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terça-feira, 4 de maio de 2010

Primeiro dia

O primeiro dia na editora foi bom.

Peguei dois ônibus, sendo que o primeiro passa na frente da minha casa (barbada!) e como estou no "contrafluxo", foi bem tranquilo ("fluxo" -> pessoas dos bairros indo trabalhar no centro, onde se concentram muitas empresas; "contrafluxo"-> pessoas do centro ou dos bairros que se deslocam para bairros mais distantes para trabalhar/estudar nos horários de pico). Demorei mais ou menos 1 hora para chegar.

A Carla do RH me levou para conhecer todo o espaço da editora (é grande) e mais todas as pessoas que trabalham lá. As pessoas me pareceram incrivelmente normais e estou satisfeita com essa primeira impressão.

Como na Madras, vou trabalhar no Departamento Editorial, fazendo maaaaaais ou menos a mesma coisa que fazia antes, só que agora sou "editora júnior" e não mais "assistente editorial" (posso subir para "editora sênior" e, quem sabe um dia, gerente editorial, mas, sinceramente, não espero nada... depois quero experimentar outras vivências profissionais em outras editoras, ainda quero muito trabalhar em alguma que publique ficção, mas, por enquanto, ainda estou trabalhando com outras coisas). Os livros não são tão empolgantes quanto os da Madras (mais recentemente, começamos a trabalhar com livros de música e eu estava curtindo muito participar do processo de escolha de títulos e da negociação pelos direitos de publicação), mas pelo menos a venda da maioria dos títulos parece ser garantida - por isso conseguem oferecer condições muito boas de trabalho para os funcionários, creio eu.

Minha gerente se chama Ana Paula e minha colega editora júnior, Sandra. A Sandra está lá há menos de um ano, mas passa a impressão de que trabalha lá há anos! Ela domina muito o que está fazendo e fiquei muito contente por ela ser legal e também porque agora terei com quem compartilhar atividades de rotina e para quem recorrer quando o desespero bater. É que, pelo que vi, o dia a dia do editorial é frenético (todos os departamentos editoriais do mundo devem ser mais ou menos desse jeito), então às vezes deve bater um certo desespero. Mas já fiquei feliz com o fato de eles terem uma planilha com as datas previstas para fechamento das obras - tem a programação para o ano inteiro... não que aquilo seja imutável, mas pelo menos se tem noção do que foi programado e qual a urgência de publicação das obras "obra x - julho na gráfica" - em julho a coisa toda tem de estar na gráfica. Então, pelo visto, não existe a possibilidade de a gerente surtar e falar: "quero essa obra que estava programada para julho na gráfica amanhã".

Terei de lidar com autores nacionais e isso me preocupa um pouco. Eu admirava a paciência do Mega (um ex-colega da Madras) ao lidar com esses seres, mas acho que os autores de lá são mais tranquilos porque os assuntos são mais sérios - escritores de livros esotéricos devem deixar qualquer um louco com aquelas conversinhas viajantes... deve dar vontade de falar: "Ok, pega a sua nave espacial e volta pro planeta de onde você veio, filho". Uma pena: quase não publicam traduções/livros estrangeiros... então não terei a possibilidade de voltar a trabalhar com direitos autorais internacionais tão cedo (sinceramente, eu adorava essa parte de negociar os direitos com editoras internacionais!).

Ainda estou sem computador, mas ele vai chegar amanhã.

No almoço foi muito bacana: a Sol (que trabalha como divulgadora em uma outra editora bem legal) estava trabalhando lá perto e foi pegar a Carla e eu para almoçarmos. A Carla trabalha onde estou trabalhando agora também e é amiga da Sol (porque trabalhou com ela lá na outra editora). Fazia um bom tempo que eu não via a Sol e fiquei muito feliz em vê-la de novo, ela está superbem :), adoro ela muito.

Aí eu e Carla voltamos atrasadas do almoço, tipo saímos umas 13h e voltamos umas 14h40! É só uma hora de almoço. Aí, quando cheguei, a Sandra: "Todo mundo estava te procurando!", pensei: "estou ferrada", fiquei meio preocupada, expliquei que fomos almoçar um pouco longe (lá não tem restaurantes tão perto). Aí a Sandra explicou que eles estavam um pouco traumatizados porque uma vez uma funcionária saiu pro almoço e nunca mais voltou. HAHAHAHAHA! É, deve ter visto a correria insana do editorial e viu que não ia aguentar, foi embora. Mas, gente, que postura é essa, né? Mas, não, não fui embora. Estou empolgada para aprender e me doar bastante nessa editora - vai valer a pena, eu sei que vai.

O dia passou relativamente rápido. Ah, como uns (como dizer?) FDPs (?) ficaram brincando na internet, agora ela é controlada - a Sandra tem acesso restrito e eu provavelmente também terei. Não me conformo com essas pessoas que ficam acessando entretenimento (Orkut, MSN, Youtube, etc.) em horário de trabalho e, no fim das contas, todo mundo se ferra. Acho que quando a pessoa começasse a trabalhar, ela deveria assinar um documento, afirmando que se compromete a não acessar coisas que distraiam a atenção e que não tenham nada a ver com o trabalho e, caso isso aconteça, a empresa terá o direito de mandar a pessoa embora por justa causa - queria ver se alguém acessava Orkut e MSN em horário de trabalho...

E o que mais? Ah, vou ficar na mesma divisória que a Sandra. O departamento tem um bom espaço físico, é bem clean (adoro), tudo é bem claro, não há imagens de deuses /demônios, nem quatro câmeras por andar, posso atender celular pessoal e as pessoas não acendem incenso em horário de expediente - I'm in Heaven!

Deu o horário e eu vim caminhando para casa para ver quanto tempo dava. Deu 1h15 de caminhada, mas acho que fiz o caminho mais longo. Amanhã vou pegar o ônibus para ver em quanto tempo chego :).

Piada interna (acho que só a Bianca vai entender): agora não preciso mais me preocupar com papel higiênico no banheiro! Haha. E o papel ainda é superbom =D.


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