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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A Princesa de Nebraska - Wayne Wang

Acabei de ver de novo o filme "A Princesa de Nebraska", do Wayne Wang (que também dirigiu "Cortina de Fumaça", que eu adoro), enquanto me preparava - estou me preparando - psicologicamente para voltar ao trabalho. Está calor; fui dormir umas 3h da manhã e acordei umas 8h, não consegui dormir mais.

Depois de ler esse post, me deu um desânimo em ver o filme, mas, pensei, gostos são muito subjetivos. E tentei não me influenciar, mas, na primeira vez que vi, não consegui achar o filme "bom". Revendo, parece que consegui achar um pouco melhor, porque consegui prestar atenção em mais detalhes, mas, ainda assim, parece que falta algo e eu não sei o que é.

Tudo acontece em mais ou menos um dia em São Francisco, cidade para onde Sasha, a personagem principal, vai para fazer um aborto. Ela foi para os EUA para estudar em Omaha, Nebraska, depois de ter tido um tipo de romance com Yang, um cantor de ópera em Pequim, que permanece oculto durante todo o filme. Só sabemos que ele era bonito e sedutor, que conquistava homens e mulheres.

Sasha ainda não sabe se quer mesmo fazer o aborto. Está indecisa e só. Para mim, o tema central do filme é a solidão e isso é demonstrado em várias cenas:

- Quando Sasha chega em São Francisco, sua amiga não vai esperá-la no aeroporto, só a encontra depois e parece não se importar muito com ela, o diálogo é superficial;

- quando Boshen, um ex-namorado de Yang, que se propõe a ajudá-la, leva ela a uma festa e as pessoas, descendentes de chineses, ficam discursando sobre questões da China e os diálogos parecem não fazer sentido;

- quando Sasha fica enviando mensagens escritas pelo celular para Yang, que nunca responde e quando ela fica vendo/filmando as coisas pelo celular (talvez para ver se as coisas fazem mais sentido se vistas a partir de uma tela?);

- quando ela tenta ficar com um cara em um karaokê, mas, para mim, ela está completamente ausente no momento.

As cenas são lindas. Em geral, gosto da estética oriental no cinema, mesmo se as personagens estão morrendo por dentro, é bonito, sabe? O jeito que os cineastas orientais filmam essas cenas de dor e desespero.

A cena da foto do post é quando Sasha e uma garota de programa que ela conhece em Chinatown estão no quarto de um hotel, depois de terem participado de um karaokê com um grupo de executivos. Elas se beijam (a cena é bonita) e, na manhã seguinte, Sasha está nua, sentada na cama, com um bilhete que a garota deixou. A cena sugere que elas fizeram amor (e só me dei conta vendo pela segunda vez). Leio essa passagem com a garota no hotel como uma tentativa de Sasha estabelecer um vínculo com alguém, preencher o vazio e a solidão dela talvez?

Depois Boshen acompanha Sasha à clínica, onde ela fala com uma assistente social ou algo do tipo. Nesse momento, ela demonstra não saber o que quer.

O filme termina com uma cena maravilhosa. Com a música que tenho ouvido umas 500 vezes por dia, "Hope there's someone", de uma banda nova-iorquina chamada "Anthony and the Johnsons". Sasha está vestida apenas com uma camisa branca de Yang (que ela encontrou no apartamento de Boshen), e seu rosto está voltado para o lado direito, de onde vem uma luz natural, e, em sua frente, um paredão alto, quase intransponível.

Sei que outras pessoas malharam o filme, mas a proposta é válida (ainda que esse não entre na minha lista de filmes preferidos). Talvez o filme pareça superficial porque tudo acontece muito rápido e os personagens não têm tanto tempo de ser desenvolvidos. Li em algum site uma crítica falando que a personagem principal era desinteressante e monossilábica. Eu já gosto de personagens monossilábicas. Nem tudo precisa ser dito por palavras.

Vamolá, agora preciso ir. Back to real life.

Um comentário:

Marcela disse...

Estava assistindo à esse filme hoje e, realmente, tudo acontece muito rápido, nos deixando com a impressão de que falta alguma coisa...porém é um bom filme e muito sensível.
Beijos!