daquilo que a intimidade não traduz.

Claro, não vamos comparar com Amos nos tempos do cólera, que embora não tenha lido, uma grande amiga fez uma belíssima leitura para mim. E ela diz que ele é um pisciano que ama e espera a amada. Acho isso muito lindo, mas pouco prático. E em dias como hoje, em que o nosso aprendizado e o nosso crescimento urgem mais do que nunca, isso me parece mais do que patético até.

Mas... esta é a minha opinião. Aliás, obrigada, vou literalmente roubar sua ideia e escrever sobre isso! rende!

bjs

Ana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana disse...

To dando uma bicada aqui... Licença pra dar minha opiniãozinha?
Asim, acho que enquanto se tem a capacidade de sentir e sonhar, tudo é valido e bonito. Toda contradição é vida. Quem não tem vontade de fugir, nõ tem vontade de ficar...
Acho q ainda ter a capacidade de ter amores platonicos, é ter ainda capacidade de sonhar...
No fim, amor é um sentimento tão contaminado com outros... Ele nunca é simples. Aos poucos a gente vai sabendo se vale a pena transforma-lo em algo real, se a paixão (que é um sentimento que leva a atitudes) nos moverá ou se é melhor deixa-lo assim...
Porque fantasias são bonitas tbm. Ainda mais qnado no mundo real é tão facil magoar ou ser magoado. Não que eu não ache que seja necessario viver amores reais, nem que eles não sejam deliciosos e fundamentais...
Mas... "Qualuer maneira de amor valhe a pena, qualquer maneira de amor valhe amar". E existem tantas formas...
Agora, se for necessario, tente! Tente! Se declare! Sofra ou não! Siga seus instintos...
Um beijo de quem ja te amou de varias formas e agora sente algo calmo e familiar.
;)

aline naomi disse...

Ei, meninas, obrigada pelos comments superválidos! ;)

***
Cris, eu queria algo mais "prático" também. Queria que a pessoa de quem eu gosto no momento estivesse "solteira e procurando" (como algumas meninas definem no perfil do Leskut), seria muito mais fácil chegar e propor um jantar à luz de velas ou, se ela fosse mais igual a mim, um passeio pro Hopi Hari (não é tão romântico, mas é... IUHUUU!!, eu adoro esse lugar) =). Mas não. A pessoa é de outro mundo (buuu!) e talvez por isso me atraia, por ser completamente diferente de mim e das outras pessoas que conheço.
Não faço julgamentos, não sei se é um tipo de amor "covarde". Embora ache corajoso o contrário: quem se declara sem ter ideia do que vai ouvir do outro lado.
E, como falei, queria que isso passasse logo, porque não sei o que fazer com o que sinto. Queria acordar e não lembrar mais desse assunto.

***
Anusca,
você é tão... humana =). Ou, como diria Camila, "você é poesia".
Eu não tinha visto por esse lado, de o que sinto significar que ainda tenho capacidade para sonhar. Isso eu não queria perder mesmo, porque, de certa forma, está ligada ao otimismo, que eu aprecio e me faz ir além e acreditar que consigo fazer tudo que eu quiser (mesmo que não consiga =).
Me declarar? Não. Se eu estivesse no lugar da pessoa, preferiria não ouvir isso, então vou poupá-la da minha mente perturbada e do provável desconforto que eu causaria. Ela tem a vida dela, e quando eu parar de sentir isso, terei a minha vida de volta também.
Beeijos!

aline naomi disse...

Nossa, Dan!

Falou tudo: eu não amo a pessoa, eu amo o meu sonho.

Eu sei, o pior é que eu sei. Mas não consigo deixar de sentir, por enquanto.

Mas já tá passando, se diluindo... =) E eu estou mais feliz.

Beeijos!