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quarta-feira, 24 de março de 2010

Do caos, sobreviverei?

Bom, minha casa está um caos, bagunça e sujeira. Ainda não tive tempo de limpar.

Pintaram as paredes do prédio, quero só ver quanto vai vir a conta do condomínio mês que vem - espero que parcelem em muitas e suaves prestações o trabalho do pintor e as tintas. Mas ficou legal, antes era medonho, tinha umas pichações (!), sei lá quanto tempo fazia que não pintavam. Agora só falta resolverem meu problema no banheiro (quando eu tomo banho, a água demora para escoar e o banheiro vira uma piscina) e tudo fica perfeito. Eu não sei como lidar com esses problemas domésticos. Se o chuveiro queimar um dia, estou ferrada, porque meu pai ainda não me ensinou a consertar isso.

Fui para aula de japonês ontem, mas como já eram umas 18h45, as professoras já estavam voltando e então falei simplesmente que voltaria na sexta (é que fui entregar umas coisas pra Lari no metrô e depois voltei - ela também trabalhará em um projeto sobre serial killers - estou revisando aos poucos um livro sobre o assunto, acho que poderemos trocar ideias... me dá um mal-estar trabalhar com esse tipo de material, porque constato que a maldade existe de verdade... como não estou acostumada, nunca tive experiências terríveis com pessoas más, a maldade às vezes parece algo irreal).

Estou tentando terminar de traduzir o livro sobre memória (estou aprendendo algumas coisas que talvez sejam úteis). Vou tentar fazer a Bi revisar a minha tradução para o texto ficar perfeito, ela manda muito bem ;).

Queria traduzir um texto do Dino Buzzati para um concurso que vai dar uma viagem de estudos com tudo pago para Milão por um mês. Vamos ver se consigo. O prazo é até o começo do mês que vem, ACHO.

Hoje a Cris encaminhou um e-mail falando sobre bolsas de estudo japoneses e me deu um frio na barriga, porque a bolsa que pretendo pleitear daqui uns anos exige um nível de japonês muito bom. Eu quero essa ó:

bolsas de estudos - mext / pesquisa (pós-graduação) 2010

O quê?

Bolsa para realização de pesquisas em universidades japonesas, que oferece ao interessado a oportunidade de cursar mestrado e/ou doutorado e prorrogar a bolsa, caso venha a ser aprovado no exame de admissão da universidade japonesa. Para aqueles que não têm o domínio da língua japonesa, será ministrado, no Japão, um curso básico nos seis primeiros meses.


Detalhe básico que me faz tremer: c) O candidato que apresentar projeto de pesquisa que requeira bibliografia na língua japonesa, como nos projetos relacionados à Língua Japonesa, Literatura Japonesa, História do Japão, Legislação Japonesa, etc., a priori deverá ter um bom desempenho no exame escrito de língua japonesa.

Meu pai deveria ter me obrigado a falar japonês desde que nasci e me matriculado no nihongako (escola de japonês) antes de eu ser alfabetizada em português, como meu avô autoritário fez com ele e com meus tios, então tudo isso seria muito mais fácil para mim agora. Alguns sofrimentos a gente não entende na hora, mas depois se transformam em uma coisa boa. De qualquer forma, feliz ou infelizmente, nem meu pai nem minha mãe me obrigaram a falar japonês e agora a situação é essa: preciso pagar curso de japonês e aprender tudo em relativamente pouco tempo para conseguir a tal bolsa.

Queria ir para o Museu da Língua Portuguesa e para o templo budista com a Lu (para o templo também quero chamar uma tradutora de francês lá da editora e a Lou, que também é do francês - se rolar, o nome do post poderá ser: "francófonas vão ao templo";). Para a exposição do Warhol com a Flávia (que me falou hoje que vai para São José lavar roupa - haha, não sou só eu que vivo essa vida!). Queria estar em São José nesse finde para o aniversário de dois anos do filhote da Pri. Quero conhecer a biblioteca nova do Carandiru e brincar com o Kindle com a Vi. Quero ver a Ana. Quero ver as Sóis. Saudade da Bá, que aniversariou esses dias, e de mais um monte de gente. Quando terei minha vida social de volta?

A única certeza da semana é que vou para um show de samba com a Babu no sábado. :) Como falei no post anterior, estou totalmente aberta a novas experiências musicais e não musicais também). Se eu não gostar, vou falar para ela. Ela certamente entenderá e não vai acabar a amizade por causa disso (ela faz aniversário no mesmo dia e mês que eu, e é bem sossegada, a gente se entende bem ;).

As coisas no trabalho continuam intensas como sempre, o tempo passa sempre rápido demais e quando vejo já são 18h. Esses dias a questão da traduzibilidade da poesia ficou me sondando de novo. Tive uns problemas por causa da tradução de umas músicas-poema (olha que legal: a editora vai lançar uns livros sobre música!, uns álbuns, o leque da linha editorial está se ampliando, o que me deixa feliz). Poesia é tão subjetivo. Eu nunca assumiria traduzir um livro de poemas, por exemplo. Não sou leitora assídua de poesia, não escrevo poesia, sou prosa total, então tudo se torna muito difícil. Como conseguir manter as rimas, a sonoridade, o sentido e as imagens em que o poeta (supostamente) pensou na tradução? Bom, aí que o tradutor não gostou do que a revisora mexeu na tradução das músicas que ele tinha feito e estamos tentando chegar a um consenso.

De legal, o editor também cogitou a possibilidade de começar a trabalhar com ficção (IUHUU!), então estou pesquisando alguns títulos que tenham potencial para "estourar". Coisas do tipo "Crepúsculo" que as menininhas iam adorar ler. Vamos ver se dou uma dentro e escolho "A" obra (não exatamente a melhor, mas a que venderia um milhão de cópias, que é o que importa - não é a minha opinião pessoal, estou falando em questões de mercado).

Hoje comi dois pedaços de bolo gigantes da padaria e um pão de queijo com requeijão e mais uns 600 ml de suco de melancia. Estou passando mal. Sou refém da gula. Socorro.

Tive sonhos estranhos hoje. Sonhei que estava dirigindo um carro de papelão (??), com duas amigas no banco de trás, mas não lembro quem eram. Eu ficava surpresa de o carro andar, mesmo sendo de papelão, até que as rodas, também de papelão, começaram a ficar amassadas. Fim. Porque não lembro da continuação. Também sonhei com um encontro de amigas, que conheci em lugares diferentes, mas elas se conheciam entre si não sei como. Era um restaurante, aí, quando fui usar o banheiro, a água do vaso transbordou e me molhou inteira. Depois chegou uma pessoa que eu não queria que me visse, disfarcei, mas ela veio falar comigo. Uma conversa meio sem pé nem cabeça (bem sonho mesmo). E aí acordei.

E agora chega, porque o trabalho me aguarda e depois preciso dormir umas horinhas também.

2 comentários:

Carolina disse...

agora que eu vi sua foto entendi seus "dilemas culturais"
HAHA não sei se está desabafando só por ter que aprender
o japonês agora pagando curso, mas fiquei pensando:
"será que vc se interessaria pelo japonês se tivesse nascido diferente? fosse descendente de poloneses, ou alemães ou negros?"

pq... seja lá o que tenha de interessante e especial no japonês,
com certeza deve ter também em tantas outras línguas espalhadas pelo mundo e com pouco apelo comercial...
(parece que só na África tem mais de 500! imagina na Ásia!)

bom, de qualquer modo, pelo que se ouve falar do tratamento que os nipo-brasileiros, nipo-peruanos,
nipo-argentinos etc recebem dos "japas puros" quando
vão pro Japão, vc já tá lascada... eles vão reconhecer a sua "brasilidade" e, talvez, te julgar (mal?) por conta dela.

enfim... deve ser ruim viver assim dividida, sugiro resolver logo a questão! sei que a cultura brasileira (como qualquer cultura!) tem lá seus defeitos... mas mesmo "brasileiros puros" (se é que existem...) podem se sentir incomodados com esses defeitos igualmente!
a diferença é que nós não temos pra onde fugir... (Portugal? Angola? Tribo indígena?) e talvez você, apesar dos olhinhos puxados, também não tenha mais...

aline naomi disse...

Oi, Carolina!

É, é meio "revoltante" ter de pagar pra aprender japonês, que era uma coisa que eu poderia ter aprendido naturalmente desde pequena, em casa! Haha! Mas tá bom.
Eu não sei se me interessaria por japonês se não fosse descendente de japoneses (talvez não, porque está na modinha e eu tenho problemas com coisas da modinha =P...), mas eu queria contribuir de alguma forma para que as pessoas ampliassem e aprofundassem os conhecimentos da cultura japonesa, sabe? Que é algo que inegavelmente faz parte de mim. E se as pessoas entenderem um pouco mais da cultura japonesa talvez também me aceitem melhor, me entendam melhor, fora que vão poder ver o mundo de uma perspectiva "oriental".
Sim, descendentes de japoneses sofrem no Japão. Meus primos me falaram. Mas se eu falar japonês e fingir que sou "foda" e tiver pleno domínio das coisas que estou falando e fazendo, acho que eles não vão me humilhar... e, se comentarem algo, posso responder à altura e em japonês. Falar japonês, nesse caso, também servirá para autodefesa.
Sobre fugir... bom, eu queria fugir pra qualquer lugar onde me sentisse confortável. Quero ver o que sinto no Japão. Deve ser outro mundo, outras sensações.