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domingo, 9 de maio de 2010

Google Tradutor

Li hoje a matéria de capa da "Veja" sobre o Google Translator e gostei de saber em que pé as coisas estão nessa área.

Em um futuro não muito distante, provavelmente só haverá tradutores literários e, pelo que deduzi da matéria, talvez não haja mais agências de tradução daqui um tempo, já que as próprias empresas vão poder gerenciar o processo de tradução de textos técnicos (manuais, contratos, guias de normatização de filiais, etc.) através de softwares linguísticos avançados compostos por um corpus-padrão determinado pelo cliente (empresa). Por exemplo, quando eu traduzia para agências, o termo "site" (lugar físico), em inglês, era traduzido de formas diferentes (se não me engano, "local", "sítio", "base" ou era usado em inglês mesmo), dependendo da empresa - sim, meus caros, ser tradutor é também adequar os termos à cultura da empresa... então, se em determinada empresa, "site" = "local", ao fazer a tradução automática, "site" sempre seria traduzido por "local". Só que aí tem o "site" de "website", mais para frente creio que os softwares conseguirão fazer a distinção, dependendo do contexto... Para textos técnicos, acho que a tradução automática vem bem a calhar e talvez seja até melhor que a tradução humana, já que os termos e frases muitas vezes se repetem e as traduções poderão ficar cada vez mais padronizadas - hoje em dia, se diferentes tradutores trabalharem para uma mesma empresa e não tiverem vivência dos termos usados nessa empresa ou se não receberem um glossário específico, provavelmente os mesmos termos serão traduzidos de formas diferentes. Com o uso de um software, isso não será mais problema, já que os termos serão traduzidos sempre da mesma forma e o corpus, sempre alimentado de acordo com a necessidade.

Em 2000, eu já ouvia falar disso porque a prof. Lídia, de francês, uma vez levou um pessoal de computação da USP de São Carlos, que, parece, tem as pesquisas mais avançadas do país nessa área, para falar um pouco sobre o assunto - ela trabalhava em um projeto com eles que, depois, não sei o que virou. A Lídia era meio confusa e agitada, mas era bem proativa, fazia milhares de coisas ao mesmo tempo, estava coordenando um dicionário de dermatologia que ia ter verbetes em seis línguas (!) na época também, além de arranjar tempo para dar aula, orientar alunos, ser esposa (de um prof. de italiano lá da faculdade mesmo) e mãe. Mas, voltando ao que interessa, comentei o fato só para ilustrar que essa história de tradutores automáticos já está rolando há muito tempo.

Penso que, no futuro, os tradutores da área técnica talvez tenham de migrar um pouco de área, se tornar lexicógrafos, analistas e compositores de corpus para empresas, revisores, já que os textos serão traduzidos automaticamente (como Michelle comentou), entre outras funções que ainda não consigo vislumbrar.

Essa área que entrelaça linguística e computação/tecnologia é bem promissora, e é uma pena que não gostei de lexicografia/lexicologia e não tenho o dom para trabalhar com informática... eu quase dormia em um curso de lexicologia que tivemos na faculdade (não era obrigatório, mas como sempre me enfio em tudo quanto é coisa para saber o que é e como funciona...). Morreria de tédio se tivesse de trabalhar montando corpus para empresas ou com verbetes para dicionários. E ainda tem de seguir uma série de regrinhas e reflexões - não é simplesmente "vou fazer um dicionário", jogar um monte de palavras e copiar as definições ou traduções de dicionários já existentes... é, o mundo é complexo!

A matéria cita "O Guia do Mochileiro das Galáxias", o livro preferido da Mandy, e fiquei com vontade de ler, porque fiquei curiosa para ter uma ideia melhor do "babel fish", um peixinho que entra no ouvido das personagens (?!?!) quando elas não falam a mesma língua a fim de auxiliar na comunicação. Que desconfortável deve ser um peixinho entrando no nosso ouvido, não? =)

Hoje o Google Tradutor funciona com 52 idiomas e a projeção para 2020 é que esse número suba para 250. Independentemente disso, vou querer aprender mais meia dúzia de línguas, porque o Google vai permitir a comunicação instantânea entre pessoas do mundo inteiro, mas não vai proporcionar o ganho cultural que há por trás de se aprender gradativamente um outro idioma.

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