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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Escolhas...

A Carol (que não sei se é uma das Caróis que conheço) deixou um comentário assim no outro post: "Falar é fácil, mas são poucos que conseguem conciliar vida amorosa com vida profissional... nem acho que seja possível, com exceção claro, dos casamentos monótonos...
com eventuais puladas de cerca haha".
Respondi lá e escrevo um pouco aqui.

Já faz um tempo cheguei à conclusão de que não é possível ter uma vida profissional bem-sucedida (bem sucedida?) e um casamento bem sucedido. E acho que já fiz a minha escolha. Vou tentar ser uma excelente profissional, logo, não terei tempo para namoros e casamentos a curto prazo. Não aguentaria cobranças do tipo "você nunca tem tempo para mim", "mas vai ficar traduzindo esse maldito livro no fim de semana de novo?", etc (e com razão). No momento, não quero nada com nada na parte amorosa - quero sentir, mas não quero me comprometer. Talvez eu queira um relacionamento leve e sem cobranças. Goste de mim/da minha companhia, mas não exija nada de mim, por favor. Eu já me cobro o suficiente.

Tenho visto pessoas na casa dos quarenta anos ou mais e (como a Bianca comentou, também) tenho pavor de me tornar uma "profissional" assim. Não quero a mediocridade, não quero o conformismo, nem o comodismo, não me contento com isso. Não quero fazer as coisas de qualquer jeito e achar que isso é absolutamente normal, porque, afinal de contas, todo mundo faz mesmo e não há o que se fazer para melhorar. Consigo ser e fazer melhor que isso, só preciso de um pouco de tempo.

Lembrei de um amigo cuja esposa deve ser uma das melhores especialistas na área dela do país, pois passou dois anos fazendo pós em uma das universidades mais conceituadas e rigorosas do mundo, só que... o sucesso profissional dela acabou meio que arruinando o casamento deles. Porque ela simplesmente não tinha tempo para cuidar da relação, não tinha mais tempo para ficar com ele ("Ela ama o trabalho dela [e não a mim]", não esqueço isso), e, pelo que ele contou, ela só percebeu que ele era o grande amor da vida dela quando ele disse que estava indo embora. Mas aí já era tarde, não tinha mais volta, não tinha como recuperar o tempo que ela deixou de passar com ele porque estava trabalhando e/ou estudando. Triste, né? Ah, eu me angustiei por ele.

Por enquanto, acho que, eu também, "amo meu trabalho". E como não quero chatear ninguém porque passo bastante tempo concentrada e investindo nisso, ships, ships and NO relationships.

Imagem que ilustra o post de hoje: Il telescopio, de René Magritte.

Poema do Leminski (adoro Leminski!):
HARD FEELINGS

Oceans,
emotions,
ships, ships,
and other relationships,
keep us going
through the fog
and wandering mist

What is it
that I missed?

11 comentários:

Anna Carolina =dos= disse...

Eu fico tentando buscar exemplos de pessoas bem-sucedidas profissionalmente e mega felizes no amor...não me vem ninguém à mente. Ok, ok deve existir um ou outro casal assim, mas é raro. E acho mesmo que a vida é feita de escolhas! A única coisa que eu não recomendo por experiência própria é se relacionar com alguém do trabalho...porque dá trabalho! E ainda por cima, além de trabalhar com a pessoa, fazer curso com ela! ! hehehe É pior que casamento! Desabafos à parte, acho importante a pessoa se valorizar e buscar aquilo que a satisfaça! Pois pessoas vêm e vão de nossas vidas e o que sobra somos nós mesmos!

Crisão disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
aline naomi disse...

Carol e Cris,
valeu pelos comments! ;)

Carol, me dá desespero só de pensar em passar o dia inteiro com uma pessoa! =P

Cris, talvez seja mesmo uma fuga minha essa de investir muito num suposto "sucesso profissional", mas a vida amorosa me dá uma certa preguiça... eu não consigo me motivar em ser uma excelente namorada/esposa. Acho que me falta vocação. E até vontade. Ou talvez esteja fugindo de alguns "traumas".
Mas se eu encontrar alguém que valha a pena, vou ter que apagar este post! Haha.

Ah, eu não acho que viver só de amor ou só de trabalho é um posicionamento "para ser aceito pela sociedade", muito pelo contrário. Acho que ter um casamento mais ou menos e uma vida profissional razoável é o que a sociedade aceita como normal. Viver só de amor ou só de trabalho, até onde sei, é visto como "doentio".

E não entendo quando você fala de "egoísmo". Egoísmo com quem exatamente?? Já que não estou fazendo ninguém sofrer com as minhas escolhas? Não estou entrando em nenhum relacionamento, estabelecendo as minhas regras e obrigando a pessoa a aceitar - "porque, se ela gosta mesmo de mim, vai aceitar". Nunca na vida vou fazer isso. Sempre vou jogar limpo e dizer que não quero compromisso.

Bom, é a escolha que estou fazendo. Burra ou não, veremos no futuro. Quero ser extremamente boa no que faço e não ter que me contentar com qualquer trabalho só para pagar as contas no futuro. Quero ter o privilégio de escolher o trabalho que quiser e negociar o meu preço, porque algo que passarei, no mínimo, 8 horas por dia fazendo não pode ser um fardo e sim algo que me ajude a crescer e com que eu tenha prazer em fazer. Não quero me tornar o tipo de pessoa que odeia o que faz, mas tem de fazer só pelo dinheiro, e faz tudo reclamando - a encarnação da mediocridade.

aline naomi disse...

"A gente quer perfeição em tudo o que a gente faz."
Acho que não. Algumas pessoas apenas fazem "o que dá" (nas várias áreas da vida) e tudo bem. Conheci poucas pessoas buscando a perfeição no que quer que seja.

Anônimo disse...

Eu se fosse vc não ligava para os comentários. Vc está buscando concretizar sonhos e metas, fez suas escolhas, está abrindo mão de áreas da vida que também são importantes por um tempo, mas... Não te acho egoísta por causa disso. Tenho certeza que vai conseguir tudo que quer, como tem obtido várias conquistas até agora. E um dia ainda vou ler seu nome no expediente da Cia. das Letras!!
Sei que é muito competente, que está buscando aprimoramento, e, como vc mesma disse, é questão de tempo para chegar aonde quer.
Cuidado com inveja ou ressentimento ou loucura disfarçados. Não fique perto de quem não te faz bem.
Take care.
Torço muito por vc.
Ass: Alguém.

aline naomi disse...

"Alguém",

obrigada. Não sei se me conhece além-blog (virtual ou pessoalmente), mas me deu vontade de chorar (devo estar emocionalmente desequilibrada, foram tantas emoções essa semana! :). Obrigada pelas palavras. Mesmo.

Em geral, não ligo para o que as pessoas dizem ou pensam de ruim de mim, mas é difícil ouvir/ler algumas coisas da minha família e de amigos, por exemplo, que são pessoas de quem eu gosto e que (supostamente) também gostam de mim e cujas opiniões sobre mim importam.

A Cris tem um jeito grotesco/grosseiro de falar com as pessoas (incluindo as que ela diz que adora) às vezes, mas é uma boa pessoa...

Acho que vou dar um tempo. Vou dar uma de rãzinha surda, porque minha meta-mor é mesmo entrar na Cia. das Letras e/ou na Cosac Naify. E sei que, para isso, preciso ser uma das melhores no que faço, preciso de background acadêmico, experiência, atitude, proatividade e "n" coisas. E ainda não entendo o que há de errado em querer ser uma das melhores no que faço, não entendo por que eu seria "egoísta" com essa minha busca por aperfeiçoamento profissional...

Mas, enfim, obrigada por torcer por mim. :)

Anônimo disse...

"rãzinha surda": Só rindo mesmo.Essa Cris é louca de pedra. Desculpe-me,sei que é sua amiga, mas preciso dizer que ela é patética! Analise as asneiras que ela escreveu e veja como é incoerente e contraditório.. nem vc entendeu.

Já consigo prever daqui a dez anos em que patamar de evolução profissional você vai estar e em que patamar ela vai estar (provavelmente estagnada porque estava preocupada em achar um 'meio-termo' entre profissão e amor, enquanto continua reclamando do transporte público, criticando as pessoas, Deus e o mundo, quando o problema deve ser ela própria... isso se não levar um pé na bunda, pq, mel dels, quem agüenta!? kkk).

Vc não me conhece, mas as vezes te leio e me motivo a ir atrás do que quero. Como Alguém disse, tb tenho certeza que vai conseguir tudo que quer. Faz a loka, minha querida! Vc não pode perder seu precioso tempo com esse tipo de gente, o seu futuro brilhante te espera.

.:*Mandy*:. disse...

Também estou na mesma situação em relação ao conflito amor x trabalho. Mas sabe, fui muito melhor na faculdade na época em que estava namorando... é bom ter uma válvula de escape, alguém para fazer massagem nos pés quando estiver cansada depois de um dia terrível no trabalho. Mas que não cobre tanto de mim quanto eu cobro de mim mesma, hehehe
Acho que a nossa solução, por ora, está entre um Rabbit e um f***-buddy. Não é? hahahahahaha
Beijos e sucesso =**************

Crisão disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Crisão disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
aline naomi disse...

Anônimo,
obrigada pelo apoio moral, mas a verdade é que me sinto estranha, porque gosto muito da Cris. Concordo quando você disse que o que ela escreveu foi incoerente e contraditório, porque, realmente, não consegui entender nada. Mas deixa pra lá. Já passou. Quero esquecer.
E você me lembra uma amiga - ninguém pode mexer com amigos dela ou com pessoas de quem ela gosta que ela vira uma fera... chega a ser engraçado e fico imaginando como vai ser quando ela tiver filhos e mexerem com os filhotes dela. :)

***

Mandy... HAHAHAHA! F***-friend é ótemo! =D
E vamos ver o que consigo fazer da minha vida. Por enquanto, não me vejo em um relacionamento sério, porque (talvez traumas passados) só consigo imaginar a pessoa me cobrando e me enlouquecendo. Ficar com/namorar alguém fascinante e, como você falou, que não cobrasse mais de mim do que eu mesma cobro, seria ótimo! Alguém me disse um dia que quando eu quiser realmente estar com alguém, vou achar tempo, por mais coisas que eu tenha para fazer e sem deixar de lado meus outros objetivos. Deve ser verdade, só que ainda não encontrei essa pessoa, então, enquanto isso, acheie mais coerente focar no meu futuro profissional.
Beijos! ;)