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sábado, 1 de maio de 2010

Onze Minutos - Paulo Coelho

Alguns amigos ficariam escandalizados por eu estar lendo Paulo Coelho, principalmente amigos com quem estudei tradução, porque alguns me achavam meio "cult". Haha.

Bom, depois de ter lido dois livros dele quando era adolescente, achei que já tinha tido o suficiente. Mas... vai que esse era bom? O tema me atrai, fiquei interessada e a Bi me emprestou. Porque preciso diluir preconceitos - quando se trabalha com livros, isso é muito importante, porque é preciso estar atento ao que o público gosta e não exatamente ao que eu gosto. Terminei de ler hoje no ônibus para São José.

Bom, o livro é a história de uma brasileira que vai para Genebra, inicialmente para dançar em uma boate, mas acaba se prostituindo. Também acaba se apaixonando por um pintor, (re)descobrindo o amor e o prazer.

Olha, o tema é bem interessante, acho que na mão de outro escritor, ficaria bárbaro, mas Paulo Coelho, sei lá, não escreve de um jeito que me fascina. Parece que fica tudo na superfície, e eu fico numa expectativa louca: "e...???". E é isso.

Mesmo assim (sou teimosa!), ainda pretendo ler "Veronika decide morrer", mas antes vou ver o filme. Aliás, "Onze Minutos" também vai virar filme.

Talvez por já ter lido o livro da Bruna Surfistinha, "O Doce Veneno do Escorpião" (breve matéria na Folha, falando sobre o lançamento do livro, em 2005, aqui, e o blog novo da Bruna Surfistinha, aqui) e também "Alugo o meu corpo", da Paula Lee (blog do livro, aqui e blog da Paula, aqui), achei esse do Paulo Coelho meio fraquinho. É o que eu classificaria de "romance para mulheres"; lembra, de leve, aqueles romances de banca de jornal, "Sabrina" e tralalá. Tem happy end - embora confesso que também queria e esperava pelo happy end, mas... é puro clichê!

Ah, preciso dizer que gosto da Bruna Surfistinha. Digam o que disserem. Admiro a coragem dela - ela escolheu um caminho e assumiu todas as consequências disso. Teve coragem de dar a cara a tapa. Eu, no lugar dela, provavelmente, tentaria esquecer tudo e não ia querer que minha fase como garota de programa viesse à tona.

E eu adoro a Paula Lee. Achei o blog dela quando pesquisava para montar uma personagem que era garota de programa em um conto que estava escrevendo e queria que a personagem fosse verossímil (é muito difícil escrever sobre coisas que estão distantes da minha realidade ou sobre experiências que nunca tive). Acabei escrevendo para ela, dizendo que tinha adorado o blog e que ela escrevia muito bem. Um tempo depois, ela me mandou o livro dela, autografado, lá de Portugal - é muito querida! - e eu mandei o livro da Bruna Surfistinha para ela. O livro foi lançado no Brasil algum tempo depois, pela editora Planeta - encontrei o livro à venda no site das Lojas Americanas (para comprar, clique aqui). Acho que não lerei um livro melhor que o da Paula com esse tema - é tudo muito verdadeiro e ela ainda escreve bem. Não fala de príncipes encantados, fala de pessoas e de um monte de coisas que ela viveu e sentiu.

Talvez só sendo mulher para saber exatamente o que se sente quando se passa por determinadas situações. Mas ainda quero ler um homem escrevendo de forma verossímil sobre uma garota de programa.

4 comentários:

.:*Mandy*:. disse...

Pois é. Falam mal, falam mal de prostitutas... mas acho que as maiores vagabundas desse mundo são aquelas que fingem não gostar de algo quando na verdade o fazem quando ninguém está olhando.
Btw, já leu sobre a Belle de Jour? Ela virou prostituta de luxo para fazer o doutorado em Medicina! Tô doida pra ler os livros, pois assisti a alguns ep. da série "Confessions of a Call Girl" e adorei =D
Beijos

aline naomi disse...

Oi, Mandy!
Por falar em prostitutas, também tem o que um amigo chama de "prostituição velada" - essas mulheres que caçam maridos ricos... ai, tão triste as pessoas se submeterem a isso!
Ah, dei uma olhada no blog da "Belle de Jour", uma amiga, a Lana, indicou. Quero ler com mais calma um dia! Loucura, né? :)
Beeijos!

Cara de pau disse...

Se tu quiser eu posso tentar te escrever sobre garotas de programa, pq de repente as mulheres tb não podem saber o que um homem sente a respeito, pq as vezes a experiência que se tem na cama não tem a ver com o sexo da pessoa, existem muitas mulheres escrotas por aí tb

aline naomi disse...

Cara de Pau,

legal a sua perspectiva. Já saiu com garotas de programa? Já saiu com mulheres desagradáveis?

E eu sei que existem mulheres "escrotas", vulgares, mesquinhas...