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domingo, 28 de março de 2010

"Você tem medo de morrer?"

Essa foi uma das perguntas que me fizeram lá no Formspring faz um tempo.

Respondi que não tinha medo da minha própria morte, que tinha mais curiosidade de saber o que acontece depois. Será que há um túnel de luz para um outro plano ou a visão escurece e é simplesmente o fim? Por mim, qualquer uma das coisas está ok. Não fico pensando muito sobre isso. Assim como na existência ou não de deus ou deuses e deusas. Para mim, a única certeza palpável é que existe o agora. O depois é o depois. E eu não sei bem o que a existência ou não de deus afeta a minha vida. Acho que não afeta (?). Então talvez seja uma coisa a menos em que se pensar. Talvez "deus" seja apenas uma necessidade humana, como uma amiga falou uma vez - que ela tinha "necessidade de acreditar". Eu acho legal as pessoas que conseguem ter fé, porque deve haver algo meio mágico dentro delas - algo que nunca terei. Talvez eu seja apática em relação a alguns assuntos, como no caso de deus e no que acontece depois que a gente morre. Não importa muito o que for realmente verdade, porque não vai alterar o meu jeito de ser e fazer as coisas - se deus não existir e se não houver outras encarnações, se não tivermos uma alma que vai evoluindo, se não houver carmas, nem por isso vou sair por aí matando pessoas, roubando e passando por cima de valores que para mim importam.

Minha mãe ligou há alguns dias para saber como eu estava e para perguntar se eu voltaria para casa nesse fim de semana. Comentou sobre a filha de um dos primos do meu pai (minha prima de segundo grau?) que havia morrido essa semana. Ela trabalhava e morava sozinha aqui em São Paulo e tinha um aneurisma cerebral, morreu de repente, acharam o corpo dela algum tempo depois. Ela só tinha 34 anos. Meus pais ficaram meio preocupados comigo. Mas... não há o que se fazer. Independentemente de eu morar sozinha ou com alguém, posso morrer amanhã ou com 100 anos, por motivos diversos. Estou fazendo o meu possível para viver e ficar bem (tenho me alimentado direito, tentado viver uma vida equilibrada dentro das minhas possibilidades, meu senso de autoproteção anda mais alerta que nunca), mas o risco de morrer sempre vai existir. É algo natural, eu acho. Mas vou tentar não morrer antes dos meus pais. Não sei a dor que se sente ao ver uma planta de que se cuidou por tanto tempo morrer antes de ser árvore.

Mas por ter noção de que eu posso não estar mais aqui a qualquer momento, estou fazendo o possível para dizer tudo que penso para as pessoas - sempre. Não sei que problemas isso pode me causar e às vezes devo passar por piegas (esses dias mandei e-mail pra Ana, porque me deu vontade de falar o quanto ela tinha sido importante e que eu sentia saudade - tem essas pessoas que mudam a minha vida de um jeito e eu sinto que nunca mais vou ser a mesma, daí eu fico com esse sentimento de gratidão eterna, porque, não importa o que aconteça, elas sempre estarão em mim), mas, dane-se, o que importa é que elas vão saber o que eu pensava e sentia por elas mesmo quando eu já não estiver mais por aqui.

4 comentários:

.:*Mandy*:. disse...

Morte e fé estão intimamente ligados e continuam a confundir a minha cabeça (e a de muito mais gente, ao que se percebe, haha).
Sou batizada católica, mas não fiz comunhão. Acho muito do que as religiões dizem uma completa besteira... aquele negócio de "Jesus disse isso", "Jesus não gosta daquilo", "Allah isso"... tem tanto doido (procure "Christian Side Hug" no YouTube, por exemplo!) por aí que acredito que, se um dia Jesus de fato vier, ele vai mandar todo mundo calar a boca e escutar o que ele tem a dizer. E o que ele disser não terá NADA A VER com o que os pastores, padres, etc. falam.
Gosto de rezar. Rezo sempre antes de dormir e faço o sinal da cruz antes de sair de casa. Gosto de ter alguém a agradecer pela minha vida, e é confortante estar numa religião cuja figura principal é uma mãe. Agora o resto é resto.

E quanto a dizer o que se pensa... puxa, Aline... /comofas? Sério!

Beijos

.:*Mandy*:. disse...

Em tempo: a música "Prisioneros de La Piel", da banda chilena La Ley, tem uma letra muito bonita sobre a morte. Falei sobre ela aqui: http://dreamsofacryotank.blogspot.com/2007/11/prisioneros-de-la-piel.html

Anônimo disse...

nossa, que legal! fui eu quem fiz essa pergunta!
na verdade, não apenas essa... fiz várias... espalhadas entre
as muitas que você responde nesse tal de formspring...
eu acabei descobrindo isso através do seu blog, daí
fui ver do que se tratava e achei interessante a possibilidade
de tentar conhecer mais alguém, de uma forma até mais do que anônima,
porque mesmo que eu diga que fui eu quem te fiz essa pergunta,
título do seu post, você não pode realmente saber se fui eu mesmo!

agora sobre sua resposta... bom acho legal o que você disse sobre
"continuar sendo a mesma" independente de deus existir ou não!
aliás, acho meio tosco isso do pecado nas religiões, pq parece
que as pessoas evitam fazer coisas erradas, não por princípio,
mas por medo de alguma punição dos céus! enfim... aliás muita gente defende as religiões em geral por causa disso, pq se convencêssemos as pessoas
a não acreditar em deus, daí todo mundo iria sair fazendo loucuras,
cometendo barabaridades...mais ou menos como aconteceu quando a
policia entrou em greve em algumas cidades brasileiras...haha


ah, lembrei de uma fala de um personagem cego de um filme japonês
(Bushi no Ichibun) que assisti recentemente :
"A vida existe na determinação de morrer"
ah, só assistindo o filme pra entender o contexto... queria saber
como dizer isso em japonês, pra saber se a tradução é essa mesma
ou se existe mais algum nuance intraduzível...vai saber!

é isso... compartilho da sua aflição de viver, menina!

aline naomi disse...

Oi, Mandy!
Eu gosto desses temas existenciais =). Mesmo que eu não tenha conclusão sobre nada.

Vi seu post e adorei!! =) Também gostei da música! Deixei comment ;)

Sabe que também agradeço quando algo muito bom acontece comigo? Nem sei o que ou quem agradeço, mas sinto uma gratidão imensa. Parece que é o universo conspirando a favor.
Sobre dizer o que se pensa, é muito difícil às vezes, dá um certo medo porque não sei como a pessoa vai encarar, mas respiro fundo e falo/escrevo, porque sempre penso que talvez não haja uma segunda chance de dizer o que eu queria. Dá um alívio depois, é bom :)

***

Anônimo,

obrigada pelo comment! :)

Sabe, odeio quando alguém diz: "Deus castiga". Deus não castiga. Talvez ele nem exista. A maioria das coisas que acontecem com a gente deve ser acaso ou a gente mesmo provoca.

"Deus" e religiões são um jeito de "domar" o nosso lado selvagem, será? Mas se todo mundo tivesse uma educação adequada e desenvolvesse a parte intelectual, acho que não precisaríamos disso. Ou pelo menos não como acontece agora.

É, tenhos uns princípios morais que me impedem de fazer determinadas coisas - se eu fizer, sei que vou me sentir mal, então prefiro nem fazer. Talvez eu um dia faça algo que vá contra os meus princípios, mas tem que valer MUITO a pena. Por enquanto, para mim, a pior punição vem de mim mesma, já que não sei se deus existe ou não.

Fui procurar o filme. É de samurai. E eu nunca tinha ouvido falar dele. Vou colocar na lista pra ver depois, apesar de, em geral, eu não gostar de filmes sobre samurais.